O turismo internacional registou cerca de 690 milhões de chegadas entre janeiro e junho de 2026, mais três milhões do que no mesmo período do ano passado, o equivalente a um crescimento de 0,4%. Perante o impacto do conflito no Médio Oriente e a persistência da inflação, a ONU Turismo reviu em baixa as perspetivas para o conjunto do ano, passando a antecipar um crescimento entre 1% e 2%, abaixo dos 3% a 4% previstos em janeiro.
De acordo com a mais recente edição do World Tourism Barometer, as chegadas internacionais aumentaram 2% no primeiro trimestre, mas recuaram 1% no segundo. Em abril, a queda atingiu 3%, resultado que a organização atribui, em grande parte, ao efeito de calendário da Páscoa, que este ano começou em março, e às consequências do conflito no Médio Oriente.
“O turismo não parou de crescer, mas esse crescimento é frágil”, afirma Shaikha Al Nuwais, secretária-geral da ONU Turismo, considerando que os dados mostram “um setor a absorver uma pressão real e a encontrar uma forma de avançar”. Segundo a responsável, a situação no Médio Oriente afetou destinos “muito para além da própria região”, evidenciando a interdependência do setor turístico.
Em junho, as chegadas internacionais diminuíram 3% a nível mundial. A Europa Ocidental registou uma quebra de 6%, parcialmente associada pela organização a uma vaga de calor em alguns destinos, enquanto o Sudeste Asiático recebeu menos 5% de turistas, num contexto de menor procura proveniente dos mercados asiáticos, tensões geopolíticas, perturbações nas ligações aéreas através do Médio Oriente e aumento dos custos das viagens.
Médio Oriente recua 22%, enquanto Europa cresce 3%
O Médio Oriente apresentou a maior quebra regional no primeiro semestre, com as chegadas internacionais a diminuírem 22% em termos homólogos, refletindo o impacto direto do conflito. A ONU Turismo indica, contudo, que as perturbações no tráfego aéreo começaram a diminuir gradualmente em maio e junho, após o anúncio de um cessar-fogo, permitindo a reabertura de algumas rotas e uma recuperação desigual da confiança dos consumidores.
Em sentido contrário, África registou um crescimento de 4% nas chegadas internacionais durante os primeiros seis meses do ano, enquanto a Europa avançou 3% e as Américas 2%, embora com desempenhos distintos entre sub-regiões.
Na Ásia e Pacífico, as chegadas aumentaram 1% face ao primeiro semestre de 2025, permanecendo, porém, 11% abaixo dos níveis de 2019. A organização associa este desempenho às perturbações na conectividade aérea, às tarifas mais elevadas e à incerteza que afetou a procura intrarregional. O Nordeste Asiático cresceu 3%, enquanto o Sul da Ásia recuou 5% e o Sudeste Asiático 1%.
Para o restante ano, a organização antecipa que a evolução do turismo internacional continuará dependente da duração do conflito e dos seus efeitos sobre os preços do petróleo e a inflação. Neste contexto, a ONU Turismo prevê que os viajantes continuem a procurar uma melhor relação qualidade-preço e optem, com maior frequência, por viagens domésticas ou para destinos mais próximos.




