Terça-feira, Março 10, 2026
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Tailândia aposta no turismo regenerativo com foco no ambiente, cultura e comunidades

A Autoridade de Turismo da Tailândia (TAT) está a consolidar uma nova abordagem baseada no turismo regenerativo, para tentar combater os efeitos negativos do turismo de massas. Esta baseia-se em revitalizar o ecossistema, fortalecer comunidades locais e preservar o património único do país.

No centro do turismo regenerativo está o envolvimento das comunidades locais na tomada de decisões e na implementação dos projetos. Na província de Chiang Mai, no norte do país, os turistas podem agora participar em atividades tradicionais de cultivo de arroz, apoiando tanto a paisagem agrícola como os agricultores locais. “A experiência proporciona aos visitantes um contacto direto com a realidade local, ao mesmo tempo que gera rendimento para os agricultores e fomenta a valorização da cultura tradicional”, afirma a TAT em comunicado.

No sul da Tailândia, estão em curso projetos de reflorestação de mangais que envolvem a participação ativa dos visitantes na plantação de árvores e na aprendizagem sobre os ecossistemas marinhos, orientados por líderes comunitários. Estas ações promovem benefícios ambientais e contribuem para a valorização e capacitação das comunidades locais.

Na província de Buri Ram, no nordeste da Tailândia, o Centro de Aprendizagem sobre Zonas Húmidas e Grous-de-pescoço-vermelho oferece educação sobre a conservação destas zonas e os cuidados a ter com esta espécie de ave.

Trata-se igualmente de um espaço de ecoturismo estruturado, dedicado à sensibilização para a conservação de aves não migratórias. O centro já reintroduziu mais de uma centena de grous no meio natural, contribuindo para a recuperação da espécie e o restabelecimento da sua reprodução em habitat selvagem.

No que toca a alojamentos, o eco-lodge de luxo Soneva Kiri (agora denominado Kiri Private Reserve), na ilha de Ko Kut, é um exemplo do tipo de projeto pretendido. Com uma política de desperdício zero, o resort desenvolve projetos comunitários em colaboração com a população local. Muitos hotéis e pousadas estão a adotar fontes de energia renovável, a implementar medidas de poupança de água e a criar programas educativos que ensinam práticas sustentáveis aos turistas.

Um dos pilares do turismo regenerativo na Tailândia é a valorização do artesanato local em detrimento dos souvenirs produzidos em massa. Artesãos de têxteis, cerâmica e outros ofícios são incentivados a colaborar com o setor turístico, promovendo produtos que apoiam a economia local e preservam o saber-fazer tradicional. Mercados como o Sunday Walking Street Market, em Chiang Mai, reforçam esta lógica de consumo local e oferecem uma fonte de rendimento sustentável às comunidades.

No Parque Nacional de Khao Sok, o turismo regenerativo está integrado nos esforços de conservação da biodiversidade tailandesa. Os programas envolvem os visitantes em ações como a preservação de elefantes, a recuperação de recifes de coral e a proteção de espécies ameaçadas, como o dugongo e o golfinho de Irrawaddy. As atividades incluem desde a plantação de corais no mar de Andamão até à monitorização de fauna em áreas protegidas.

A TAT também encoraja os visitantes a explorar rotas menos conhecidas, numa tentativa de os sensibilizar sobre o valor cultural e ambiental das suas viagens, e por isso criou o programa “7 Greens”. Este propõe os turistas a envolverem-se em atividades de baixo impacto, como estadias em casas de famílias locais ou refeições “da horta para a mesa”.

“A Tailândia já começou a colher os frutos do turismo regenerativo, especialmente em zonas anteriormente sobrecarregadas pelo excesso de visitantes, como a Maya Bay, na ilha de Ko Phi Phi Le. Encerrada durante um período para permitir a recuperação dos recifes de coral, a baía reabriu com restrições ao número de visitantes e a proibição de banhos, garantindo assim a continuidade da regeneração do ecossistema”, conclui a TAT em comunicado.

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