As filas intermináveis e o caos no controlo de passaportes do Aeroporto Humberto Delgado, em Lisboa, têm sido alvo de duras críticas por parte do setor do turismo. Profissionais da área denunciam falhas operacionais graves que prejudicam a experiência dos viajantes e ameaçam a reputação do país como destino turístico.
O CEO da Discovery Hotel Management (DHM), Luís Mexia Alves, partilhou esta sexta-feira, 1 de agosto, a sua experiência no LinkedIn, classificando a situação como um “caos absoluto”. No post, referiu que “filas para check-in que praticamente começam fora do edifício” e “passageiros à espera quase duas horas só para entregar a bagagem” retratam a realidade do controlo de fronteiras no aeroporto de Lisboa.
Para Luís Mexia Alves, “demorar três horas para chegar à porta de embarque não é uma falha pontual. É um sintoma grave de um sistema que está a falhar em algo fundamental: respeito pelos viajantes e pela reputação do país”.
O responsável alertou para o impacto direto da experiência aeroportuária na reputação de Portugal como destino turístico. “Se o início é um pesadelo, não interessa quantos hotéis excelentes, restaurantes premiados ou paisagens incríveis temos. A memória que fica é a do caos, da frustração e da sensação de desorganização”, frisou.
Segundo Luís Mexia Alves, a solução passa por liderança e ação imediata. Neste sentido, sublinhou: “Precisamos de infraestruturas que respondam à procura real, não a cenários de papel. Precisamos de planeamento operacional que antecipe, não reaja. Precisamos de investimento em tecnologia e pessoas com treino. Mas, mais do que tudo, precisamos de líderes que tratem o turismo como o ativo estratégico que é, e não como uma inevitabilidade que se aguenta apesar do caos. Se queremos ser levados a sério como destino de excelência, temos de agir como tal”.
A publicação gerou uma onda de comentários no LinkedIn, onde várias figuras do turismo teceram críticas severas. Cristina Siza Vieira, vice-presidente executiva da Associação da Hotelaria de Portugal (AHP), afirmou que a situação é “inqualificável”, apesar de ter sido “dito que estava em vias de resolução”. Para a responsável, o problema está na falta de “planeamento, operacionalização, monitorização e correção. Em suma: tomar decisões e executar. Liderança”.
Já Paulo Duarte, managing director da Memmo Unforgettable Hotels, apontou que a realidade no controlo de passaportes do aeroporto de Lisboa é “um dos muitos reflexos da incapacidade, pouca preparação e seguramente incompetência da gestão dos destinos do país”.
“Privatiza-se a gestão dos aeroportos sem precaver e garantir – com rigor de calendário, objetivos claros/mensuráveis e exigências por parte do país – a coisa mais básica que [um aeroporto] deve proporcionar: rapidez, eficiência e qualidade”, acrescentou Paulo Duarte.
Afonso Magalhães, diretor de Vendas do Andaz Lisbon, classificou o cenário como “uma autêntica vergonha”. O presidente da Comissão Executiva do ISCTE Executive Education, José Crespo de Carvalho, destacou que “até os aeroportos mais suspeitos em África dão 10-0 ao nosso”, afirmando que a situação é “uma vergonha para Portugal”.
Gonçalo Mexia Alves, diretor de Vendas da Octant Hotels, marca hoteleira do DHM, reforçou que evita o Aeroporto Humberto Delgado sempre que pode. “Faço mais de cem voos por ano e aproximadamente seis voltas ao mundo por ano. Sempre que posso evito Lisboa e vou por Madrid. Este ano já passei por 27 aeroportos e sem dúvida que o pior é Lisboa”, disse.
“Custa-me especialmente estar com agentes e operadores de viagens de todo o mundo, e os próprios conhecerem tão bem os problemas da ANA Aeroportos/Aeroporto de Lisboa como o nosso bonito Portugal”, realçou o profissional da Octant Hotels.
O CEO da Guestcentric, Pedro Colaço, sublinhou que “isto não é azar nem “pico de verão”; é má organização e gestão, e falta de respeito por um setor que alimenta muitas famílias”. Para o responsável, “quando o primeiro e último contacto com o país é o caos, todo o esforço de milhares de hotéis, restaurantes e profissionais que trabalham diariamente para elevar a fasquia da hospitalidade fica comprometido”.



