Vila Galé fecha 2025 com 321M€ em receitas, mas avisa: Portugal pode perder o “comboio” dos mercados asiáticos

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O Grupo Vila Galé fechou 2025 com um crescimento de 15% nas receitas, atingindo cerca de 321 milhões de euros, impulsionado sobretudo pela forte performance no Brasil. Em Portugal, o grupo registou uma evolução positiva em valor, mas com estabilização no número de hóspedes, num contexto que o administrador Gonçalo Rebelo de Almeida considera limitador para o futuro: a falta de capacidade aérea poderá impedir o país de captar o crescimento dos mercados asiáticos, hoje o principal motor do turismo mundial.

Durante o encontro de imprensa de início de ano do grupo, o administrador Gonçalo Rebelo de Almeida explicou que 2025 deu continuidade ao ciclo de crescimento iniciado no período pré-pandemia e retomado após 2022. “Do ponto de vista do resultado da nossa operação, nas geografias onde estamos, o ano de 2025 acabou por ser mais uma vez positivo. Estamos aqui num ciclo”, afirmou.

Em termos globais, o grupo deverá encerrar o ano com cerca de 321 milhões de euros em receitas, considerando Portugal, Espanha e Brasil. No mercado brasileiro, as receitas atingiram 807 milhões de reais, convertidos a uma taxa média de 6,3. Face a 2024, o crescimento consolidado do grupo foi de 15%.

O desempenho foi distinto entre geografias. O Brasil destacou-se com um crescimento de 23% nas receitas e de 12% nas taxas de ocupação, enquanto Portugal e Espanha registaram um aumento de 8% nas receitas, impulsionado sobretudo pela melhoria do preço médio e por receitas adicionais. “Em Portugal, há uma estabilização do número de turistas. Crescemos em receita, mas o número de hóspedes e de quartos vendidos ficou em linha com 2024”, explicou.

Apesar do aumento das receitas, Gonçalo Rebelo de Almeida adiantou que também o resultado operacional deverá crescer, estimando um resultado global na ordem dos 125 milhões de euros, o que representa igualmente um aumento de cerca de 15% face ao ano anterior. “Há algum crescimento dos custos, mas a rentabilidade mantém-se”, sublinhou.

“Em Portugal, há uma estabilização do número de turistas. Crescemos em receita, mas o número de hóspedes e de quartos vendidos ficou em linha com 2024”

Mercado americano traz mais valor e maior dispersão territorial

Para Gonçalo Rebelo de Almeida, o crescimento do mercado norte-americano tem sido positivo para o país. “Permitiu a entrada de novos públicos um dos objetivos do turismo nacional era potenciar o crescimento mais pelo valor”, afirmou, sublinhando que “o mercado americano tem um poder de compra superior a muitos outros mercados”.

Outro aspeto destacado foi a duração da estadia. “O turista americano fica mais dias no destino do que ficam os mercados emissores de proximidade”, disse, acrescentando que este público tende também a circular mais pelo território. “Vai ao Porto, vai ao Douro, com os novos voos para o Algarve começa a descobrir também o Algarve, portanto não está só focado na região de Lisboa”, explicou, considerando este um mercado “interessante”.

Brasil cresce acima da média e mantém perspetivas positivas

No Brasil, os resultados foram mais expressivos. A operação atingiu 807 milhões de reais, o que representa um crescimento de 23% face a 2024, com aumento também nas taxas de ocupação. “No caso do Brasil são 23% de crescimento na receita, mas são também de 12% de crescimento nas taxas de operação”, afirmou.

Ainda assim, o administrador sublinhou que o mercado continua a ser maioritariamente doméstico. “No caso em particular da Vila Galé, 88% dos clientes continuam a ser brasileiros”, explicou, referindo que os mercados internacionais passaram de cerca de 5% para 12%.

Para 2026, a expectativa é de continuidade do crescimento. “O Brasil não tem estas limitações, e portanto há uma expectativa de continuar a crescer no Brasil”, afirmou, apontando para a estratégia de dispersão geográfica e para o desenvolvimento da linha Collection em novos destinos.

Aeroporto limita crescimento e trava captação da Ásia

Já em Portugal, a perspetiva para 2026 é mais cautelosa. “A matemática dos números é relativamente simples”, afirmou Gonçalo Rebelo de Almeida, explicando que o aeroporto de Lisboa serve não só a capital, mas toda a área metropolitana, o Alentejo e a Região Centro.

“Quando eu tenho um constrangimento neste aeroporto, a capacidade de crescimento da infraestrutura atual é muito limitada”, alertou, acrescentando que a perspetiva de um novo aeroporto “anunciada publicamente daqui a 12 anos” significa que, durante esse período, “o número de turistas para o país não terá muita capacidade para crescer”.

Segundo o administrador, Portugal pode entrar “num plateau que estabilizou num ponto alto”, mas que “inibe um bocadinho a pesquisa de novos mercados de desenvolvimento turístico”.

a perspetiva de um novo aeroporto “anunciada publicamente daqui a 12 anos” significa que, durante esse período, “o número de turistas para o país não terá muita capacidade para crescer”

Este cenário é particularmente preocupante face à evolução global da procura. “Quando nós olhamos para os grandes números do turismo a nível mundial, este crescimento está a vir da Ásia”, afirmou, referindo mercados como a China, Vietname, Tailândia e Indonésia.

“Se nós não temos capacidade de atrair novas rotas destes mercados, eles vão chegar, como já estão a chegar, às principais cidades e países europeus”, alertou, considerando que Portugal corre o risco de “perder o crescimento dos turistas desta região”.

“A abertura de um simples voo para a Coreia faz com que a Coreia tenha entrado no top 15 de mercados emissores”, exemplificou, defendendo que há “muita vontade de viajar e de descobrir a Europa”. No entanto, “Portugal vai perder um bocadinho este comboio de crescimento do mercado asiático”, considerou.

Lisboa começa a dar sinais de estagnação

Gonçalo Rebelo de Almeida revelou ainda que Lisboa começou, em 2025, a dar sinais de abrandamento. “Este ano, pela primeira vez nos últimos cinco, Lisboa começou a sentir alguns sinais de retração”, afirmou.

“O que aconteceu, e que não tinha acontecido nos últimos três ou quatro anos, foi entrar em já vários hotéis a fazer promoções de preço”, explicou, acrescentando que houve meses “pior do que o ano passado”.

Apesar disso, considera que a região ainda tem margem. “Lisboa está bem, mas comparando com cidades europeias, está muito distante ainda de Londres, Paris, Roma, Madrid, Barcelona”, afirmou, defendendo a necessidade de dispersão territorial e melhoria dos transportes.

“Este ano, pela primeira vez nos últimos cinco, Lisboa começou a sentir alguns sinais de retração”

Para 2026, o administrador antecipa um crescimento mais moderado em Portugal e mais forte no Brasil. “Em Portugal poderá andar ali na casa dos 4% o crescimento das receitas”, estimou, enquanto “no Brasil é provável que cresça perto dos 10%”.

A visão global é de cautela. “Temos uma visão relativamente cautelosa, porque temos este gargalo em Portugal e uma situação geopolítica no mundo que também afeta sempre a situação turística”, concluiu.

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