A European Travel Commission (ETC) divulgou esta quinta-feira o seu relatório do terceiro trimestre de 2025, onde confirma a resiliência do turismo europeu num contexto de preços elevados, ondas de calor e mudanças nos hábitos de consumo. A forte procura no verão, aliada ao uso crescente de tecnologias como a IA no planeamento de viagens, sustenta um crescimento previsto de 9,9% nos gastos dos viajantes na Europa até ao final do ano.
Segundo a ETC, as chegadas internacionais à Europa aumentaram 3% face ao ano anterior, enquanto as dormidas cresceram 2,7%. Apesar dos custos de viagem continuarem altos, a inflação dos serviços turísticos está a abrandar e os viajantes continuam a dar prioridade às férias nos seus orçamentos familiares.
Em 2025, as despesas com viagens deverão representar 3,1% do total dos gastos dos consumidores europeus, ultrapassando não só a quota de 2024, como também a média de 2010 a 2019. A ETC antecipa que o total das despesas dos visitantes cresça 9,9% este ano, “sublinhando o fascínio duradouro da Europa e a resiliência da procura dos consumidores”.
Destinos europeus mostram resiliência após verão exigente
Entre os 34 destinos analisados pela ETC, 30 registaram aumentos nas chegadas e/ou estadias em comparação com o ano passado. No Mediterrâneo, Malta (+12%), Chipre (+10%), Espanha (+4%) e Portugal (+2%) destacaram-se, com as viagens de sol e praia a representarem, mais uma vez, o “principal fator de desempenho”.
No Norte da Europa, o interesse manteve-se robusto: a Noruega (+14%) e a Islândia (+3%) atraíram visitantes em busca de natureza e temperaturas mais amenas, enquanto a Finlândia (+14%), Letónia (+7%) e Estónia (+4%) também registaram desempenhos positivos. A Polónia (+13%) e a Hungria (+9%) consolidaram-se como destinos competitivos em termos de preço.
No entanto, verificaram-se ligeiras quebras na Alemanha (-2%), após o torneio de futebol do Europeu do ano passado, e na Turquia (-1%), devido ao aumento dos custos. Ainda assim, em geral, “estes resultados destacam a resiliência e a diversidade regional do panorama turístico europeu”, aponta a ETC.
Novas tendências dos viajantes: época baixa e planeamento com IA
Durante este verão, as ondas de calor recorde e as restrições de capacidade voltaram a afetar muitos viajantes e foram temas dominantes nas conversas online sobre viagens na Europa.
De acordo com o relatório, cerca de 28% dos viajantes dos oito principais mercados emissores ponderam alterar as suas datas de férias para outros meses nos próximos dois anos. A motivação passa por evitar multidões, poupar dinheiro e escapar às temperaturas excessivas.
Além disto, a tecnologia está a assumir um papel cada vez mais central nos hábitos dos consumidores. O uso de ferramentas de inteligência artificial no planeamento de viagens quase duplicou — de 10% em 2024 para 18% em 2025 — impulsionado sobretudo pela Geração Z e pelos Millennials.
A IA é cada vez mais utilizada pelos viajantes não só para encontrar melhores ofertas, mas também para planear viagens fora dos meses de época alta e evitar destinos sobrelotados, indica a ETC. A adoção é especialmente elevada na China (40%), seguida dos EUA (27%).
A integração de assistentes com IA por agências de viagens online (OTAs) promete expandir ainda mais este comportamento. “Para os destinos turísticos, a IA apresenta novas oportunidades para chegar ao público mais jovem, promover viagens na época baixa e oferecer experiências mais personalizadas aos visitantes”, sublinha o estudo.
Valor e acessibilidade continuam a moldar as escolhas dos viajantes
A relação custo-benefício continua a ser um fator determinante na escolha de destinos na Europa. Apesar do abrandamento da inflação nos serviços turísticos, os preços permanecem significativamente acima dos níveis pré-pandemia.
Este cenário tem intensificado a concorrência entre destinos e levado muitos viajantes a procurar alternativas mais acessíveis que ofereçam experiências semelhantes. Países da Europa Central e Oriental — como a Polónia, Hungria e Eslovénia — estão entre os principais beneficiários desta tendência, atraindo visitantes motivados tanto pela qualidade como pela acessibilidade.
Mercados de longa distância recuperam, com destaque para a Ásia
As viagens de longa distância para a Europa estão a ganhar força. O Japão aumentou em 24% as chegadas ao continente, impulsionado por melhor conectividade aérea e pela valorização do iene. Já a China registou um crescimento de 21%, com os viajantes mais jovens a ganharem um papel relevante nas viagens internacionais chinesas. Ainda assim, ambos os mercados continuam abaixo dos níveis pré-pandemia para mais de três quartos dos destinos que participaram no relatório da ETC.
Em contraste, os EUA mantêm-se como um pilar da procura internacional, com um crescimento de 5% face ao ano anterior e um nível de viagens que já supera em 35% os números pré-pandemia. No entanto, potenciais perturbações associadas à política comercial norte-americana surgem como um dos principais riscos para os fluxos turísticos futuros nos próximos anos, segundo o mais recente inquérito global da Oxford Economics.
Apesar da desaceleração da economia global, a previsão para 2026 mantém-se positiva: a Europa deverá registar um aumento de 6,8% nas chegadas internacionais, impulsionado sobretudo pela recuperação contínua dos mercados de longa distância, especialmente na região Ásia-Pacífico.






