O crescimento da atividade turística em Portugal voltou a dar sinais de abrandamento em fevereiro de 2026, ainda que os principais indicadores se mantenham em terreno positivo, segundo os dados divulgados pelo Instituto Nacional de Estatística (INE).
De acordo com as Estatísticas Rápidas do INE, o setor do alojamento turístico registou 1,8 milhões de hóspedes (+0,8%) e 4,2 milhões de dormidas (+1,3%) no segundo mês do ano.
Apesar da evolução positiva, os números confirmam uma desaceleração face a janeiro, refletindo um ritmo de crescimento mais moderado tanto na procura interna como externa.
O desempenho das dormidas foi sustentado sobretudo pelo mercado nacional, com as dormidas de residentes a crescerem 3,2%, atingindo 1,4 milhões. Já os mercados internacionais registaram um aumento mais tímido, com as dormidas de não residentes a subirem apenas 0,4%, totalizando 2,8 milhões.
Entre os principais mercados emissores, o destaque vai para o Brasil, que apresentou o crescimento mais expressivo (+29,6%). Em sentido contrário, o mercado francês registou a maior quebra (-16,7%).
Receitas mantêm trajetória de crescimento
Em contraste com o abrandamento da procura, os indicadores financeiros continuam a evoluir de forma positiva. Em fevereiro, os proveitos totais atingiram 299,4 milhões de euros (+4,3%), enquanto os proveitos de aposento somaram 216,7 milhões de euros (+4,0%).
Também os indicadores de rentabilidade apresentaram crescimento, ainda que moderado: o RevPAR fixou-se nos 39,7 euros (+0,2%) e o ADR atingiu 89,6 euros (+2,5%).
Os dados do INE revelam ainda uma diminuição das taxas de ocupação pelo sétimo mês consecutivo. A taxa de ocupação-cama fixou-se em 34,9% (-0,6 pontos percentuais) e a ocupação-quarto em 44,3% (-1,0 p.p.).
O instituto alerta que os resultados de fevereiro poderão ter sido influenciados por fatores conjunturais, nomeadamente o efeito do calendário móvel do Carnaval e as condições meteorológicas adversas registadas no início do ano.
Aliás, nos municípios afetados por fenómenos meteorológicos extremos, as dormidas registaram uma quebra de 1,8%, contrastando com o crescimento observado no restante território.
Em termos regionais, o Alentejo (+4,2%) e o Norte (+3,4%) destacaram-se como as regiões com maior crescimento das dormidas. Já a Região Autónoma dos Açores (-3,4%) e o Centro (-1,9%) registaram os decréscimos mais acentuados.
A Grande Lisboa, o Algarve e o Norte concentraram, em conjunto, mais de 65% do total de dormidas.



