Quinta-feira, Fevereiro 22, 2024
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Transportes turísticos: Três histórias de superação e regresso ao trabalho

À semelhança de outros setores do turismo, as empresas de transportes turísticos viram radicalmente a sua atividade alterada com a pandemia. Há um ano e meio que o setor dos transportes está praticamente parado, depois de anos de crescimento e constante atividade. Três profissionais contam como estão a ultrapassar o período da pandemia e a regressar ao trabalho.

Jorge Salvador Nogueira, Travel Guide

“O negócio do futuro é manter o cliente satisfeito, muito mais do que fazer novos clientes”

Como foi o primeiro confinamento, em março de 2020, quando o país praticamente teve de ficar todo em casa?

No início de 2020, tínhamos como estratégia empresarial aumentar, por fases, a internacionalização da empresa, na vertente incoming, mas não só. Os indicadores da atividade apontavam para o crescimento do mercado. Quando visitamos a Fitur, em Janeiro de 2020, ficamos hesitantes com o panorama que sentimos, especialmente nos asiáticos. As notícias de dezembro de 2019, da China, já eram preocupantes. Visitámos um a um todos os stands e estranhamos que portugueses e espanhóis, na volta, não tenham falado nada do que estava a sentir. Não fizemos “como a avestruz” e projetamos de forma cuidada os anos de 2020/2021 e 2022. Recordo que, na altura, perspetivávamos uma paragem para retoma em 2023, a correr mal. Grandes propostas/relatórios da altura (ex.TAP) apontavam para níveis iguais aos de 2019 para 2025.  Naturalmente, ficámos preocupados sem dúvida. Mas quando em março estagnamos, já tínhamos delineado uma estratégia alternativa dentro da empresa voltada para uma atividade paralela, para que não estagnasse o funcionamento da empresa. Acertamos estratégias à medida que o Governo foi gerindo a pandemia mas sempre com permanente atenção evolutiva ao mercado e aos nossos clientes. O foco era o nosso cliente. Como oportunidade à ameaça dos tempos que se avizinhavam, encontramos alternativas de manter a empresa a funcionar na perspetiva de rentabilidade dos RH. Foi um mal menor mas que resultou com a concordância de todos os colaboradores.    

Apostámos em parcerias seletivas, onde todos participam com ganhos. A aposta no digital é o futuro, já. Não deixaremos de olhar os nossos clientes com olhos de ver e acima de tudo adaptar a estratégia de Marketing 5.0..

Os vossos colaboradores ficaram em lay off ou em teletrabalho?

Na verdade, esse seria o caminho mais fácil. Somos empreendedores, responsáveis e criativos e apostamos na co-criação de mercados. Ganhamos mercado, em função da satisfação que mantemos dos nossos consumidores. Adotamos uma estratégia de marketing sólida, de relacionamento, apostando em marketing de afiliados, mantendo os nossos clientes próximos e informados. O negócio do futuro é manter o cliente satisfeito, muito mais do que fazer novos clientes.  Estagnar, totalmente, seria suicídio, até porque sabemos que o nosso país não é rico para pagar indeterminadamente salários e subvenções. A Travel Guide registou a marca, afinou o digital, está a redefinir o site atualmente e teve sempre os seus colaboradores em contacto com os clientes e fornecedores. Não sentimos muito, porque uma equipa de 12 colaboradores só está satisfeita se a administração tiver forma de os manter motivados. As parcerias que promovemos em 2020, resolveram essa questão para bem de todos. Ficaram parcerias para a vida e, em 2022, apresentaremos alternativas interessantes ao mercado.        

Já regressaram ao trabalho? Qual foi a sensação de estar de volta?

Estiveram sempre ocupados. Promovemos cursos on-line, de interesse para a atividade dos colaboradores e que os mantiveram atentos e em contacto com os clientes. Esta foi a estratégia. No que diz respeito ao regresso, é positivo, ver a luz ao fundo do túnel. Como estratégia assumimos variadas vertentes em que os 12 colaboradores estiveram permanentemente ativos e sem tempo para se acomodarem a teletrabalho e/ou “tempos mortos”. A seletividade com que encaramos esta terrível pandemia deixou-nos mais fortes e atentos ao investimento para os próximos anos.  

O que é vai ser mais difícil implementar nas rotinas quando regressar uma certa normalidade?

Sabemos que, se quebrássemos as rotinas, iria ser mais difícil. Na verdade, nunca acreditámos que 2021 seria o ano, mas acreditamos que 2022 pode ser o “ano zero” em que podemos ter rentabilidade se não aumentarmos custos organizacionais. Na minha opinião, todos podem ganhar mercado se nos unirmos em função da “atividade do turismo”, de outra forma será mais difícil. Estou a contactar novas parcerias, em turismo, de atividades díspares para estabelecermos rotas de entendimento para os próximos três anos. Na minha opinião,  turismo é um conjunto, alargado, de atividades e experiências realizadas por indivíduos, durante as viagens e estadias em lugares diferenciados daqueles onde costumam estar, por um período de tempo inferior a um ano.  Quando nas reuniões diárias dizemos aos colaboradores que o turismo é uma atividade fulcral para as economias dos países, regiões ou cidades, os nossos colaboradores entendem e sentem que esta é a sua atividade. Em 2021, com todas as adversidades, julgamos que o fator diferenciação e equilíbrio iremos, de certeza, conseguir fechar uma viagem que já dura há 16 meses. Em resumo, empreender será o desafio da nova realidade e os Estados, especialmente a EU, deveria avançar para a criação de um Quadro Comunitário de apoio especifico para o Turismo dos Estados. Nada será como dantes.

Jorge Nogueira, Iberobus

“Conseguimos manter a equipa e não despedimos ninguém”

Como o foi o primeiro confinamento, em março de 2020, quando o país praticamente teve de ficar todo em casa e as empresas recorreram ao layoff?

Os meses de janeiro e fevereiro de 2020 estavam a correr muito bem, já tínhamos dado mais orçamentos do que no período homólogo do ano anterior e até estávamos a ter dificuldades no recrutamento de motoristas.

Depois foram cancelamentos atrás cancelamentos e três meses de inatividade total. Paramos em março quase de imediato. O resto do ano trabalhamos a cerca de 20%. Felizmente tínhamos uma almofada financeira que nos permitiu aguentar. Já há muitos anos que não tínhamos um resultado liquido negativo.

Os vossos colaboradores estão em lay off ou em teletrabalho?

Conseguimos manter a equipa e não despedimos ninguém. Dadas as especificidades da nossa atividade não temos ninguém em teletrabalho. Começamos a fazer mensalmente reuniões via videoconferência com os colaboradores. Quanto a apoios, recorremos ao apoio À retoma progressiva, mas o mesmo é insuficiente.

O segundo confinamento em janeiro acabou por ser mais penoso que o primeiro?

No segundo confinamento não parámos, embora o trabalho fosse residual.

Já regressaram ao trabalho na Iberobus? Qual foi a sensação de estar de volta?

A sensação de estar de volta é boa, os motoristas já estavam fartos de estar em casa. Mas só estamos a trabalhar a 20%. Tem havido avanços e recuos. A trabalhar na totalidade só em 2023 ou 2024.

Que grandes diferenças nota ainda da rotina do trabalho pré-pandemia para agora?

Antes da pandemia, já tínhamos boas práticas de limpeza das viaturas e já tínhamos a máquina de ozono para fazer a higienização. Depois da pandemia houve um reforço destas práticas.

Bruno Vilas Boas, Santiagotur

“A sensação de regresso é boa, mas muito mais desgastante dadas todas as regras e restrições”

Como o foi o primeiro confinamento, em março de 2020, quando o país praticamente teve de ficar todo em casa e as empresas recorreram ao layoff?

Foi um verdadeiro pesadelo. A empresa estava a trabalhar a 100% e com perspetivas muito positivas para o ano de 2020 e, de repent, tudo para, as pessoas confinam e o mundo parecia desmoronar…. Recorremos ao lay off , era a única solução possível para manter os postos de trabalho.

Pararam de trabalhar de imediato?

Parar de trabalhar foi imediato, sim! Foi um período terrivelmente difícil, com todas as incertezas que nos assombravam, ficar sem clientes e sem operação foi verdadeiramente assustador. Previa-se um ano muitíssimo bom para o setor e o que se viu e como se viu foi desastroso

Como está a ser manter os colaboradores em casa em lay off ou em teletrabalho e ao mesmo tempo estabelecerem contacto entre a equipa?

Manter os colaboradores em casa tem sido um esforço brutal para a empresa, apesar das ajudas do Estado. Não são suficientes. Os contactos com as equipas são os contactos normais, tivemos todos que nos adaptar.

Já regressaram ao trabalho? Qual foi a sensação de estar de volta?

Estamos a regressar aos poucos e ao sabor das regras e restrições que nos são impostas. A sensação de regresso é boa, mas muito mais desgastante dadas todas as regras e restrições que nos são impostas e também todas as incertezas que vivemos

 O que é vai ser mais difícil implementar nas rotinas quando regressar uma certa normalidade?

O mais difícil e desafiante a implementar é a confiança das pessoas… regras diferentes em todos os países não ajuda de certeza ao regresso  a uma certa normalidade.

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