O Governo Regional dos Açores rejeitou esta quinta-feira, 22 de outubro, que o turismo esteja em “queda alarmante”, manifestou disponibilidade para trabalhar com as empresas do setor e salientou que a “captação de rotas é um processo exigente”, cujos resultados surgem a médio prazo.
“Vivemos um período exigente, mas felizmente não estamos em queda alarmante, como afirma o PS, com o intuito de obter alguns ganhos políticos sem se preocupar com os danos reputacionais que provoca no destino Açores”, afirmou a secretária regional do Turismo, Mobilidade e Infraestruturas, Berta Cabral.
A governante falava no plenário da Assembleia Legislativa Regional, na Horta, durante um debate de urgência sobre o turismo, solicitado pelo PS/Açores, segundo a agência Lusa.
Berta Cabral recordou que 2025 foi o “melhor ano de sempre no turismo dos Açores” e destacou que, em 2026, as receitas do setor são superiores às do ano anterior, enquanto os “valores de dormidas e hóspedes estão acima de 2024”, apesar de a região registar 11 meses consecutivos de redução das dormidas.
“Estamos disponíveis para trabalhar com as empresas e com as associações representativas do setor na definição de respostas adequadas”, afirmou a secretária regional, reiterando que a “captação de rotas é um processo exigente e com resultados a médio prazo”.
A responsável destacou ainda que a oferta de alojamento “cresceu muito significativamente” nos últimos anos, indicando que, “entre 2022 e agosto de 2026, o número de camas disponíveis na região cresceu 32,7%, sobretudo através do Alojamento Local”.
“Não podemos deixar de referir que há diferenças entre ilhas, mercados e segmentos e que os Açores estão a ficar conotados como um destino caro devido aos elevados preços do alojamento, restauração e rent-a-car”, acrescentou Berta Cabral.
Durante o debate, o líder do Chega/Açores, José Pacheco, criticou os preços “disparatados” das passagens aéreas, acusando a SATA e a TAP de se estarem a “financiar de forma ilegal”, e defendeu a criação de um “plano estratégico para o turismo” a longo prazo.
Por sua vez, o deputado do PSD Rúben Cabral criticou a “imaginação socialista” e considerou “não ser sério isolar um único indicador para decretar o declínio de todo um destino”, referindo-se à redução das dormidas, uma vez que os proveitos da hotelaria aumentaram.
“O PS precisa de uma crise para ter tempo de antena”, afirmou o social-democrata, depois de a deputada socialista Marlene Damião ter criticado a “inação” do Governo Regional, liderado pela coligação PSD/CDS-PP/PPM.
Já o deputado do PAN, Pedro Neves, defendeu a redução da pressão turística nas épocas de maior procura, considerando que “não se pode confundir crescimento turístico com desenvolvimento sustentável”. António Lima, do Bloco de Esquerda, afirmou, por seu lado, que o Governo Regional “é responsável pelo excesso de oferta” no setor.
O deputado do PPM João Mendonça defendeu que “devem ser reestabelecidas as ligações marítimas em todas as ilhas durante a época alta”, bem como as “ligações permanentes entre São Miguel e Santa Maria”.
“Está na altura de apostar fortemente no transporte marítimo de passageiros”, afirmou, considerando que a SATA está “saturada” durante a época alta e que a Atlânticoline já apresenta as “contas sanadas”.
Luís Silveira, do CDS-PP, recordou que os Açores registaram em 2025 os “melhores resultados de sempre”, mas alertou que “não se devem desvalorizar as preocupações dos empresários”.
Por último, o deputado da Iniciativa Liberal, Nuno Barata, chamou a atenção para o “efeito da inflação no aumento da receita” turística e considerou que a “notoriedade” do destino “foi um problema que não foi bem resolvido”.




