“Um HEA Depois”: João Freitas e o desafio de unir tecnologia e pessoas no turismo

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O TNews, media partner dos Hospitality Education Awards (HEA), continua a rubrica “Um HEA Depois”, desenvolvida em parceria com a Fórum Turismo, organizadora da iniciativa, para acompanhar o percurso dos vencedores da última edição e perceber o impacto do reconhecimento nos seus projetos e carreiras.

Um ano após conquistar o Hospitality Education Award na categoria de Melhor Carreira Jovem, João Freitas, docente nas Escolas do Turismo de Portugal, faz um balanço de um período marcado por novos projetos, parcerias e crescimento profissional. Defensor de uma maior aproximação entre a academia e as empresas, acredita que o futuro do turismo será construído no equilíbrio entre tecnologia, inovação e competências humanas.

Um ano depois de receber o Hospitality Education Award, o que mudou na sua vida profissional ou no projeto distinguido?

Receber o Hospitality Education Award foi uma enorme honra e, acima de tudo, uma responsabilidade. Senti que o prémio validou o trabalho que vinha a desenvolver na área da educação, formação e inovação no turismo, dando-lhe uma maior visibilidade junto do setor.

Ao longo deste último ano, tive oportunidade de participar em novos projetos, colaborar com diferentes organizações e alargar a minha rede de contactos. Foi um período de crescimento profissional muito importante, que me permitiu consolidar algumas ideias e preparar novos desafios.

De que forma o reconhecimento do HEA contribuiu para a visibilidade do seu trabalho junto da comunidade académica, profissional ou institucional?

O reconhecimento dos HEA teve um impacto muito positivo. Passei a ser contactado com maior frequência para participar em iniciativas, debates, eventos e projetos relacionados com a formação e a inovação no turismo.

Naturalmente, sempre acreditei que a academia só funciona se tiver o privado próximo, isto é, a experiência empresarial. E acho que, de alguma forma, consegui fazer isto de uma forma mais significativa no pós-prémio.

Há algum projeto, iniciativa ou objetivo novo que tenha nascido ou ganho força após esta distinção?

A distinção reforçou a minha vontade de continuar a desenvolver projetos com impacto real no setor. Um dos resultados dessa evolução foi a criação da Hospitech Advisors.

Embora a Hospitech tenha surgido posteriormente, acredito que o percurso, a credibilidade e as oportunidades criadas ao longo deste último ano contribuíram para ganhar confiança e avançar com este projeto.

O setor do turismo e hospitalidade está em constante transformação. Que mudanças sente hoje no ensino e na formação destes profissionais face a um ano atrás?

Hoje noto uma preocupação muito maior com competências relacionadas com tecnologia, inteligência artificial, análise de dados e transformação digital. São temas que deixaram de ser tendências futuras para passarem a ser necessidades concretas das organizações.

Ao mesmo tempo, vejo uma valorização crescente das competências humanas, como liderança, comunicação, empatia e gestão de equipas. O futuro do turismo será construído precisamente no equilíbrio entre tecnologia e pessoas.

Um ano depois, o que continua a motivá-lo a investir na educação, formação e inovação no turismo?

Continua a motivar-me a possibilidade de gerar impacto. Acredito genuinamente que a educação e a formação têm a capacidade de transformar carreiras, empresas e até destinos turísticos.

Sempre que vejo profissionais a crescer, equipas a ganhar confiança ou organizações a implementar novas soluções com sucesso, reforço a convicção de que investir no conhecimento continua a ser um dos melhores investimentos que podemos fazer.

E espero que, em breve, tenha a oportunidade de avançar na carreira académica, com a entrada num MBA ou PhD.

Na sua perspetiva, qual é hoje o maior desafio da formação turística em Portugal?

O turismo está a transformar-se rapidamente e os modelos de formação precisam de acompanhar essa evolução. Talvez menos tradicionais e mais disponibilidade para adaptação será crucial.

É essencial que a formação seja cada vez mais prática, atualizada e próxima das necessidades reais das empresas. Só assim conseguiremos preparar profissionais capazes de responder aos desafios atuais e futuros do setor.

Sabemos que é um setor tradicional, com muitas empresas de pequena dimensão. Será crucial preparar profissionais que possam também rapidamente impactar estas organizações e criar uma pressão positiva para que inovem e sejam mais produtivas.

De que forma acredita que a valorização da educação e formação pode transformar o futuro do turismo?

Quanto mais preparados estiverem os profissionais, melhor será a experiência oferecida aos visitantes, maior será a capacidade de inovação das empresas e mais sustentável será o crescimento do setor. A educação não é apenas uma ferramenta de desenvolvimento individual; é também uma alavanca estratégica para a competitividade do país.

O que sente que ainda falta valorizar no ensino e na qualificação dos profissionais de turismo e hospitalidade?

Num setor tão dinâmico, não basta adquirir conhecimentos numa fase inicial da carreira; é necessário atualizar competências de forma permanente.

Também considero importante reforçar a ligação entre formação, inovação e aplicação prática, garantindo que o conhecimento produzido gera resultados concretos para as organizações. Sabemos que se trata de um setor que tem, historicamente, salários pouco atrativos para posições de entrada. Acredito que, com uma educação mais robusta e digital, teremos profissionais cada vez mais produtivos e, naturalmente, mais bem remunerados.

Que impacto acredita que bons professores, projetos educacionais e iniciativas de inovação têm no futuro do turismo nacional?

Quem não sente que um determinado professor impactou significativamente a sua forma de ver o mundo, a sua personalidade e até a vontade de estar num determinado setor de atividade?

Têm um impacto fundamental. São os professores que ajudam a formar profissionais mais preparados, mais críticos e mais capazes de criar soluções para os desafios do setor.

Os melhores professores e projetos não transmitem apenas conhecimento; inspiram pessoas, desenvolvem talento e criam uma cultura de melhoria contínua. Isso reflete-se diretamente na qualidade e competitividade do turismo nacional.

Que conselho daria a futuros candidatos ou profissionais que gostariam de ver o seu trabalho reconhecido nos Hospitality Education Awards?

O reconhecimento é importante, mas deve ser visto como uma consequência do trabalho desenvolvido e não como o objetivo principal.

Procurem colaborar, inovar, partilhar conhecimento e manter uma atitude de aprendizagem permanente. O setor do turismo precisa de pessoas que desafiem o status quo e contribuam ativamente para a sua evolução. Quando isso acontece, o reconhecimento acaba por surgir naturalmente.

As candidaturas para a edição de 2026 dos Hospitality Education Awards decorrem até 15 de junho.

*Em colaboração com os Hospitality Education Awards

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