Sexta-feira, Agosto 12, 2022
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Agências recuperam vendas de 2019, mas combustíveis, aeroporto e falta de mão-de-obra são ameaças

As vendas das agências de viagens já superaram os valores de 2019, de acordo com diretores das redes de agências de viagens Airmet, Mercado das Viagens, Bestravel, Viajes El Corte Inglés e GEA. Em declarações ao TNews, Susana Fonseca, Adriano Portugal, Ricardo Teles, Ricardo Cardia e Paulo Mendes ressalvaram que as Caraíbas são o destino mais procurado pelos portugueses este ano, seguido por Cabo Verde e pela Tunísia. A falta de mão-de-obra, o aumento do preço dos combustíveis, e os constrangimentos nos aeroportos foram destacados como os principais desafios operacionais para 2022.

Vendas para o verão atingem valores acima de 2019

Susana Fonseca afirma que as vendas da Airmet para o verão “estão a correr muitíssimo bem”. Segundo a diretora de operações, o grupo de gestão de agências de viagens independentes não esperava “que a retoma fosse tão grande logo no ano seguinte após a pandemia”.

As vendas da rede Mercado das Viagens já superaram 2019, de acordo com Adriano Portugal. No entanto, apesar de ser um “bom indicador para o resto do ano”, o diretor geral da rede de agências de viagens ressalvou que “tal não significa que não existam preocupações e alguma incógnita em relação ao ano que vem”.

“Este ano foi absolutamente atípico. Viemos de uma pandemia, de uma experiência que nenhum de nós tinha tido anteriormente, mas, ao nível da Bestravel, as vendas têm estado a correr muito bem”, afirmou Ricardo Teles, diretor de contratação e de expansão da Bestravel, rede que teve de encerrar sete balcões durante a pandemia. “Entre janeiro e junho já estávamos, a nível de vendas globais, 2% abaixo de 2019 e com as agências que se mantêm, ou seja agências homólogas, estamos quase 10% acima do ano pré-pandemia”, sublinhou, notando que “2019 foi muito forte, o que significa que este ano está a correr muito bem”.

Ricardo Cardia, diretor geral da rede de agências El Corte Inglés, destacou que “as vendas estão a correr como na generalidade”, devido a uma reativação do mercado. Atualmente, a rede de agências de viagens está “acima das expetativas de vendas para este ano”. Contudo, apesar de neste verão as Viajes El Corte Inglés estarem acima de 2019, Ricardo Cardia salientou que “setembro e outubro vão ser meses mais longos, por isso temos de aproveitar o verão para vender o máximo e começar já a pensar no inverno”.

Paulo Mendes, diretor de contratação da GEA, também afirmou que “a evolução das vendas este ano está a ser bastante positiva, com uma procura bastante interessante”.

Caraíbas é o destino mais procurado este verão

“Os destinos das Caraíbas estão a ter uma ótima procura e as operações estão a correr bastante bem”, sublinhou Paulo Mendes, destacando que o nível de vendas da GEA “está muito acima do esperado face a 2019”. Os destinos mais vendidos “são os que têm uma forte procura nas operações charter, desde o longo ao médio curso”, de acordo com o diretor de contratação, que frisou que “os destinos de médio curso também estão a ter uma evolução interessante”. Países sem restrições à chegada, como a República Dominicana, Cuba, Cabo Verde e a Tunísia – em especial Djerba – e, mais recentemente, Saidia, em Marrocos, são os destinos mais procurados pelos portugueses para este verão, segundo Paulo Mendes.

Durante a pandemia “tivemos um mercado doméstico muito forte. Os portugueses viajaram mais no continente e nas ilhas, mas este ano há mais procura por operações charter porque há confiança de que este voos não estão a ser cancelados e isso é muito importante”, sublinhou.

Susana Fonseca nota que os destinos mais procurados “não fogem àquilo que já é habitual do cliente português, ou seja as Caraíbas”, que têm sido, de acordo com a responsável de operações, “muito bem sucedidas”. “A Tunísia também está praticamente vendida; as ilhas espanholas, que apesar de estarem com um preço mais elevado do que é habitual também têm tido alguma procura e Cabo Verde”. Susana Fonseca destaca, ainda, um novo destino charter: o Senegal, uma novidade na programação de verão da Solférias. “Houve um trabalho muito bem feito por parte do agente de viagens em conseguir promover o Senegal perante os clientes e o destino tem sido muito bem sucedido”, reiterou.

Adriano Portugal também destacou o Senegal como um destino que está a ter “bastante procura”, e considerou importante “que os operadores correspondam a estas soluções e alternativas de destinos, porque existe cada vez mais essa necessidade”. O diretor geral da rede de agências Mercado das Viagens defendeu que existem “destinos que estão saturados e outros que não estão a funcionar”, e que “compete aos operadores apresentar novidades no mercado”. Contudo, anunciou que o destino mais procurado continua a ser as Caraíbas, seguido por Cabo Verde e pela Tunísia.

O destino Maldivas foi “muito forte” tanto durante a pandemia como no início deste ano, mas durante o verão foi ultrapassado pelos destinos charter, segundo Ricardo Teles. Os destinos com mais procura na rede de agências de viagens Bestravel têm sido a República Dominicana; Djerba, na Tunísia; o México; e o Senegal. “A pressão sobre a oferta em alguns destinos fez com que o preço médio tenha baixado, principalmente nos destinos charter”, defendeu. “Os preços mais baixos significam que, para vendermos o mesmo que em 2019, temos de vender mais passageiros”, sublinhou o diretor de contratação e expansão da Bestravel.

As Caraíbas também têm sido o destino mais procurado pelos portugueses na rede de agências de Viagens El Corte Inglés, “devido à oferta”. Segundo o diretor geral, Ricardo Cardia, as ilhas espanholas também têm sido bem sucedidas, tal como a hotelaria em Portugal. Além destes destinos, a rede tem “tradicionalmente a Disney e os cruzeiros, que são dois grandes pilares nas vendas”, recordou.

Principais desafios da operação este ano

Um dos grandes desafios operacionais, apontado por Paulo Mendes, é a falta de mão-de-obra, “que cria uma deficiência no serviço prestado nos picos de procura”. O diretor de contratação da GEA defendeu que existe “um grande défice de recursos humanos no nosso setor, principalmente na parte operacional”.

Outra das questões levantadas por Paulo Mendes foi o suplemento de combustível, que “varia de companhia para companhia” e que “cria desconforto e desconfiança da parte do cliente, porque não é linear”. Este valor “mexe muito no orçamento final das famílias” e “cria dificuldades para as agências de viagens que estão na linha da frente, porque somos nós que temos que explicar ao cliente o porquê desta situação”, defendeu.

Ricardo Teles também acredita que, atualmente, este é um dos maiores desafios operacionais, motivado pela pressão da guerra na Ucrânia. O diretor comercial e de expansão da Bestravel destacou que “o aumento dos combustíveis é premente e global, a grande questão é que este suplemento de combustível está a chegar a níveis demasiado altos”, salientando que “já existem charters a mandar suplementos de combustível acima dos 8% do valor total da reserva, o que pelo decreto de lei 17/2018 permite ao cliente o cancelamento sem gastos”, o que, de acordo com Ricardo Teles, é negativo tanto para os operadores como para as agências, “porque apesar de não haver gastos, é uma venda que se perde”.

As infraestruturas aeroportuárias, principalmente do aeroporto de Lisboa, é outra das preocupações de Ricardo Teles. “A Bestravel já teve, inclusive, alguns clientes a dizerem que preferem adiar as férias para o final do verão, porque têm algum receio de arrancar de Lisboa como está atualmente”.

Ricardo Cardia apontou a captação de talento para o setor como um dos maiores obstáculos operacionais para este ano. “Um dos grandes desafios é manter as pessoas focadas e concentradas no seu trabalho, é captar o talento e manter essa motivação que tem sido chave para atingirmos o objetivo proposto”, afirmou. O diretor geral das Viajes El Corte Inglés recordou que “a empresa está a sofrer uma reestruturação por dentro, o que cria alguma ansiedade e levanta algumas questões dentro da organização”, mas garantiu que “a equipa tem reagido bem” e que vai “conseguir atingir o objetivo para 2022”.

“Os maiores desafios têm sido o eterno problema do aumento do combustível”, segundo Adriano Portugal. O diretor geral do Mercado das Viagens nota que “apesar de já ter acontecido no passado, ninguém estava preparado para isto”, ressalvando que “quando começou a guerra foi feito um alerta no grupo relativo a esta preocupação, mas é sempre difícil lidar com isto perante o público”. Adriano Portugal destacou, ainda, a falta de mão de obra no setor e os cancelamentos nos aeroportos como outros dois constrangimentos adicionais à operação. “A questão do aeroporto de Lisboa é realmente um grande problema, há várias frentes que temos que resolver de uma vez por todas, se houver boa vontade não só do trade mas também do governo”, reforçou.

“Toda esta gestão dos aeroportos está a ser um desafio, lidar com os possíveis atrasos que possam acontecer e que possam dar azo a várias reclamações e pedidos de indeminização por parte dos clientes”, sublinhou Susana Fonseca. A diretora de operações da Airmet salientou, ainda, que “o descontrolo das bagagens é também uma possibilidade”. Porém, tem uma visão positiva em relação ao futuro, acreditando que “este ano vai ser tudo muito bem sucedido” e garantindo que “neste momento tudo o que está lançado vai acontecer”.

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