Sexta-feira, Abril 17, 2026
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Turismo abranda no 3.º trimestre e peso dos mercados externos cai para nível mais baixo desde 2022

A atividade turística voltou a crescer no terceiro trimestre de 2025, mas com sinais de abrandamento, segundo os dados divulgados esta segunda-feira, 17, pelo Instituto Nacional de Estatística (INE).

Entre julho e setembro, os estabelecimentos de alojamento turístico receberam 10,5 milhões de hóspedes, que geraram 28,6 milhões de dormidas, correspondendo a aumentos de 2,2% e 2,0%, respetivamente, variações inferiores às do trimestre anterior. Os proveitos totais atingiram 2,7 mil milhões de euros, mais 7,4% do que no mesmo período de 2024, enquanto os proveitos de aposento subiram 6,9% para 2,2 mil milhões de euros. Ao mesmo tempo, a dependência dos mercados externos desceu para 67,8% do total das dormidas, o valor mais baixo dos últimos três anos.

As dormidas de residentes voltaram a dar o maior impulso ao setor, crescendo 5,5% para 9,2 milhões, ao passo que as dormidas de não residentes aumentaram apenas 0,3%, totalizando 19,4 milhões. Este é já o quarto trimestre consecutivo em que o ritmo de crescimento é mais forte entre os turistas nacionais do que entre os estrangeiros. O Algarve manteve-se como a principal região turística do país, concentrando 29,8% das dormidas, seguido da Grande Lisboa, com 20,6%, e do Norte, com 17,5%. No entanto, foi na Grande Lisboa que se verificou a maior dependência do turismo internacional, com 83,2% das dormidas a serem realizadas por não residentes, seguida da Madeira e dos Açores. Em sentido inverso, o Alentejo e o Centro foram as regiões menos dependentes dos mercados externos.

No que diz respeito aos mercados emissores, o Reino Unido manteve a liderança entre os estrangeiros, representando 17,9% das dormidas de não residentes, apesar de um recuo de 2,3%. Espanha, segundo principal mercado, caiu 6,9%, enquanto a Alemanha registou um aumento de 2,5%. Entre os dez maiores mercados externos, os Estados Unidos destacaram-se com a maior subida, de 6,7%, seguindo-se o Canadá, com uma variação de 3,7%. Em cinco regiões, incluindo Centro, Oeste e Vale do Tejo, Alentejo, Península de Setúbal e Norte, Espanha foi mesmo o principal mercado externo. Já no Algarve, o destaque continua a caber ao Reino Unido, responsável por 38,5% das dormidas de estrangeiros, enquanto nos Açores e em Lisboa predominam os turistas norte-americanos.

O RevPAR atingiu 106,5 euros no trimestre, mais 4,1%, enquanto o ADR subiu 4,4% para 151,3 euros, ambos com crescimentos mais moderados face ao trimestre anterior. O Algarve registou os valores mais elevados de ambos os indicadores, tanto no rendimento por quarto disponível como no rendimento por quarto ocupado, embora fosse na Madeira que se verificaram os maiores aumentos percentuais. No conjunto dos primeiros nove meses do ano, o setor somou 25,3 milhões de hóspedes e 65 milhões de dormidas, com os proveitos totais a ultrapassarem os 5,7 mil milhões de euros, correspondendo a um crescimento de 7,6%.

A nível municipal, Lisboa manteve-se como o principal destino turístico, concentrando 16,3% das dormidas nacionais e registando uma subida de 2,7%. O Porto reforçou também a tendência de crescimento, com mais 5% de dormidas. Já Albufeira, o segundo município mais relevante, registou uma quebra de 1,5%, sobretudo devido à redução das dormidas de residentes. O Funchal destacou-se pelo aumento expressivo do turismo interno, com um salto de 61% nas dormidas de residentes. O documento revela ainda que a remuneração média bruta mensal dos trabalhadores das atividades de alojamento aumentou 5,9%, fixando-se nos 1 338 euros, embora continue abaixo da média da economia.

No conjunto da generalidade dos meios de alojamento — que inclui campismo e pousadas da juventude — registaram-se 11,6 milhões de hóspedes e 32,7 milhões de dormidas no trimestre, correspondendo a crescimentos de 1,3% e 1,0%. Nos parques de campismo e nas colónias de férias, porém, as dormidas diminuíram, refletindo um desempenho menos favorável destes segmentos.

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