Segunda-feira, Fevereiro 6, 2023
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Via Navegável do Douro recebeu mais de um milhão de turistas em 2022

A Via Navegável do Douro (VND) recebeu mais de um milhão de passageiros em 2022, ano marcado por uma significativa retoma turística mas também pelo aumento dos custos de operação, disseram esta terça-feira fontes do setor.

Segundo dados fornecidos à agência Lusa pela gestora da via, a Administração dos Portos do Douro, Leixões e Viana do Castelo (APDL), a VND atingiu os 1.095.249 passageiros em 2022, um aumento significativo face a 2021 (279.151) e 2020 (226.333).

O rio Douro, que em território nacional desce de Barca de Alva (Figueira de Castelo Rodrigo, Guarda) até ao Porto, atrai turistas que optam por viajar em pequenas embarcações, em cruzeiros numa albufeira ou de dia ou ainda barcos-hotéis, e por programas que vão desde uma hora até uma semana.

“Foi bom, foi um ano de retoma, alguns programas melhores do que outros, mas foi já comparável a 2019, não tem nada a ver com os dois últimos anos”, afirmou à Lusa Célia Lima, da empresa Tomaz do Douro.

A operadora ainda está a realizar o programa das seis pontes e dos cruzeiros temáticos com jantares a bordo, na zona do Porto, terminando em novembro com os cruzeiros de longo curso.

Apesar da retoma de turistas, Célia Lima apontou dificuldades acrescidas devido ao aumento dos custos de operação, nomeadamente o aumento do preço dos combustíveis e dos alimentos, que são servidos a bordo, optando a empresa por manter o preço dos bilhetes.

“Temos pela frente, se calhar, anos mais desafiantes. Entendemos que este é um ano zero, um ano de olhar para a frente, mas, de facto, estamos a sentir que vão ser anos igualmente desafiantes, como foram estes dois últimos”, realçou. A responsável referiu que a empresa esteve dois anos a investir “sem ter grande retorno” e que “praticamente não deu para pagar custos fixos”.

“Este ano deu para respirar melhor, mas já estamos a perceber que vamos ter anos mais complicados”, apontou.

Várias empresas marítimo-turísticas estão também instaladas na vila do Pinhão, concelho de Alijó, distrito de Vila Real. Uma delas é a Magnífico Douro que, segundo Ricardo Costa, teve um ano “surpreendente pela positiva”.

“Estava a contar com uma recuperação mais lenta depois da quebra por causa da covid-19, mas o que é facto é que nós crescemos em relação aos anos pré-covid-19. Desde que existimos que todos os anos batemos recordes até 2019, mas em 2022 ficamos acima de 2019, o que foi uma surpresa muito, muito boa”, afirmou, perspetivando um acréscimo na ordem dos 20%.

Como aspetos negativos do ano, Ricardo Costa apontou o aumento dos custos de operação, a falta de mão de obra e ainda “a política de impostos do país” e as “taxas e mais taxas” aplicadas de forma “selvagem” pela APDL.

“Esta é uma parte extremamente negativa que nós não conseguimos controlar”, afirmou o responsável pela empresa que possui uma oferta diversificada e combina passeios de barco em kayak, caminhadas, passeios em bicicleta elétrica e ‘scooter’, visitas a quintas, vinhateiras e gastronomia.

De acordo com a APDL, este ano viajaram 832.191 passageiros em cruzeiros na mesma albufeira e noturnos, 164.481 em cruzeiros de um dia, 89.281 em barco-hotel e 9.296 em embarcações de recreio.

Célia Lima disse que a maioria dos clientes do cruzeiro das seis pontes é estrangeira (Espanha, França, Estados Unidos da América e Brasil), enquanto quem sobe o rio até à Régua, por exemplo, é maioritariamente o turista português.

Inês Batista trabalha na Sailing 360 e aponta para um “aumento significativo de turistas” e disse que, contrariamente ao ano passado em que eram maioritariamente portugueses, este ano voltaram, por exemplo, os norte-americanos e espanhóis.

A empresa faz “tours exclusivos” pela zona do Porto e, segundo adiantou, aquele que tem maior procura é o “das despedidas de solteiro/a”, principalmente durante o verão.

O melhor ano para o turismo fluvial no Douro foi 2019, tendo sido ultrapassados os 1,6 milhões de passageiros dispersos pelas diferentes embarcações marítimo-turísticas. Os dois anos seguintes ficaram marcados por quebras significativas em resultado da pandemia de covid-19.

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