O Grupo The Lince Hotels mantém uma perspetiva otimista para 2026 e prepara uma nova fase de crescimento, com projetos em curso em Lisboa, Braga, Douro, Évora, Açores e Guarda. A adjudicação recente da recuperação e exploração do histórico Hotel Turismo da Guarda vem reforçar um pipeline que combina expansão, reposicionamento premium e aposta em ativos com identidade própria. Em entrevista ao TNews, Rúben Reis da Silva, diretor de Vendas e Marketing do grupo, revela que a ambição da marca não passa “por ser o maior grupo, mas sim por ser reconhecido como um dos melhores, através de projetos diferenciadores”.
O grupo iniciou o ano com “alguma cautela”, num contexto marcado pela instabilidade económica e geopolítica internacional. Segundo o responsável, a incerteza levou os clientes a adiar decisões de compra e a reservar mais próximo da data de estadia. Ainda assim, os resultados do primeiro semestre estão alinhados com os objetivos definidos para 2026. “A procura mantém-se sólida e continuamos a observar uma valorização crescente da qualidade da oferta, da segurança do destino Portugal e das experiências diferenciadoras que os nossos hotéis proporcionam”, afirma Rúben Reis da Silva, mostrando-se confiante quanto ao desempenho do segundo semestre.
Durante o verão, o grupo tem registado crescimento da ocupação em praticamente todas as unidades, acompanhado por uma subida da tarifa média e do RevPAR. De acordo com o responsável, a estratégia passa por encontrar o equilíbrio entre ocupação, tarifa e rentabilidade, sem comprometer o posicionamento de cada hotel. “Mais do que procurar ocupação a qualquer custo, a nossa estratégia passa po encontrar o equilíbrio certo entre ocupação, tarifa e rentabilidade, protegendo o posicionamento de cada hotel”, defende.
Para o segundo semestre, as expectativas são positivas. O responsável afirma que o ritmo das reservas aumentou significativamente nos últimos meses, permitindo encarar o fecho de 2026 com otimismo.
Tendo em conta que as unidades da The Lince Hotels estão presentes em geografias bastante distintas — de Vila do Conde aos Açores, passando por Braga e Évora —, os perfis de procura diferem de unidade para unidade, pelo que os mercados emissores variam naturalmente consoante o destino. “Essa diversidade é, aliás, uma das forças do nosso portefólio, permitindo-nos acompanhar diferentes dinâmicas de procura e adaptar a estratégia comercial a cada unidade”, considera o diretor de vendas e marketing.
Ainda assim, é possível identificar alguns padrões. “Em 2026, o mercado nacional continua a assumir uma relevância importante, complementado por mercados internacionais estratégicos como o Reino Unido, Espanha e Alemanha. Mantemos também uma procura consistente proveniente dos Estados Unidos e do Canadá, mercados particularmente relevantes para produtos com maior componente experiencial e posicionamento premium”, afirma Rúben Reis da Silva.
Mais do que uma alteração estrutural dos mercados emissores, o diretor de vendas e marketing da The Lince Hotels identifica uma mudança no comportamento de compra dos consumidores. “O cliente está mais ponderado, compara mais e decide mais próximo da data da viagem. Isso exige maior agilidade comercial, melhor leitura de dados e capacidade de adaptação quase permanente”, sublinha.
Aposta no luxo
Em 2026, o grupo pretende reforçar a presença nos mercados nacional, norte-americano e brasileiro, mas a grande aposta passa também pela entrada em mercados emergentes associados ao segmento de luxo.
“Para os próximos anos, está igualmente prevista uma expansão da nossa atuação para mercados emergentes no segmento de luxo, que apresentam indicadores muito positivos de crescimento e um alinhamento natural com o posicionamento que pretendemos construir. A ambição é continuar a atrair um perfil de hóspede que valoriza experiências autênticas, unidades com identidade própria e uma ligação genuína ao território, posicionando o The Lince Hotels como uma marca de referência no panorama nacional e internacional”, refere o diretor de Vendas e Marketing.
“Para os próximos anos, está igualmente prevista uma expansão da nossa atuação para mercados emergentes no segmento de luxo, que apresentam indicadores muito positivos de crescimento e um alinhamento natural com o posicionamento que pretendemos construir”
Évora lidera reposicionamento premium
Entre os principais projetos previstos até ao final de 2026 destaca-se a reabertura do The Lince Ecork Évora, após um processo de reposicionamento que elevará a unidade à categoria de cinco estrelas. Inspirado no conceito de quiet luxury, o hotel pretende oferecer uma experiência centrada na tranquilidade, bem-estar e contacto com a natureza, assumindo-se como um refúgio no coração do Alentejo.
Paralelamente, o grupo tem em desenvolvimento vários projetos que suportam a sua estratégia de crescimento: “Estamos a preparar uma nova fase de crescimento, com vários projetos em desenvolvimento para os anos seguintes, incluindo uma nova unidade no centro de Braga, um projeto no Douro, dois novos hotéis em Lisboa, a expansão da unidade de Ponta Delgada e o reposicionamento para cinco estrelas da unidade do Nordeste. São projetos que refletem a estratégia de crescimento sustentável e o compromisso em criar hotéis com alma, identidade e uma forte ligação aos territórios onde estão inseridos”.
Segundo o responsável, a ambição do grupo não é tornar-se o maior operador hoteleiro nacional, mas afirmar-se como uma marca de referência através de hotéis com identidade própria e forte ligação aos territórios onde se inserem.
“Acreditamos que, atualmente, o hotel deixou de ser apenas um local de estadia para se tornar parte integrante da experiência de viagem. O hóspede procura cada vez mais autenticidade, conexão com o território e experiências memoráveis, valorizando unidades que refletem a essência do destino e que conseguem, por si só, transformar-se numa parte fundamental da viagem”.

“Estamos a preparar uma nova fase de crescimento, com vários projetos em desenvolvimento para os anos seguintes, incluindo uma nova unidade no centro de Braga, um projeto no Douro, dois novos hotéis em Lisboa, a expansão da unidade de Ponta Delgada e o reposicionamento para cinco estrelas da unidade do Nordeste”
Sustentabilidade e tecnologia no centro da estratégia
A sustentabilidade continua a assumir um papel central na estratégia do Grupo Arliz, detentor da marca The Lince Hotels. Entre as medidas implementadas destacam-se políticas de reciclagem, redutores de caudal de água, utilização de fornecedores locais e práticas de cozinha inspiradas no conceito de quilómetro zero. “No âmbito da sustentabilidade, contamos com uma equipa dedicada ao acompanhamento e desenvolvimento desta área, analisando de forma abrangente os seus diferentes domínios — ambiental, social e de governança. Hoje, o cumprimento dos requisitos básicos já não é suficiente; procuramos ir mais longe e integrar práticas que contribuam efetivamente para uma hotelaria mais consciente e sustentável”, defende.
Ao nível da digitalização e da inteligência artificial, o grupo acompanha a evolução tecnológica e procura identificar soluções que permitam otimizar processos, melhorar a experiência do cliente e aumentar a eficiência operacional.
Talento continua a ser o principal desafio
Tal como acontece na generalidade do setor, o recrutamento e retenção de talento continua a ser uma das maiores preocupações do grupo. A aposta passa pela formação contínua, promoção interna e criação de oportunidades de progressão profissional.
“O talento é um dos principais ativos da organização e, por isso, temos vindo a apostar em estratégias centradas na valorização e crescimento das nossas equipas”, começa por dizer. “Procuramos que os nossos colaboradores tenham não apenas um emprego, mas um percurso profissional com possibilidade de evolução dentro do grupo. No entanto, reconhecemos que a realidade atual do setor exige uma abordagem cada vez mais abrangente. A escassez de profissionais disponíveis, a evolução das expectativas das novas gerações e a necessidade de conciliar exigência operacional com qualidade de vida tornam este um desafio permanente. Mais do que responder a uma necessidade imediata de recrutamento, é essencial construir uma relação de longo prazo com as pessoas, baseada em reconhecimento, desenvolvimento e pertença”, complementa.
Além da gestão de talento, a hotelaria enfrenta também o desafio permanente de acompanhar a evolução das expetativas dos consumidores, considera o responsável. “A capacidade de inovar, adaptar processos e integrar novas ferramentas tecnológicas será determinante para garantir maior eficiência operacional sem comprometer a componente humana que caracteriza a hospitalidade”.
Outro desafio passa pela necessidade de “equilibrar o crescimento do setor com uma gestão responsável dos recursos, assegurando a sustentabilidade económica, ambiental e social das operações”.
Quanto ao futuro da hotelaria portuguesa, Rúben Reis da Silva acredita que o setor será marcado pela valorização da experiência, autenticidade e personalização, num contexto em que o conceito de luxo estará cada vez mais associado ao bem-estar, privacidade, tempo e ligação ao território. “O hóspede do futuro será cada vez mais exigente e procurará mais do que uma simples estadia: procurará histórias, ligação ao destino, experiências personalizadas e unidades hoteleiras com uma identidade própria”, conclui.




