Sábado, Maio 28, 2022
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A importância da formação no Enoturismo

Portugal tem um enorme potencial para ser uma referência a nível mundial ao nível do Enoturismo, mas para isso falta-nos organizar o sector, sendo um dos focos principais a formação de profissionais competentes nesta área.

Ao longo dos anos, o desenvolvimento de novas técnicas de viticultura, a introdução de novos equipamentos na adega, os novos conhecimentos adquiridos em outros países pelos enólogos e, consequentemente, o aumento de qualidade nos vinhos, fez com que o sector do Enoturismo tenha ganho asas. No entanto, ainda falta um enorme caminho a percorrer, na medida em que é um sector sem estatísticas. Não sabemos quantas adegas praticam Enoturismo em Portugal, quais são as actividades existentes em cada uma delas, não sabemos quanto empregos gera, ou quantos profissionais nesta área têm formação específica, entre tantas outras questões que estão ainda por responder. E nesta análise global, um dos focos principais, um dos mais complicados de resolver, é o da formação.

Quem anda há anos no terreno sabe que faltam recursos humanos ao sector, faltam regras, falta formação, falta certificação, falta aconselhamento às empresas, falta informação, falta promoção eficaz. Se soubermos trabalhar bem estaremos a nivelar por cima o enoturismo português. E quem trabalha em enoturismo, sabe que não basta receber os visitantes, tem de se saber de turismo, é certo, mas também um pouco mais sobre vinho.

Quando a APENO – Associação Portuguesa de Enoturismo ajudou a desenhar a Pós-Graduação de Enoturismo na Universidade Lusófona e do IPLUSO, tivemos a preocupação de falar de turismo mas também introduzir várias temáticas que têm de fazer parte da formação de quem se dedica ou quer dedicar a esta área, porque as empresas têm de estar preparadas para receber o cliente menos ao mais exigente, aquele que sabe menos ou mais sobre vinho. Este trabalho resultou ainda mais quando aliámos a teoria à prática durante todo o ano lectivo. Do corpo docente fizeram parte reconhecidas personalidades do vinho e do enoturismo que levaram os seus conhecimentos e experiência prática para dentro da universidade. Além disso, fizemos visitas a vários produtores nacionais e falámos ainda com outro género de empresas turísticas a praticar actividades de enoturismo. Para saber como nasceu o negócio, como se desenvolveu, como evoluiu, quais os pontos fortes e pontos fracos. Falámos sobre a verdade do Enoturismo nacional e internacional, fizemos comparações, analisámos o que podemos melhorar. A PG é ainda apadrinhada pela OMET – Organização Mundial de Enoturismo que, juntamente com a APENO, organizou os webinars internacionais.

Ter desenhado de raiz esta PG em parceria com a equipa destas prestigiadas instituições de ensino, identificando as matérias úteis para profissionalizar cada vez mais o sector e torná-lo uma referência mundial, foi um verdadeiro prazer. Um orgulho fazer parte deste projecto, que terá certamente seguimento no próximo ano lectivo.

ara que o Enoturismo funcione globalmente, incluindo a formação nesta área, é necessário que o governo olhe com outros olhos o Enoturismo, dando ao sector apoios específicos e fazendo um trabalho mais incisivo. Na área da formação, é fundamental trazer o enoturismo real para dentro das escolas, pessoas do sector que possam também dar um contributo que só dará valor crescente ao ensino. O futuro está à porta e é necessário que também a formação no Enoturismo passe por uma transformação que só irá beneficiar o sector.

Por Maria João de Almeida

Docente do Departamento de Turismo da Universidade Lusófona

Docente no IPLUSO/ESCAD

Presidente da Associação Portuguesa de Enoturismo – APENO

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