Segunda-feira, Março 9, 2026
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Tempestades afetam um terço das agências de viagens e travam vendas de Carnaval e Páscoa

As recentes intempéries, em particular a tempestade Kristin, provocaram impactos operacionais e perdas comerciais significativas no setor das agências de viagens. Um inquérito divulgado pela ANAV – Associação Nacional de Agências de Viagens revela que uma em cada três agências enfrentou limitações imediatas na sua atividade, com reflexos diretos nas vendas do Carnaval e já com efeitos nas reservas da Páscoa.

O estudo, realizado junto das agências associadas e com 31 respostas consideradas válidas, aponta para uma maior incidência de impactos nas regiões Norte (40%) e Centro (36%), zonas particularmente afetadas pelas condições meteorológicas adversas das últimas semanas.

De acordo com os dados divulgados, 40% das agências reportaram impacto direto na sua atividade e 32% foram obrigadas a interromper temporariamente o funcionamento.

Entre os principais constrangimentos registados estão falhas de energia elétrica, interrupções nas comunicações, instalações inundadas, dificuldades de acesso às lojas e encerramentos durante vários dias consecutivos. Estes fatores limitaram o atendimento ao público e comprometeram a capacidade de resposta comercial, num período considerado estratégico para o setor.

O impacto não se ficou pela componente operacional. Ao nível comercial, 60% das agências indicaram que as vendas relativas ao período do Carnaval foram afetadas, sendo que, em muitos casos, as perdas são consideradas irreversíveis.

Além disso, 56% das agências referem que as reservas para a Páscoa já estão a sofrer efeitos negativos, o que demonstra que as consequências económicas se prolongam para além do momento imediato da tempestade.

O presidente da ANAV, Miguel Quintas, sublinha a necessidade de apoios rápidos e eficazes à economia. “Os apoios anunciados pelo Governo têm de chegar já às famílias e empresas, e estão a tardar muitíssimo. Estes apoios devem ser concedidos a fundo perdido e não através de linhas de crédito. Não queremos mais endividamento para as famílias nem para as empresas”, defende.

O responsável alerta ainda para os riscos de atrasos na operacionalização das medidas, recordando experiências anteriores em contextos de catástrofes naturais.

Apesar dos constrangimentos e das perdas registadas, Miguel Quintas destaca a capacidade de adaptação das agências de viagens. Segundo o dirigente, o setor respondeu com profissionalismo, manteve o apoio aos clientes em condições adversas e está já focado na recuperação das vendas e na preparação dos próximos períodos turísticos.

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