Os residentes em Portugal realizaram cerca de 5,6 milhões de viagens turísticas entre janeiro e março de 2026, um aumento de 7,0% face ao mesmo período do ano anterior, alcançando um máximo histórico para um primeiro trimestre. O crescimento foi impulsionado, sobretudo, pelo aumento das deslocações ao estrangeiro, que cresceram 30,0%, segundo os dados divulgados esta terça-feira pelo Instituto Nacional de Estatística (INE).
De acordo com o INE, “esta evolução reflete o abrandamento do crescimento das viagens em território nacional (aumento de 3,4%, após 12,8% no trimestre anterior), que totalizaram 4,6 milhões (83,4% do total de deslocações), e a aceleração do crescimento das viagens com destino ao estrangeiro (mais 30,0%; 15,7% no quarto trimestre de 2025), num total de 923,8 mil deslocações (16,6% do total)”.
No trimestre em análise, o número de viagens aumentou em todos os meses: 3,7% em janeiro, 7,9% em fevereiro e 9,6% em março. O instituto assinala, contudo, que os resultados mensais podem ter sido influenciados pelos efeitos associados aos períodos de Carnaval e da Páscoa.
A principal motivação para viajar continuou a ser a visita a familiares ou amigos, responsável por 2,4 milhões de viagens, o equivalente a 43,7% do total, reforçando o seu peso em 2,8 pontos percentuais face ao primeiro trimestre de 2025. O lazer, recreio ou férias representou 41,1% das deslocações, com cerca de 2,3 milhões de viagens, mantendo um peso semelhante ao do período homólogo.
Em sentido inverso, as viagens por motivos profissionais ou de negócios diminuíram 13,5%, fixando-se em 560,1 mil deslocações e representando 10,1% do total, menos 2,4 pontos percentuais do que no primeiro trimestre de 2025.
No que respeita ao alojamento, o alojamento particular gratuito manteve-se como a principal opção, concentrando 58,6% das dormidas, o equivalente a nove milhões de noites, sendo especialmente utilizado nas viagens para visita a familiares ou amigos, onde representou 91,7% das dormidas.
Os hotéis e estabelecimentos similares foram a segunda escolha, com 30,3% das dormidas, num total de 4,7 milhões de noites. Esta foi a modalidade de alojamento mais utilizada nas viagens de lazer, recreio ou férias (45,1%) e nas deslocações profissionais ou de negócios (67,3%).
A duração média das viagens aumentou ligeiramente para 2,77 noites, face às 2,75 registadas no mesmo período de 2025. Março apresentou a permanência média mais elevada, com 3,02 noites, enquanto fevereiro foi o único mês em que se verificou uma redução da duração média das viagens.
Entre janeiro e março, 21,4% dos residentes realizaram pelo menos uma deslocação turística, mais um ponto percentual do que no período homólogo. Em termos mensais, esta proporção aumentou nos três meses do trimestre.
O estudo revela ainda um reforço da marcação antecipada de serviços. No primeiro trimestre, 39,4% das viagens incluíram reservas prévias, mais 2,5 pontos percentuais do que um ano antes. Segundo o INE, “esta prática foi muito mais frequente nas deslocações com destino ao estrangeiro (95,4%; mais 1,0 ponto percentual) do que nas viagens em território nacional (28,3%; mais 0,4 pontos percentuais)”.
Também o recurso à Internet na organização das viagens aumentou, tendo sido utilizado em 29,2% das deslocações, mais 2,1 pontos percentuais em termos homólogos. A utilização foi significativamente superior nas viagens ao estrangeiro (71,8%), embora tenha diminuído 4,4 pontos percentuais face ao ano anterior, enquanto nas viagens em território nacional subiu para 20,7%.




