A Web Summit está de volta a Lisboa esta segunda-feira, 10 de novembro, e volta também a impulsionar o setor hoteleiro da cidade. As unidades registam boas taxas de ocupação e preços em alta, mas a procura está cada vez mais concentrada apenas nos dias do evento.
Entre 10 e 13 de novembro, Lisboa vai receber a maior conferência de tecnologia da Europa, com mais de 70 mil participantes e 900 oradores, de acordo com dados da organização.
Segundo a Associação da Hotelaria de Portugal (AHP), a procura mantém-se forte, embora menos prolongada. “A grande maioria dos participantes da Web Summit concentra-se em Lisboa, as zonas limítrofes registam apenas efeitos residuais”, refere Cristina Siza Vieira, vice-presidente executiva da associação, questionada pela Lusa.
Sem avançar ainda dados concretos para este ano, a responsável relembrou que, em 2024, a taxa média de ocupação atingiu os 88%, mais um ponto percentual que no ano anterior, de acordo com o o inquérito “Balanço da Web Summit 2024”. “Apesar de uma ligeira moderação na procura, a cidade manteve uma performance sólida”, destacou.
O Grupo Hoti, que detém várias unidades na capital, confirma o mesmo padrão. “A ocupação das unidades em Lisboa para o período da Web Summit é bastante alta, mas com uma incidência cada vez mais limitada às datas do evento, tendo vindo a perder força nos dias anteriores e posteriores”, afirmou o presidente executivo (CEO), Miguel Proença, à Lusa.
“Apesar das ocupações se manterem na procura máxima nos quatro dias do evento, nos 10 dias totais tradicionalmente impulsionados pela existência do evento, podemos afirmar que as ocupações médias enfraqueceram este ano em cerca de 15%”, acrescentou.
Já no Grupo Vila Galé, a taxa de ocupação está “praticamente a 100%”, segundo Pedro Ribeiro, diretor de Marketing e Vendas, que indica que, no hotel Vila Galé Ópera, aumentou 5% face a 2024.
Os preços mantém-se em alta, mas a procura está mais concentrada nos dias centrais do evento, de acordo com os entrevistados. Miguel Proença referiu que “a existência do evento impulsiona naturalmente o preço médio nos hotéis da cidade”, mas sublinhou que “na globalidade dos 10 dias tradicionalmente impactados pelo evento, os valores médios rondavam os 150 euros nos últimos dois anos e a referida perda de força nos dias adjacentes traz consigo uma expetativa de quebra de cerca de 20%”.
Pedro Ribeiro, por sua vez, apontou uma subida das tarifas no Vila Galé Ópera “de 5% em relação a 2024”. No ano passado, recordou a AHP, o preço médio por quarto (ARR) alcançou os 221 euros, um aumento de 4% face ao ano anterior, remetendo o balanço de 2025 para depois do encerramento do evento.
Quanto ao perfil dos hóspedes, regista-se uma forte presença internacional, especialmente europeia, e predomínio de profissionais ligados à tecnologia e negócios.
Segundo a AHP, prevalecem visitantes do Reino Unido, Portugal e Espanha, com crescimento nos últimos anos dos EUA – um perfil que “tem-se mantido consistente nas últimas edições do evento”, acrescentou Cristina Siza Vieira.
Ainda assim, Miguel Proença nota que os norte-americanos deram uma “menor resposta este ano”, destacando-se em contrapartida hóspedes da Irlanda, França, Reino Unido, Brasil, Índia e Canadá.
O Vila Galé confirma a predominância dos mercados europeu e brasileiro, sem especificar.






