A escalada dos preços do combustível de aviação continua a pressionar o setor aéreo global, levando companhias a aumentar tarifas, cortar rotas e introduzir novas taxas. Ainda assim, algumas empresas optam por uma estratégia oposta, procurando tranquilizar os clientes ao garantir que não vão aplicar sobretaxas.
O preço do jet fuel disparou nas últimas semanas para valores entre 130 e 170 euros por barril, podendo ser ainda mais elevado noutros mercados, num contexto em que o combustível representa até 25% dos custos operacionais.
A maioria das transportadoras tem reagido com medidas de contenção e aumento de receitas.
Lufthansa
Cancelou cerca de 20 mil voos até outubro e ajustou a operação para reduzir custos.
Air France-KLM
Vai subir tarifas de longo curso, com aumentos de cerca de 50 euros por viagem.
TAP Air Portugal
Reconhece que terá de aumentar preços para mitigar o impacto do combustível.
SAS
Cancelou cerca de mil voos em abril.
United Airlines
Admite subidas de preços até 20% e reforçou taxas acessórias.
American Airlines e Delta Air Lines
Optaram por aumentar taxas de bagagem e reduzir capacidade.
Volotea
Indexou os preços ao custo do combustível, podendo aplicar sobretaxas após a compra.
Estratégia oposta: “sem sobretaxa” para manter confiança
Em contraciclo, algumas companhias e operadores turísticos estão a apostar na previsibilidade de preços para captar clientes.
De acordo com o Travel Weekly, a TUI e a easyJet seguiram o exemplo da Jet2 e garantiram que não irão aplicar sobretaxas de combustível em pacotes de férias.
O diretor-geral da TUI no Reino Unido e Irlanda, Neil Swanson, afirmou que “os clientes podem ficar tranquilos, pois o preço das suas férias é fixo, sem acréscimo de taxas de combustível”.
Já Garry Wilson, CEO da easyJet holidays, sublinhou:
“Sabemos que os turistas podem ter dúvidas […] estamos a dar total tranquilidade, garantindo que não serão adicionadas taxas extras aos seus voos ou pacotes de férias.”
A easyJet acrescenta ainda que, para já, não regista disrupções no abastecimento e mantém a operação normal.
IAG admite aumentos indiretos
Nem todas seguem esta linha. A IAG, dona da British Airways e da Iberia, admite estar a fazer “ajustes de preços” para refletir o aumento dos custos com combustível, ainda que beneficie de estratégias de cobertura (hedging) no curto prazo.
Perante o risco de escassez, governos começam também a preparar respostas. No Reino Unido, as autoridades admitem flexibilizar as regras de slots aeroportuários — permitindo às companhias não perderem horários de descolagem mesmo que reduzam voos — para evitar operações ineficientes.
O setor da aviação revela assim uma resposta desigual: enquanto algumas companhias transferem diretamente os custos para os passageiros, outras tentam absorvê-los para preservar a confiança e estimular a procura.
Com a Europa particularmente vulnerável — cerca de 75% do combustível tem origem no Médio Oriente —, a evolução da crise energética continuará a ditar o rumo da aviação e, consequentemente, do turismo nos próximos meses.


