Timbre Hotels: a nova marca hoteleira do Porto já tem três projetos no horizonte

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É uma nova marca hoteleira que se estreia no Porto e que já olha para uma próxima fase de crescimento. A Timbre Hotels chega ao mercado com três unidades na cidade Invicta e com um plano de expansão que inclui a abertura de um centro de congressos, um novo aparthotel no Bonfim e um hotel corporate com cerca de 350 quartos. Em entrevista ao TNews, Bruno Oliveira, da direção Executiva e Gestão Financeira, explica a génese da marca, o processo de rebranding dos hotéis existentes e os investimentos que vão marcar os próximos anos.

Integrada no grupo IME – Imóveis e Empreendimentos Hoteleiros, a Timbre Hotels nasce no Porto, assente numa experiência consolidada de mais de uma década na hotelaria. A marca reúne atualmente três unidades – Timbre Virtudes, Timbre Heroísmo e Timbre Boavista – num total de 248 unidades de alojamento, refletindo uma estratégia que aposta na diferenciação dos projetos, na ligação à engenharia e na ambição de crescer para lá do alojamento tradicional.

“A Timbre Hotels é uma marca muito recente, tem cerca de um ano e poucos meses”, começa por contextualizar Bruno Oliveira. A sua criação surge “no seguimento do trabalho que temos feito no mercado”, depois de “mais de dez anos a operar hotéis”. Com o crescimento do grupo, explica, “acabou por ser uma marca ‘guarda-chuva’, que alia as diversas unidades hoteleiras que tínhamos e dá-lhes um propósito maior”.

O core do grupo ajuda a perceber o ADN da nova marca. “Estamos a falar de um grupo com uma estrutura familiar e com base em engenharia que cresceu no ramo hoteleiro. Somos proprietários dos imóveis”, afirma Bruno Oliveira. Essa origem permite acompanhar todo o ciclo dos projetos, “desde a aquisição do terreno à construção e à sua conceção”.

Segundo o responsável, essa transversalidade traduz-se numa vantagem competitiva clara: “O facto de sermos uma empresa que acompanha o processo construtivo, desde a fase em que o edifício ainda está no papel até conseguirmos converter numa realidade, acaba por dar-nos bastantes vantagens no tipo de serviço que prestamos ao cliente”. Acresce ainda o facto de “gerirmos com staff próprio”, o que permite “ter uma visão geral”.

A Timbre Hotels nasce, assim, como “a nossa imagem de marca e a forma como queremos ser reconhecidos no mercado”, sem abdicar dos investimentos imobiliários, que “acabam por ser o nosso fator de diferenciação relativamente ao setor hoteleiro”.

“O facto de sermos uma empresa que acompanha o processo construtivo acaba por dar-nos bastantes vantagens no tipo de serviço que prestamos ao cliente”

Criação da marca Timbre Hotels e rebranding dos hotéis existentes

A decisão de avançar com uma marca própria amadureceu quando o grupo passou a integrar três hotéis. “No fundo, o grupo reconheceu que, a partir do momento em que já estava a gerir três unidades hoteleiras, havia a necessidade de crescer neste sentido, de colocar uma identidade própria – e surgiu a marca Timbre”. Foi no final de 2024 que os três empreendimentos passaram a estar reunidos sob a mesma insígnia.

O nome da marca reflete também uma escolha conceptual. “Hoje em dia não é muito fácil conseguir atribuir e caracterizar uma marca”, reconhece Bruno Oliveira. “O timbre tem uma referência característica que não se consegue muito bem explicar, mas sente-se”, algo que considera que “espelha os nossos hotéis e que traduz o nosso caráter enquanto marca”.

O ponto de partida foi a unidade situada na zona das Virtudes. “Já geríamos hotéis, inclusive até com outras marcas e outros parceiros. Com o arranque do Timbre Virtudes, que foi o nosso primeiro cinco estrelas e um hotel mais diferenciado na cidade do Porto, ficámos capacitados, do nosso ponto de vista, para avançar com uma marca própria”, afirma.

Inaugurado em 2023 como Hotel das Virtudes e integrado posteriormente na Timbre Hotels, a unidade passou por um rebranding, “mantendo as suas características intrínsecas”. Instalado num edifício histórico do século XIV, o hotel resulta “de um trabalho muito minucioso de manutenção e de preservação de tudo o que eram os elementos em pedra”. A intervenção beneficiou das raízes de engenharia do grupo, permitindo criar “uma unidade diferenciada com a tradição e a história do edifício”.

O Timbre Virtudes localiza-se “mesmo em frente ao Centro de Congressos da Alfândega do Porto” e posiciona-se para “um turismo mais de romance, com quartos virados para o detalhe”, afastando-se “do rebuliço urbano e de cidade que temos, por exemplo, com o Timbre Heroísmo”.

Já o Timbre Heroísmo integrou a marca hoteleira após a saída da Eurostars. “O contrato terminou e resolvemos embarcar nesta viagem, avançando com esta marca a título próprio”, indica. Trata-se de um “hotel urbano” vocacionado para o segmento corporate. “É um quatro estrelas com excelentes acessibilidade. Está em frente à estação de metro e tem parque de estacionamento”, características que o posicionam também para o “turismo de city break, que é muito forte no Porto”.

Por fim, o Timbre Boavista, originalmente fundado como Porto City House em 2019, resulta de um conceito distinto. “É um projeto diferenciado de apartamentos turísticos de quatro estrelas”, que em 2024 passaram a integrar a marca Timbre. “É uma aposta muito mais no mercado familiar e nas estadias prolongadas”, com espaços “onde um hóspede se sente mais em casa”.

No conjunto, “acabamos por ter uma gama diferenciada de produtos para os nossos hóspedes”, alinhada com os valores da marca: “uma hospitalidade urbana com uma qualidade superior”, que alia “o conforto contemporâneo à autenticidade e legado histórico” do Porto. “Estamos no início de um percurso que queremos que seja longo, positivo e de sucesso”, sublinha.

“Não gostamos muito de estar parados e estamos sempre com outros projetos na linha do horizonte”

Planos de expansão: três projetos em carteira, com aberturas previstas para 2026 e 2027

Timbre Centro de Congressos

Com três unidades em operação, a Timbre Hotels prepara agora uma fase de expansão. “Não gostamos de estar parados e estamos sempre com outros projetos na linha do horizonte”, afirma Bruno Oliveira.

O projeto mais imediato é o Timbre Centro de Congressos, com abertura prevista para maio de 2026, junto ao Timbre Heroísmo, com ligação pedonal direta à unidade hoteleira. Trata-se da reconversão de um edifício fabril com aproximadamente quatro mil metros quadrados de construção. “Estamos a contar poder receber cerca de 600 pessoas num espaço completamente equipado”, explica, integrando salas de apoio e uma área complementar, destinada para exposições ou restauração, com capacidade para servir refeições a cerca de 500 pessoas.

Com um investimento de cerca de seis milhões de euros, o Timbre Centro de Congressos é, “no panorama de 2026, o nosso momento-chave de abertura, sendo um projeto que não é particularmente comum no Porto”. Segundo o responsável, “Lisboa está muito mais adaptada [para o segmento MICE], também porque tem um mercado muito mais favorável para isso”, enquanto “o Porto está a dar os primeiros passos”.

Em paralelo, está em construção o Timbre Bonfim, um aparthotel com cerca de 40 unidades de alojamento. Localizado na zona oriental do Porto, terá receção 24 horas, bar e lounge, e um espaço de coworking. “Vai ser um projeto diferente dos anteriores, como todos, muito mais orientado para o público jovem”, com aposta “no turismo de negócios, nas estadias mais regulares e eventualmente nos nómadas digitais”. O investimento ronda os 10 a 11 milhões de euros, com abertura “seguramente” prevista para o primeiro semestre de 2027.

Timbre Bonfim

A unidade de maior dimensão surge associada ao mesmo complexo do Timbre Heroísmo e do centro de congressos. Num terreno com cerca de 30 mil metros quadrados, está a ser projetado um hotel “virado 100% para o segmento corporate, com cerca de 350 quartos. “É um projeto de dimensão substancial”, ainda sem calendário ou valor de investimento definidos, mas assumido como um “elo de ligação entre os empreendimentos em redor”.

Apesar do foco no Porto, a marca não exclui outros destinos ou estratégias de investimento. “Não pomos fora de hipótese adotarmos uma outra política e avançarmos para outras localizações, eventualmente não construindo, mas arrendando ou tendo um outro modelo de negócios”, revela.

“A cidade de Lisboa poderá ser uma oportunidade que será um passo desafiante e que está no nosso horizonte”, admite Bruno Oliveira, ainda que “não no curto prazo, mas a médio prazo”, mantendo “sempre preferência por hotéis citadinos”.

“Já tivemos propostas e até a possibilidade de enveredar por empreendimentos em Lisboa, mas não surgiu nenhuma opção que fosse irrecusável pela nossa parte. Não é algo que seja uma prioridade absoluta, mas se a possibilidade for interessante para nós, teremos todo o gosto em abraçar esse projeto”, acrescenta.

“A cidade de Lisboa poderá ser uma oportunidade que será um passo desafiante e que está no nosso horizonte, não no curto prazo, mas a médio prazo”

Balanço de 2025 e perspetivas para 2026

O ano de 2025 marcou o primeiro exercício completo da Timbre Hotels enquanto marca. “Foi o primeiro ano completo, em que tivemos a noção do que correu bem e do que correu mal, e fazemos um balanço positivo”, afirma Bruno Oliveira, reconhecendo que “o arranque de uma marca nunca é um momento simples e linear”.

Os resultados superaram as expectativas, com destaque para o aumento do preço médio. “As ocupações mantiveram-se mais ou menos estagnadas”, num reflexo do mercado do Porto, e verificou-se ainda “um bom desempenho nos canais diretos, o que naturalmente mostra que é uma ação positiva da marca”. Relativamente à faturação global, a Timbre Hotels registou um crescimento “na ordem dos 3,5% a 4%” em 2025.

Em termos de mercados, o Timbre Virtudes, de cinco estrelas, apresenta um peso maior do cliente internacional, com destaque para América do Norte (Estados Unidos e Canadá), Brasil e França. Nas unidades de quatro estrelas, o mix é mais equilibrado, com relevância do mercado nacional, espanhol, francês e alemão.

Para 2026, a prioridade passa pela consolidação da marca e pelo lançamento do centro de congressos, que “vai ser um fator determinante para este ano”, afirma Bruno Oliveira, sublinhando que se trata de “um crescimento para o lado”, capaz de potenciar os hotéis existentes e o grupo como um todo.

Com um ADN fortemente ligado à engenharia, a Timbre Hotels olha para o futuro com ambição e abertura a novos modelos, incluindo “projetos entre habitação e hotelaria”, sempre ancorados na capacidade construtiva do grupo e na diferenciação dos seus empreendimentos. 

“Não nos vemos como um grupo meramente hoteleiro, mas como um grupo dentro da área da hotelaria que se consegue expandir e assumir várias capacidades”, conclui.

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