O World Travel & Tourism Council (WTTC) lançou um aviso global: modernizar fronteiras e migrar para modelos digitais, incluindo vistos eletrónicos, identidades digitais e biometria, pode desbloquear 401 mil milhões de dólares (cerca de 373 mil milhões de euros) e criar 14 milhões de novos postos de trabalho até 2035, nos países do G20, União Europeia e União Africana.
Os números constam do novo relatório Better Borders, criado em parceria com a SITA, empresa líder mundial especializada em comunicações e tecnologia da informação para o transporte aéreo.
Segundo o WTTC, as fronteiras já não são apenas um ponto de controlo aeroportuário, são hoje um ativo económico crítico, com impacto direto na competitividade, no posicionamento de destinos e na capacidade de captar investimento e fluxos turísticos.
A organização lembra que o sector do turismo deverá alcançar 15,2 biliões de euros de contribuição global para o PIB mundial em 2035.
Gloria Guevara, CEO interina do WTTC, afirma que a tecnologia já permite unir — ao mesmo tempo — mais segurança e mais fluidez:
“A tecnologia permite-nos alcançar o que antes era considerado impossível: fronteiras mais fortes e viagens mais fluidas. Ao adotarem identidades digitais, biometria e sistemas de dados avançados, os países conseguem tornar as viagens mais rápidas e mais seguras ao mesmo tempo. As soluções já existem. Os governos que agirem hoje verão benefícios claros amanhã, desde fronteiras mais seguras e maior confiança dos viajantes, até ao aumento de visitantes e de crescimento económico.”
Pedro Alves, Senior Vice President para a área das Fronteiras na SITA, sublinha que a transformação é essencial e depende de dados de qualidade:
“As fronteiras hoje têm de ser dinâmicas, integradas e sem fricção. Quando os governos podem confiar em dados de identidade de alta qualidade, conseguem agir mais rápido, atuar mais cedo e focar melhor os recursos. Isto não é apenas bom para a segurança nacional. É essencial para o turismo, para o comércio e para a experiência do viajante.”
O relatório apresenta ainda exemplos já implementados e com resultados visíveis, como o uso massivo de comparação biométrica nos EUA, o alívio de tempos de espera graças à IA nos vistos dos Emirados Árabes Unidos ou o uso de SmartGates na Austrália, onde quase 80% das chegadas já são elegíveis para processamento automatizado.
Os dados reforçam uma tendência: três em cada quatro viajantes já preferem soluções biométricas a processos manuais — e 85% aceitam partilhar dados antes da viagem se isso traduzir tempos mais baixos na fronteira.



