O presidente do Vila Galé defendeu a necessidade de encontrar uma solução intercalar para o aeroporto de Lisboa, alertando que a falta de capacidade está a colocar em risco o crescimento do turismo em Portugal. “Era importante que se encontrasse uma solução alternativa, intercalar ao aeroporto da Portela”, afirmou. Jorge Rebelo de Almeida sublinha que Alcochete “ainda tem muito tempo e muito caminho para percorrer”.
As declarações foram feitas durante o encontro de imprensa de início de ano do grupo hoteleiro, dedicado à apresentação do balanço de 2025, ao ponto de situação dos projetos em curso e às perspetivas para o setor.
Segundo o responsável, Portugal enfrenta atualmente uma forte pressão da procura internacional, nomeadamente dos mercados asiáticos, mas não consegue responder por falta de slots. “Temos uma pressão grande por parte dos países asiáticos e não temos espaço, não temos slots. E é pena”, afirmou, defendendo que o país não se deve colocar “na situação de recusar os fluxos de turismo”.
No entender do presidente da Vila Galé, o turismo voltou a demonstrar a sua resiliência em 2025, apesar das preocupações iniciais. “O turismo começou com algumas reticências, alguma preocupação, mas felizmente tem sido uma atividade super resiliente, que venceu várias crises, mesmo não tendo um aeroporto em condições ou uma situação intercalar que desse lugar a que não se estancasse o crescimento”, disse.
O gestor deixou claro que não aceita a ausência de respostas para este problema estrutural. “Eu não me conformo com assumir coisas como derrotas. Não me conformo que não haja solução”, afirmou, defendendo que o país deve continuar a procurar alternativas enquanto a solução definitiva não avança. “Temos sempre de matar a cabeça a tentar encontrar soluções”, reforçou.
O presidente da Vila Galé rejeitou ainda a ideia de saturação turística em Portugal. “Quando me dizem que há cidades saturadas ou cansadas, acho que é um exagero. Estamos longe disso, sobretudo quando falamos de Portugal, que tem um interior maravilhoso e gigantesco para encher de turistas”, afirmou, considerando que existe “um conjunto muito alargado de oportunidades para crescer neste país”.
Sobre o aeroporto de Lisboa, o presidente da Vila Galé admitiu que a infraestrutura tem impactos negativos, mas defendeu maior pragmatismo. “Não sei se não deveria haver alguma tolerância em deixar arrastar um bocadinho os slots, porque isso melhorava muito o funcionamento do aeroporto”, referiu.
Entre as soluções apontadas, voltou a sugerir alternativas temporárias, como Alverca ou Sintra, e até uma abordagem faseada para Alcochete. “Porque é que o aeroporto de Alcochete não tem uma fase prioritária só com um terminal simples e uma pista, como foi feito o Terminal 2 da Portela?”, questionou, defendendo que uma solução deste tipo permitiria, em poucos anos, aliviar a pressão sobre Lisboa e receber voos charter e low cost.
Durante a sua intervenção, o presidente do Grupo Vila Galé deixou claro que não aceita a ausência de soluções para o problema aeroportuário em Lisboa, sublinhando a urgência de agir para não travar o crescimento do turismo. “Eu não me conformo nunca com assumir coisas como derrotas. Eu acho que temos sempre de matar a cabeça a tentar encontrar soluções”, afirmou, defendendo que o país não pode continuar à espera do novo aeroporto de Alcochete sem uma resposta intermédia. “É importante que a gente encontrasse uma solução alternativa, intercalar ao aeroporto da Portela”, insistiu, lembrando que a pressão da procura internacional, nomeadamente dos mercados asiáticos, está a ser limitada pela falta de slots.
Habitação e imigração
O presidente da Vila Galé abordou também o problema da habitação, que considera estrutural para a economia e para o turismo. “O que está a faltar muito é criar condições para os imigrantes e, antes de tudo, para os nacionais. Não se faz o essencial, que é construir casas”, afirmou, alertando que, sem imigração, “o PIB cairia em flecha”.
Neste contexto, garantiu que o grupo está disponível para desenvolver projetos de habitação a preços controlados. “A Vila Galé está disponível para fazer projetos de habitação a preços controlados, quer para arrendamento quer para venda, antes de mais nada para as pessoas que trabalham na Vila Galé”, disse, apontando, contudo, entraves ao nível do planeamento e da classificação de solos.
O responsável revelou que o grupo já apresentou propostas em Lagoa e Lagos, em terrenos próprios, para projetos de habitação que não avançaram por restrições de ordenamento que considera injustificadas. “São terrenos que nunca foram agrícolas, não são agrícolas, nem nunca serão agrícolas, e continuam presos por uma reserva agrícola ficcional”, criticou.
Por fim, lançou a ideia de uma task force dedicada à habitação, envolvendo setor público e privado. “Sugiro que se mobilize gente do setor público e privado, mas gente cotada e credenciada, para limpar os projetos antigos que estão nas câmaras. Isso seria um grande contributo para resolver o problema da habitação”, concluiu.




