Sábado, Março 7, 2026
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Turismo Circular: A Transformação que o planeta precisa (e nós também)

A omnipresença do pregão “sustentabilidade”, nesta entrada do século XXI, é inegável. Por todos os negócios, irrompem o “verde”, o “bio”, o “eco”, o “sustentável” e todos os prefixos e adjectivos seus semelhantes. Ao ser uma das economias globais mais robustas do nosso tempo, o Turismo tem uma influência vital neste caldeirão de boas intenções ambientais. Contudo, apesar de parecer que a bandeira do turismo sustentável se multiplica por esse mundo fora, na realidade, o sector de Turismo e Viagens ainda não abraçou a economia circular com a coragem e a estratégia necessárias para uma transição significativa do modelo linear para o circular.

Recuemos uns curtos (ou longos, conforme o sentimento individual) 24 meses atrás, à era pré-pandémica, e lembremo-nos da turistificação massiva que ruía as infraestruturas do bom-senso, sobretudo, no Porto e em Lisboa. Excesso, crescimento desenfreado, planificação com miopia a médio e longo prazo, tudo sintomas e anomalias do paradigma linear “tira, usa e deita fora” que obedece a uma lógica mercantil de mais de 150 anos, descolada das necessidades do século XXI.

Aos poucos e a diferentes velocidades, estamos a sair do estado pandémico e, com alegria, observamos os diferentes sectores a recuperarem o controlo do seu leme. Neste regresso, o turismo de massas continuará a existir de forma predatória para os ecossistemas sociais, económicos e ambientais, se não for travado pelo Turismo Circular.

Do linear ao circular, há uma distância de verdadeiro compromisso
O turismo é uma experiência imaterial que tanto serve o crescer individual e a expansão do conhecimento sobre o Outro como o hedonismo do puro lazer e conforto. Seja qual for a roupagem, a experiência turística acontece pela interdependência de diversos sectores ligados à mobilidade, alimentação, bens de consumo, construção e gestão de resíduos, ou seja, tudo o que diz respeito às necessidades vitais do nosso viver, mas na versão de lazer. Ora, todo este complexo ecossistema alimenta-se de energia, recursos minerais, vegetais ou agrícolas, capital social e infraestruturas, para servir as especificidades da indústria e o que tem acontecido, até à data, é o modelo económico predominante ainda ser o linear. E conhecemos bem os seus resultados nocivos, não é verdade? Desde emissões elevadas de Gases de Efeito de Estufa (GEE), à degradação da biosfera, passando pela dramática gentrificação nos centros urbanos e esvaziamento da identidade cultural das regiões, a prática de tirar sem repor ou renovar ultrapassa os limites sustentáveis da Terra e da nossa sociedade.

Apesar da economia circular já ser presença regular à mesa dos decisores políticos e entidades governamentais e estar implícita na maioria dos 17 Objectivos de Desenvolvimento Sustentável, da Agenda 2030, assinada pela Organização das Nações Unidas, no sector do Turismo ainda paira como um conceito mais do que com uma realidade instalada. Mas, “Roma e Pavia não se fizeram num dia”, diz-nos o ditado, e o Turismo Circular pode ser a resposta para uma transformação sustentável e positiva, ao representar uma das indústrias mais prolíficas do mercado, com mais de 10% do PIB mundial, e por encerrar em si múltiplos sectores da sociedade.

O caminho para tornar o Turismo mais circular
Os verbos “restaurar” e “regenerar” inspiram o movimento do Turismo Circular que, na sua produção e no seu consumo, busca soluções autossuficientes que oferecem uma vantagem competitiva no mercado, ao haver cada vez mais procura por experiências enquadradas numa ética eco.

Para materializar este paradigma, promissor para o planeta e para os negócios, é importante seguir quatro ideias basilares: a colaboração e a cocriação de valor entre os vários sectores; a formação dos funcionários sobre conceitos e práticas verdes; a comunicação aberta entre quem recebe e os visitantes de forma que todos se envolvam e contribuam para as mesmas boas práticas com um bonito sentido de compromisso.

Por Rodrigo Oliveira

É diretor geral e fundador da Zyrgon Network Group, agência de marketing e comunicação digital

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