O presidente do Turismo de Portugal anunciou que o país vai lançar uma agenda de ação climática específica para o setor do turismo durante a Bolsa de Turismo de Lisboa (BTL), sublinhando a necessidade de preparar destinos e empresas para os riscos climáticos.
“O Turismo de Portugal, na Bolsa de Turismo de Lisboa, lançará os primeiros passos para a agenda de ação climática no país e no turismo”, afirmou Carlos Abade na sessão de encerramento do 35.º Congresso da Associação da Hotelaria de Portugal (AHP), que decorreu entre 11 e 13 de fevereiro, no Porto.
O responsável destacou ainda a resposta rápida do setor ao programa Turismo Acolhe, criado para apoiar populações desalojadas pelas recentes tempestades. “Em dois dias e meio nós já temos 97 empreendimentos de alojamento turístico associados, estamos a falar de 732 quartos e já cobre neste momento 52 concelhos”, afirmou, sublinhando a cooperação entre o Turismo de Portugal, a AHP, as entidades regionais e as empresas.
Carlos Abade salientou a evolução do setor na última década, lembrando que as receitas turísticas passaram de 12,8 mil milhões de euros para quase 30 mil milhões de euros em 2025, “120% a mais do que aquilo que era há 10 anos atrás”. O turismo representa hoje mais de 12% do PIB e emprega quase 500 mil profissionais, acrescentou.
O presidente do Turismo de Portugal defendeu ainda que o setor deve crescer com maior valor, equilíbrio e impacto, sublinhando que “a ambição é continuarmos a crescer”, mas com foco na transformação dos territórios e na melhoria da qualidade de vida. “O turismo é um veículo, não é um fim em si mesmo, mas é um veículo absolutamente extraordinário”, afirmou.
Para o próximo ciclo, apontou o conhecimento, a tecnologia e a inteligência artificial e a cooperação estratégica como “aceleradores da transformação”. O responsável sublinhou ainda a necessidade de antecipar as competências futuras, capacitar lideranças e transformar as empresas, defendendo a “redução dos custos de contexto” e a criação de condições para mais investimento no setor.
Carlos Abade referiu ainda que a agenda de transformação passa pela melhoria da gestão dos territórios, da mobilidade e da competitividade dos destinos, bem como por uma abordagem mais estruturada aos riscos climáticos. “Transformar os territórios, torná-los mais equilibrados, torná-los mais competitivos (…) lidar cada vez melhor com os riscos climáticos”, afirmou.
Na mesma sessão, Bernardo Trindade, presidente da AHP, destacou a mobilização do setor no âmbito do Turismo Acolhe e considerou que o turismo é “o principal instrumento de coesão territorial deste país”.



