A World2Meet (W2M) faz um balanço “positivo” da sua participação na BTL – Better Tourism Lisbon Travel Market 2026, apesar do impacto provocado pela escalada de tensão no Médio Oriente, que levou a uma “paragem de vendas” da Icárion durante a feira, obrigando o grupo a concentrar-se em “repatriar e arranjar soluções para todos os clientes” e a gerir “muitos” casos de viajantes afetados por cancelamentos.
Em declarações ao TNews, Duarte Correia, country manager da W2M em Portugal, sublinha que o grupo – que integra os operadores turísticos Newblue, Icárion e Kannak – registou “um aumento” nas vendas durante a feira. “Foi positivo, apesar de no segundo dia, após a guerra, haver alguma retração nas reservas para o Médio Oriente”, afirmou. Perante o agravamento da situação, explicou, “toda a concentração era na busca de alternativas para os clientes que estavam fora”.
No caso da Icárion, que comercializa destinos no Médio Oriente ou rotas com passagem pela região, o impacto foi imediato. “Tivemos uma paragem de vendas porque assim o mercado o exigia, no sentido em que não podíamos dar seguimento às reservas que tínhamos. Estávamos preocupados e ainda estamos, com várias reuniões de emergência”, revelou Duarte Correia.
Segundo o responsável, a Icárion foi o único operador do grupo diretamente afetado pela situação de guerra. Com companhias como Qatar Airways ou Emirates a suspenderem voos, admite que “nada se pode fazer”. A prioridade passou a ser “repatriar e arranjar soluções para todos os clientes”.
“Não é deixar de vender, é ver qual é a prioridade que é preciso ter numa situação de emergência: é repatriamento e não vendas. Parámos as vendas e até ao dia de hoje foi tentar repatriar todos os clientes naquela zona”, acrescentou.
Quanto a cancelamentos e alterações de voos, Duarte Correia não esconde a dimensão dos constrangimentos, apontando que há “muitos” viajantes afetados. “Há muitos passageiros que saíram do avião porque não queriam ir, aviões que iam sair e já não saíram. É um tormento”, afirmou. Ainda assim, garante que, “de uma forma geral, em termos de turistas portugueses que estejam a viajar com a Icárion, temos as situações todas salvaguardadas”.
Além disto, a W2M tem uma aeronave da World2Fly, companhia aérea do grupo, retida no Médio Oriente. “Era um avião que estava a fazer trajeto para os polacos, que fez escala e já não pôde levantar”, explicou, sublinhando que a situação “não afetou em nada clientes portugueses”.
Trata-se de uma operação em regime “ACMI [Aircraft, Crew, Maintenance, and Insurance] que estamos a fazer com a Polónia”, acrescentou. “Não é um AOG [Aircraft on Ground] por ciência técnica, mas é um AOG por uma questão de guerra”.
República Dominicana lidera vendas da Newblue
Apesar do contexto internacional adverso, o balanço global da presença na BTL mantém-se positivo. “O somatório de todas as marcas foi positivo. Subimos em relação ao ano passado”, afirmou Duarte Correia, sublinhando que “houve alguma retração no mercado [devido à situação no Médio Oriente], mas não se transformou num saldo negativo”.
Ambas a Kannak e a Newblue registaram desempenho positivo, sendo esta última a marca “mais forte” do grupo. Em termos de destinos, “acima de tudo o que mais se vendeu, e isto por ordem decrescente, foi República Dominicana, Jamaica, Zanzibar e México”, operados pela Newblue.
Recorde-se que a operação para Cuba foi cancelada devido à escassez de combustível e às limitações energéticas no destino.
Quanto ao México, destino sob recomendação do Ministério dos Negócios Estrangeiros para evitar deslocações desnecessárias em determinados estados devido ao agravamento das condições de segurança, Duarte Correia assegura que “não sentiu impacto [nas vendas]. Diria que o impacto seria se deixássemos de vender”.
Ainda assim, reconhece que a maior concentração de vendas se explica pela capacidade aérea para a República Dominicana: “as vendas foram mais concentradas na República Dominicana, até porque temos quatro rotações por semana, uma para Bayahibe e três para Punta Cana. São 1400 pessoas por semana a ir para a República Dominicana.”
“Para o México, temos apenas um voo. O México continua a vender e é o quarto destino mais bem vendido”, sublinhou.
Stand de 600 m² é para manter
Pelo segundo ano consecutivo, a W2M apostou num stand com 600 metros quadrados no Pavilhão 4 da BTL. “Foi uma feira positiva. Temos 600 metros quadrados de feira, não para nós, mas para os nossos agentes de viagens, para a distribuição nacional”, destacou Duarte Correia.
Questionado sobre a continuidade do modelo, é perentório: “tenho a certeza que é para manter. Se tivesse corrido mal, talvez questionássemos. Estamos contentes e esperamos que o próximo ano tenha, no mínimo, igual ou melhor [desempenho], se não tivermos a situação de Cuba, se não tivermos estas fricções do México, e sem afetar diretamente os nossos destinos”.



