O grupo United Investments Portugal (UIP) quer afirmar-se como uma “referência enquanto empregador”, assumindo este objetivo como um dos pilares do seu “ambicioso” plano de crescimento em Portugal e na Europa. Em entrevista ao TNews, Duarte Vaz, chief people officer, traça o retrato de um setor em transformação e detalha a estratégia do grupo para responder aos desafios da atração e retenção de talento.
A estratégia de recursos humanos do grupo UIP – que integra a UHM, UIP, UIP Real Estate, UIP Construction & Project Management, Pine Cliffs Resort, Hyatt Regency Lisboa, Sheraton Cascais Resort, Yotel Porto e TalentShift – assenta numa cultura organizacional sustentada no reconhecimento, desenvolvimento e compromisso de longo prazo.
De acordo com Duarte Vaz, o setor turístico enfrenta atualmente “uma convergência de desafios relevantes, sendo o maior a elevada competição pelo talento”, numa altura em que “as pessoas têm mais opções noutras geografias ou setores” e, por isso, revelam maior exigência na escolha do empregador. Ainda assim, considera que este cenário deve ser encarado como “uma oportunidade para melhorarmos o nosso modelo de gestão, criando condições para que as nossas pessoas se sintam realizadas e reconhecidas”.
É neste contexto que surge a aposta em iniciativas como os Long Service Awards, onde o grupo UIP reconhece funcionários com longos percursos na organização. A 2.ª edição realizou-se na passada sexta-feira, 13 de março, no Pine Cliffs Resort, no Algarve, durante a qual foram distinguidos 39 profissionais com entre cinco e 35 anos de casa. Para Duarte Vaz, “as histórias dos colaboradores homenageados neste evento são o melhor testemunho dos nossos esforços de diferenciação neste mercado de trabalho competitivo”.
O responsável sublinha que a longevidade das carreiras dentro do grupo reflete uma cultura construída com consistência. “Ter colaboradores com 35 anos de casa significa que, em 1990, alguém tomou a decisão de vir trabalhar connosco e, desde então, todos os dias, renovou essa escolha”, afirma, acrescentando que estes percursos demonstram que um funcionário encontrou “não apenas um emprego, mas um lugar onde cresceu, foi reconhecido e se sentiu parte de algo maior do que a sua função individual”.
“Os números falam por si: ter colaboradores com mais de 35 anos de antiguidade é a melhor evidência do nosso esforço”
Escassez de talento e novas exigências colocam pressão no setor
A escassez de mão de obra qualificada continua a ser um dos principais desafios no setor. “Efetivamente, a oferta não acompanhou o crescimento”, admite Duarte Vaz, lembrando que o turismo “representa hoje uma fatia significativa do PIB português e continua a criar emprego, mas o pipeline de profissionais não cresceu na mesma proporção”.
Para responder a esta lacuna, o grupo tem recorrido a trabalhadores estrangeiros, “provenientes de geografias em que épocas altas não coincidem com as nossas, mas que naturalmente nos apresentam desafios adicionais, como a sua integração social e cultural”.
Também a sazonalidade é “uma realidade estrutural do turismo”, segundo Duarte Vaz. O grupo UIP tem vindo a diversificar a sua oferta para tornar a época baixa mais atrativa, apostando em segmentos como o corporate e o desportivo. Em termos de rotatividade, estrutura a sua estratégia em três pilares: “uma sólida integração, desenvolvimento contínuo com planos de formação e progressão de carreira claros e tangíveis, e uma cultura de reconhecimento”.
Ainda mais, o acesso à habitação, sobretudo nas grandes cidades e destinos turísticos, “condiciona significativamente a atração” de trabalhadores. Duarte Vaz sublinha que este fator tem impacto direto “nas condições que oferecemos aos nossos colaboradores”, levando o grupo a disponibilizar apoio ao alojamento a profissionais deslocados de outras regiões e países. “É um tema que tem estado no topo da nossa agenda, com investimentos significativos na aquisição e aluguer de imóveis”, acrescenta.
Por outro lado, as expectativas dos profissionais “mudaram significativamente”, sobretudo após a pandemia. Hoje, os trabalhadores, particularmente os mais jovens, valorizam “de forma explícita o equilíbrio entre a vida pessoal e profissional, o propósito do trabalho, a qualidade do ambiente de equipa e a possibilidade de crescer”, sendo o salário “condição necessária, mas nem sempre suficiente ou diferenciadora”. Neste contexto, “um candidato não procura apenas um posto de trabalho, procura uma empresa onde se sinta visto, ouvido e desenvolvido”, exigindo “sinais concretos disso antes mesmo de aceitar uma proposta”.
A formação assume, por isso, um papel determinante. Para o chief people officer, trata-se de “uma declaração de intenção”, já que ao investir no desenvolvimento das pessoas o grupo está a demonstrar que acredita no seu potencial e que as vê como parte do futuro, criando “uma relação de reciprocidade com um impacto incomensurável”.
Os funcionários atuais desempenham igualmente um papel relevante na atração de novos talentos. “Uma equipa envolvida fala bem da empresa, recomenda-a, transmite energia positiva nas entrevistas e nos primeiros dias de integração dos novos colaboradores”, explica.
“O desafio não será apenas atrair talento, mas sobretudo criar ambientes onde as pessoas queiram ficar, crescer e liderar”
Reforçar cultura, liderança e tecnologia marca visão para o futuro
Olhando para os próximos anos, o grupo traçou um conjunto de prioridades na área dos recursos humanos: “reforçar a proposta de valor para os nossos colaboradores, desenvolver ainda mais as nossas lideranças, criar um centro de formação de excelência e incorporar tecnologia e automatismos nos nossos processos de gestão de RH, que nos permitam estar mais próximos das nossas pessoas”.
Segundo Duarte Vaz, que integra este projeto desde janeiro, “uma das nossas principais ambições passa por consolidar o grupo UIP como uma referência enquanto empregador, dando suporte ao ambicioso plano de crescimento em Portugal e na Europa, nos diferentes setores onde atua”.
Num contexto cada vez mais exigente e global, o responsável antecipa que os próximos anos vão exigir “uma maior capacidade de equilibrar tecnologia e humanidade”.
“O desafio não será apenas atrair talento, mas sobretudo criar ambientes onde as pessoas queiram ficar, crescer e liderar”, conclui, destacando que “a capacidade de transformar operações, desenvolver competências críticas, promover bem-estar real e construir culturas inclusivas será determinante para nos diferenciarmos”.



