Apesar dos desafios económicos e da instabilidade geopolítica, o setor das viagens de negócios na Europa mantém uma trajectória de crescimento sólido, com previsões a indicar que a despesa deverá atingir os 389,9 mil milhões de euros em 2026. Os dados constam do mais recente Índice de Viagens de Negócios da GBTA (Global Business Travel Association) – a maior associação mundial dedicada ao segmento corporate travel – divulgado durante a Conferência GBTA + VDR Europe, que decorre em Hamburgo de 10 a 12 de Novembro.
“Os dados confirmam para a Europa o que muitos no sector estão a viver em primeira mão: as organizações continuam a investir em viagens corporativas como catalisador de crescimento, inovação e conexão, mesmo perante incerteza económica e geopolítica”, afirmou Suzanne Neufang, CEO da GBTA. E acrescenta que “a sustentabilidade e a experiência do viajante deixaram de ser opcionais: tornaram-se essenciais. As empresas e os viajantes europeus estão na linha da frente, a exigir viagens mais responsáveis, produtivas e impactantes”.
A curva de crescimento mantém-se positiva para os anos seguintes. Em 2027, a previsão aponta para 414,5 mil milhões de euros, subindo para 441,6 mil milhões de euros em 2028, reforçando o papel da Europa como motor da recuperação global das viagens de negócios.
Em 2025, a Europa Ocidental deverá concentrar 88% de todo o gasto europeu, enquanto a Europa Emergente representará os restantes 12%. Os seis maiores mercados — Alemanha, Reino Unido, França, Itália, Espanha e Países Baixos — somam mais de 241,5 mil milhões de euros, o equivalente a 17,7% do total mundial estimado em 1,36 biliões de euros.
Segundo o mesmo índice, as principais razões que justificam deslocações corporativas no continente são seminários e formações, congressos e conferências, bem como reuniões internas. O custo médio de uma viagem de negócios com pernoita na Europa é de 850,7 euros, sendo o alojamento a maior fatia de despesa, seguido de alimentação e bilhetes de avião. No Reino Unido, o valor médio sobe para cerca de 1.305 euros, enquanto na Polónia e na Suécia se situa na casa dos 639 a 646 euros.
O estudo revela ainda que 83% dos viajantes corporativos europeus continua convencido de que viajar vale a pena para atingir objectivos comerciais. Três em cada quatro afirmam viajar tanto ou mais do que em 2019, e a duração média de uma deslocação com pernoita é de 3,1 noites. Apenas 40% diz sentir-se confortável a utilizar inteligência artificial para reservar viagens. Os programas de fidelização continuam determinantes para 81% dos viajantes. O comboio surge como meio de transporte muito mais presente na Europa do que noutras regiões — 38% dizem ter utilizado o ferroviário na sua última viagem, face a apenas 8% na América do Norte e 4% na América Latina. Um terço dos inquiridos trabalha em empresas com um responsável ou equipa dedicada a travel management.
“O setor de viagens de negócios na Europa mostra resiliência e adaptação, combinando crescimento económico com a incorporação de novas tecnologias e sustentabilidade”, conclui Suzanne Neufang.



