Domingo, Março 15, 2026
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Turismo da Polónia confiante no regresso das viagens em breve: “O mais importante agora é a paz”


A invasão da Rússia à Ucrânia tem provocado a fuga de milhões de ucranianos para os países vizinhos da Europa, sendo a Polónia o país que até agora mais refugiados recebeu. Com um conflito armado no país ao lado, a prioridade da Polónia tem sido receber quem foge da guerra. Outras dimensões, nomeadamente económicas como o turismo, aparecem agora em segundo plano.

O Turismo da Polónia sabe que será impossível atingir os números turísticos antes da pandemia, mas isso não é agora “o mais importante”, o mais importante “é a paz”, frisa a diretora da Oficina Nacional de Turismo de Polónia para Espanha e Portugal, Agata Witoslawska, que está em Portugal para participar na Bolsa de Turismo de Lisboa. Esta terça-feira, dia 15, num encontro com a imprensa portuguesa, a responsável apelidou este momento de “difícil”, mas espera que, num futuro próximo, “possamos voltar a fazer o que mais gostamos: promover a Polónia em Portugal”.

“Estamos felizes de voltar a esta feira. Há três semanas não sabíamos que a situação ia ser tão difícil, mas nem pensámos em cancelar a nossa participação na BTL, porque temos de investir no futuro e esperamos que seja um futuro próximo. Viajar significa também negócio, e ambos os países têm de fazer negócios”, afirmou a responsável.

Com a equipa baseada em Madrid, a Oficina Nacional de Turismo de Polónia para Espanha e Portugal conta com a Embaixada em Portugal e a agência Jervis Pereira para desenvolver ações de promoção no nosso país. Antes da pandemia, o mercado português estava a crescer, com a responsável a reforçar que “temos de promover e cooperar mais”.

Antes da pandemia, a Polónia recebeu 65 mil turistas de Portugal (que pernoitaram pelo menos uma noite), mas o número de visitantes é maior. “Muitos visitantes portugueses pernoitam em apartamentos turísticos e esses números não entram nas estatísticas oficiais do turismo da Polónia”, explicou a responsável. O investimento português em outras áreas da economia leva a que muitos portugueses visitem o país em negócios ou por causa do programa Erasmus. Agata Witoslawska revela que o perfil de turistas portugueses alterou-se na última década. “Os portugueses viajavam para a Polónia sobretudo por causa do papa João Paulo II, mais isso começou a mudar”.

Apesar da dificuldade do momento, Agata Witoslawska quis deixar uma mensagem de esperança: “O turismo recupera sempre, porque as pessoas querem sentir-se livres, querem viajar, conhecer outros locais, outras pessoas e culturas. Digamos que esta é a beleza do Turismo em qualquer lugar”, acrescentou.

As estimativas de quantos turistas visitarão o país este ano são difíceis de calcular nesta altura, mas Agata Witoslawska acredita que “assim que o conflito acabar, os europeus vão voltar a viajar”. As ligações aéreas diretas de Portugal para a Polónia, mantém-se, sublinha a responsável, mas os portugueses que estão a viajar agora para a Polónia fazem-no por razões humanitárias.

“Queremos alcançar os números antes da pandemia, mas agora não é possível, refere a responsável, que quis ainda deixar de que, quando a guerra acabar, os europeus devem manter-se solidários, e isso aplica-se também às viagens.

“Os meios de comunicação em Portugal falam muito sobre a solidariedade do povo polaco, temos de pensar na solidariedade a um nível europeu, quando o conflito terminar. Essa solidariedade tem de permanecer depois do conflito”, refere, anuindo à possibilidade dos europeus viajarem dentro da Europa, depois do conflito. No entanto, Agata Witoslawska reconhece que outros fatores impactarão as viagens, com a inflação. Ainda assim, sublinha que “temos de pensar na solidariedade a um nível europeu. Em ambos os sentidos. Passo a passo, devagar temos de reconstruir as viagens”.

Agata Witoslawska fez questão de sublinhar que “os números não são tão importantes neste momento, o mais importante é ter paz, não só na Europa, em todo o mundo, a paz é o mais importante. As pessoas têm de se sentirem seguras para viajar e a economia tem de melhorar”.

Este encontro com a imprensa, que decorreu um dia antes da Bolsa de Turismo de Lisboa começar, contou com uma apresentação do destino, através da qual se reforçaram as atrações culturais da Polónia, que podem ser visitadas nas cidades de Varsóvia e Cracóvia. O país tem, no total, 17 monumentos classificados com Património Mundial da UNESCO, mas a cultura não é a única atração do país, que se apresenta também como destino de natureza. Ficou também o convite para a visita a cidades emblemáticas, mas menos conhecidas dos turistas portugueses, como Gdansk, Wroclaw e Poznan.

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