A decisão da Administração dos Portos do Douro, Leixões e Viana do Castelo (APDL) de suspender a autorização de novos navios-hotel no Douro, depois de ter sido atingida a capacidade máxima atualmente estabelecida para este tipo de embarcações, está a ser bem recebida por agentes de viagens norte-americanos ouvidos pelo Travel Weekly, que consideram que a medida poderá ajudar a preservar a experiência turística no destino.
Segundo noticia o Travel Weekly, a autoridade portuária comunicou às companhias de cruzeiros fluviais, através de uma carta enviada em março, que tinha sido atingida a capacidade máxima para navios-hotel no Douro. Atualmente, cerca de 30 embarcações deste tipo navegam no rio.
Novos navios não poderão ser autorizados até que a APDL conclua uma avaliação da capacidade operacional do Douro. A autoridade portuária não respondeu aos pedidos de esclarecimento do Travel Weekly sobre a comunicação enviada aos operadores ou sobre o estudo em curso, pelo que permanece por esclarecer quando poderão voltar a ser concedidas novas autorizações.
A decisão surge numa altura em que a procura por cruzeiros no Douro tem levado várias companhias a reforçar a oferta. Só no último ano, a Riviera Travel lançou o Riviera Rose, a AmaWaterways introduziu o AmaSintra e a Viking estreou o Gyda. Para 2027, Scenic, Emerald, Uniworld e Tauck têm igualmente previstos novos navios, enquanto a AmaWaterways planeia lançar a sua quarta embarcação no Douro em 2028 e a Amadeus prevê estrear-se no destino nesse ano.
Contactadas pelo Travel Weekly, Uniworld, Viking e AmaWaterways afirmaram não antecipar impactos nas respetivas operações no Douro. A Riviera Travel e a Amadeus não comentaram a comunicação da autoridade portuária, enquanto a Tauck e o Scenic Group não responderam à publicação.
A situação foi também abordada em julho por Jennifer Tombaugh, CEO da Tauck, durante uma discussão sobre cruzeiros fluviais promovida pela Cleveland Research. A responsável antecipou que outras regiões europeias poderão adotar medidas destinadas a controlar a pressão turística. “Acho que vamos assistir a muito mais reação ao nível das políticas”, afirmou, acrescentando que poderão surgir “muito mais taxas e outras implicações” com impacto nos programas fluviais e terrestres em toda a Europa.
Agentes norte-americanos defendem preservação da experiência no Douro
Entre os agentes de viagens norte-americanos ouvidos pelo Travel Weekly, a suspensão de novas autorizações é vista como uma forma de evitar que o crescimento da oferta comprometa uma das características que ainda diferencia o Douro de outros grandes destinos europeus de cruzeiros fluviais.
Angela Hughes, CEO e fundadora da Trips & Ships Luxury Travel, considera que o destino ainda está longe de uma situação generalizada de excesso de turismo. “Não descreveria todo o rio ou o Vale do Douro como sobrelotados”, afirmou ao Travel Weekly, reconhecendo que “o Porto pode certamente parecer movimentado” e que pode existir congestionamento quando vários navios chegam ao mesmo local em simultâneo.
A responsável ressalva, contudo, que isso é diferente de considerar que o destino tenha sido prejudicado pelo turismo. “Grande parte da experiência continua a ser paisagística, intimista e muito especial”, acrescentou, considerando a decisão da autoridade portuária uma abordagem responsável à gestão da atividade turística.
Também Lena Arcedo, da Seven Heaven Travel, em Nova Iorque, considera que a APDL está a “proteger aquilo que torna o Douro especial”. “O Douro é um rio muito singular e parte do seu apelo está na sua dimensão e nas pequenas localidades ao longo do percurso”, afirmou. Para a agente, “a certa altura, se continuarmos a acrescentar navios, corremos o risco de retirar valor à experiência que leva as pessoas até lá”.
O Travel Weekly compara a situação do Douro com a de outros importantes rios europeus, como o Reno e o Danúbio, onde a concentração de cruzeiros faz com que seja frequente duas ou três embarcações ficarem atracadas lado a lado devido à limitação de espaço nos cais. Quando o navio não se encontra diretamente junto ao cais, os passageiros podem ter de atravessar outras embarcações para chegar a terra, uma realidade que, segundo a publicação norte-americana, ainda não se verifica no Douro.
Avaliação da capacidade deverá estar concluída no início do outono
A suspensão de novas autorizações é igualmente apoiada por Robbert Verbeek, CEO da Scylla, construtora e operadora de navios fluviais que trabalha com companhias como Tauck, Viva e Riviera. O responsável confirmou ao Travel Weekly que a empresa recebeu a comunicação da autoridade portuária em março.
“Acho que a abordagem é muito boa”, afirmou Verbeek, acrescentando que a APDL está a adotar uma perspetiva “holística” na avaliação da capacidade do rio. Para o responsável, a decisão demonstra uma preocupação em preservar a região tendo em vista o crescimento futuro do turismo.
Segundo Verbeek, a expectativa é que a avaliação da capacidade operacional do Douro esteja concluída no início do outono, devendo então tornar-se mais claro o enquadramento para a entrada de novas embarcações no rio.




