“Um HEA depois”: Bruno Sousa e o desafio de aproximar o ensino às necessidades do turismo

-PUB-spot_img

O TNews, media partner dos Hospitality Education Awards (HEA), inicia em parceria com a Fórum Turismo, organizadora da iniciativa, a rubrica “Um HEA depois”, um ciclo de entrevistas que dá voz aos vencedores da edição de 2025 dos prémios e acompanha o impacto do reconhecimento nas suas carreiras e projetos.

Um ano após conquistar o Hospitality Education Award na categoria de Melhor Carreira de Docente no Ensino Superior, Bruno Sousa, diretor da Escola Superior de Hotelaria e Turismo (ESHT) do Politécnico do Cávado e Ave (IPCA), reflete sobre os desafios da formação turística, a importância da inovação pedagógica e a necessidade de aproximar cada vez mais a academia da realidade do setor.

Um ano depois de receber o Hospitality Education Award, o que mudou na sua vida profissional ou no projeto distinguido?

Profissionalmente, gostaria de destacar que passei a assumir, com orgulho e responsabilidade, o cargo de Diretor da Escola Superior de Hotelaria e Turismo (ESHT) do Politécnico do Cávado e Ave (IPCA) desde o final de 2025.

De que forma o reconhecimento do HEA contribuiu para a visibilidade do seu trabalho junto da comunidade académica, profissional ou institucional?

O reconhecimento do HEA reforçou significativamente a visibilidade do meu trabalho, projetando-o junto da comunidade académica e profissional de forma mais alargada. Este prémio funcionou como um selo de credibilidade e excelência, valorizando o percurso desenvolvido no ensino superior. Contribuiu também para consolidar redes institucionais e abrir novas oportunidades de colaboração. Paralelamente, permitiu dar maior destaque ao impacto do meu trabalho na formação e inovação pedagógica.

Há algum projeto, iniciativa ou objetivo novo que tenha nascido ou ganho força após esta distinção?

Sim, esta distinção impulsionou o desenvolvimento de novas iniciativas ligadas à inovação pedagógica e à ligação entre academia e setor. Reforçou também a ambição de consolidar projetos de investigação aplicada com impacto real (por exemplo em orientações de mestrado e/ou doutoramento).

O setor do turismo e hospitalidade está em constante transformação. Que mudanças sente hoje no ensino e na formação destes profissionais face a um ano atrás?

O ensino no turismo e hospitalidade tem vindo a tornar-se mais dinâmico, com maior foco em competências digitais, sustentabilidade e experiências personalizadas. Observa-se também uma crescente aproximação ao setor, através de metodologias mais práticas e colaborativas. Face a um ano atrás, há uma clara valorização de perfis multidisciplinares e de uma formação mais alinhada com os desafios reais do setor.

Um ano depois, o que continua a motivá-lo a investir na educação, formação e inovação no turismo?

O que continua a motivar-me é, naturalmente, o impacto transformador que a educação tem na vida dos estudantes e na evolução do próprio setor. O turismo exige profissionais cada vez mais preparados, críticos e inovadores, o que torna este trabalho particularmente desafiante e estimulante. A possibilidade de contribuir para uma formação mais próxima da realidade empresarial também é um fator-chave. Além disso, a constante mudança do setor obriga-nos a aprender e a evoluir continuamente. Por fim, é essa dinâmica de crescimento permanente que alimenta o meu compromisso com a inovação pedagógica.

Na sua perspetiva, qual é hoje o maior desafio da formação turística em Portugal?

Na minha perspetiva, o maior desafio da formação turística em Portugal é garantir uma articulação efetiva entre o ensino e as reais necessidades do setor. É fundamental adaptar continuamente os currículos a um contexto marcado pela inovação, digitalização e sustentabilidade. Acresce ainda a necessidade de atrair e reter talento qualificado num setor exigente e em constante evolução. Por fim, importa reforçar a valorização das carreiras no turismo, desde a formação até à prática profissional.

De que forma acredita que a valorização da educação e formação pode transformar o futuro do turismo?

A valorização da educação e formação é fundamental para elevar a qualidade, inovação e competitividade do turismo. Profissionais mais qualificados tendem a criar experiências mais sustentáveis, diferenciadas e centradas no cliente. Além disso, contribui para uma maior resiliência do setor face a mudanças e crises. Em última análise, investir em formação é investir num turismo mais preparado, responsável e com maior valor acrescentado.

O que sente que ainda falta valorizar no ensino e na qualificação dos profissionais de turismo e hospitalidade?

Sinto que ainda falta valorizar mais as competências práticas e comportamentais, como a capacidade de adaptação, comunicação e pensamento crítico. É igualmente importante reforçar o reconhecimento social e profissional das carreiras no setor. Falta também promover de forma mais consistente a aprendizagem ao longo da vida. Por fim, é essencial aproximar ainda mais o ensino das dinâmicas reais do setor.

Que impacto acredita que bons professores, projetos educacionais e iniciativas de inovação têm no futuro do turismo nacional?

Bons professores e iniciativas de inovação são determinantes para formar profissionais mais preparados, críticos e orientados para a mudança. Estes agentes promovem uma formação mais alinhada com as exigências do setor e estimulam a criatividade e a diferenciação. Projetos educativos de qualidade contribuem igualmente para aproximar a academia da indústria. No conjunto, têm um impacto direto na competitividade e sustentabilidade do turismo nacional.

Que conselho daria a futuros candidatos ou profissionais que gostariam de ver o seu trabalho reconhecido nos Hospitality Education Awards?

Diria que o mais importante é apostar na consistência, na qualidade e no impacto real do trabalho desenvolvido. É fundamental manter um compromisso genuíno com a inovação e com a melhoria contínua do ensino. Valorizar a partilha de conhecimento e a colaboração também é determinante. Por fim, acreditar no propósito do que se faz é essencial para que o reconhecimento surja de forma natural.

As candidaturas para a edição de 2026 dos Hospitality Education Awards decorrem até 15 de junho.

*Em colaboração com os Hospitality Education Awards

DEIXE A SUA OPINIÃO

Por favor insira o seu comentário!
Por favor, insira o seu nome aqui

-PUB-spot_img