Tailândia admite quebra no mercado português, mas mantém meta de repetir recorde de 2025

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A Autoridade do Turismo da Tailândia (TAT) admite que o conflito no Médio Oriente está a condicionar a evolução do mercado português em 2026, mas acredita que ainda será possível terminar o ano ao nível do recorde alcançado em 2025. Apesar da quebra registada nos primeiros meses do ano, o destino mantém uma visão positiva para o mercado nacional e reforça a aposta em experiências autênticas, destinos menos conhecidos e segmentos de maior valor acrescentado.

Durante um encontro com jornalistas em Lisboa, Prakaipruek Damrongvadha, diretora da Autoridade do Turismo da Tailândia para o Sul da Europa, explicou que a instabilidade geopolítica está a afetar sobretudo os mercados dependentes das ligações aéreas através dos hubs do Médio Oriente.

Referindo-se à evolução do mercado português, Prakaipruek Damrongvadha afirmou que “o melhor cenário para este ano é terminarmos com números semelhantes aos do ano passado”. No entanto, alertou que, “se a situação se prolongar durante muito tempo, poderá haver uma quebra de aproximadamente 10%” no mercado português.

Em 2025, a Tailândia recebeu 32,97 milhões de turistas internacionais, que geraram receitas de 38,25 mil milhões de euros. A Europa representou 8,25 milhões desses visitantes e contribuiu com 13,05 mil milhões de euros em receitas turísticas.

Nesse contexto, Portugal registou um ano recorde, com 57.497 visitantes, um crescimento de 4,93% face ao ano anterior, que geraram receitas de 71,52 milhões de euros. A estadia média foi de 13,38 dias e a despesa média atingiu 1.244 euros por viagem.

“O mercado do Sul da Europa depende bastante dos hubs do Médio Oriente devido à competitividade em termos de preços e frequências”

Já entre janeiro e maio deste ano, a Tailândia recebeu 23.433 turistas portugueses, uma quebra de 5,58% face ao período homólogo. Segundo Prakaipruek Damrongvadha, esta desaceleração está diretamente relacionada com os constrangimentos operacionais provocados pelo conflito no Médio Oriente.

“O mercado do Sul da Europa depende bastante dos hubs do Médio Oriente devido à competitividade em termos de preços e frequências”, explicou. O aumento das tarifas aéreas, associado à subida dos custos de combustível e às alterações de rotas, está a afetar a procura. “Existe ainda uma atitude de ‘esperar para ver’ por parte do mercado, devido à incerteza da situação”, acrescentou.

Apesar disso, a responsável considera que o problema não está na atratividade do destino. “A imagem da Tailândia continua a ser muito positiva”, afirmou, sublinhando que a TAT está a reforçar as ações promocionais para manter o país no topo das preferências dos viajantes de longo curso.

Perante um contexto internacional mais desafiante, a Tailândia está a reposicionar a sua estratégia turística. “Estamos a passar de uma lógica de volume para uma lógica de valor”, afirmou Prakaipruek Damrongvadha. “Queremos privilegiar receitas de qualidade, turistas de qualidade, experiências significativas e sustentabilidade de longo prazo.”

A campanha promocional da TAT para 2026 e 2027 assenta no conceito “Healing is the New Luxury” (“Curar é o novo luxo”), que procura responder à crescente procura por experiências transformadoras e bem-estar.

Segundo a responsável, o conceito de luxo está a evoluir. “Hoje, o luxo já não é apenas algo caro ou um hotel de luxo. São experiências com significado, momentos que podem curar o coração, elevar a mente e permitir que as pessoas se reconectem consigo próprias durante a viagem”, afirmou.

Para Prakaipruek Damrongvadha, os viajantes estão cada vez mais focados naquilo que retiram da experiência. “As pessoas procuram cada vez mais experiências”, sublinhou, explicando que o turismo está a evoluir de uma lógica centrada no destino para uma abordagem mais orientada para a experiência.

“Perguntam-se o que vão ganhar quando regressarem a casa”, acrescentou. Segundo a responsável, os turistas procuram hoje ligações mais autênticas com as pessoas e os lugares que visitam, valorizando experiências que lhes permitam aprender algo novo, desligar da rotina e regressar com uma perspetiva diferente.

“Estamos a passar de uma lógica de volume para uma lógica de valor. (…) Queremos privilegiar receitas de qualidade, turistas de qualidade, experiências significativas e sustentabilidade de longo prazo.”

Portugueses continuam a viajar de forma independente

Os dados apresentados por Rosário Louro, representante da Autoridade do Turismo da Tailândia em Portugal, mostram que os viajantes portugueses continuam a privilegiar viagens independentes. Cerca de 90% dos visitantes nacionais viajam fora de grupos organizados, enquanto apenas 10% optam por circuitos de grupo. A maioria das reservas é feita online (67,4%), seguindo-se as agências e operadores turísticos (18,6%).

Ainda assim, a TAT considera que o papel do trade continua a ser relevante. “Para itinerários mais complexos e experiências locais diferenciadoras, os programas organizados continuam a ter procura”, explicou Prakaipruek Damrongvadha.

A entidade prevê continuar a desenvolver ações junto de operadores turísticos e agentes de viagens portugueses ao longo do ano, incluindo formações, atualizações de produto, campanhas conjuntas e iniciativas de promoção para as épocas de verão e inverno.

Os dados da TAT mostram também uma evolução gradual nas preferências dos viajantes portugueses. Os locais históricos (24,1%), a gastronomia tailandesa (22,7%) e os destinos de praia (21,5%) continuam a liderar as atividades mais procuradas, seguidos pelo snorkeling (16,5%) e pelo segmento de spa e bem-estar (15,2%).

A maioria dos visitantes portugueses é do sexo feminino (55%), cerca de 72,5% tem entre 25 e 44 anos e quase 80% visita a Tailândia pela primeira vez.

“Vemos boas perspetivas para o quarto trimestre. (…) Se conseguirmos terminar 2026 ao nível de 2025, consideraremos esse objetivo cumprido”

Segundo a TAT, verifica-se igualmente um interesse crescente por experiências culturais e imersivas. Prakaipruek Damrongvadha destacou, por exemplo, o crescente interesse por experiências ferroviárias como o Blue Jasmine, comboio turístico que liga Banguecoque a Chiang Mai, ou por festivais tradicionais realizados fora dos principais circuitos turísticos. “Já não é apenas o destino que importa, mas a experiência vivida durante a viagem”, afirmou.

Paralelamente, a Tailândia pretende diversificar os fluxos turísticos através da promoção de regiões menos conhecidas. A estratégia passa por combinar destinos consolidados com áreas emergentes, associando, por exemplo, Banguecoque a Kanchanaburi ou Ratchaburi, Chiang Mai a Chiang Rai, ou Phuket a Phang Nga.

Para o próximo ano, a TAT pretende reforçar particularmente a promoção de Chiang Rai, através de produtos ligados à cultura, arte e experiências locais, e de Krabi, associada ao bem-estar, sustentabilidade e turismo balnear.

Outro dos temas abordados foi a recente alteração do regime de isenção de visto para 54 mercados internacionais, incluindo Portugal. A partir deste mês, os cidadãos portugueses passam a beneficiar de uma isenção de visto de 30 dias, em vez dos anteriores 60 dias.

A TAT não antecipa impactos significativos desta alteração. “A duração média das estadias dos visitantes do Sul da Europa é de cerca de 12 dias, pelo que a mudança para 30 dias não deverá afetar este mercado”, explicou Prakaipruek Damrongvadha.

Os viajantes continuam a poder solicitar uma extensão adicional de 30 dias no destino. Para estadias mais longas, a Tailândia disponibiliza ainda vistos específicos para nómadas digitais, válidos até cinco anos e permanências até 180 dias por entrada.

Apesar dos desafios atuais, a TAT acredita que o último trimestre do ano poderá trazer uma recuperação da procura. “Vemos boas perspetivas para o quarto trimestre”, afirmou a responsável. “Se conseguirmos terminar 2026 ao nível de 2025, consideraremos esse objetivo cumprido.”

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