Quinta-feira, Maio 23, 2024
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Compromisso da Madeira é que recordes turísticos de 2022 não diminuam, aponta Eduardo Jesus 

O secretário regional do turismo da Madeira diz que o compromisso para o setor em 2023, nomeadamente na captação de turistas nacionais, é conseguir fazer “não menos” do que em 2022, ano de recordes, e com foco na rentabilidade das empresas.

“Em 2023 assumimos claramente que não queremos menos do que aconteceu em 2022. O ano de 2022 foi importante por várias razões: primeiro para recuperar os anos anteriores, mas fundamentalmente para tê-lo em consideração como o referencial para futuro”, afirmou o secretário Regional de Turismo e Cultura da Madeira e também presidente da Associação de Promoção da Madeira (APM), Eduardo Jesus, à Lusa, quando questionado pelas expetativas de desempenho e, nomeadamente, na captação de mais turistas a residir em Portugal.

No âmbito da recuperação pós-pandemia, a região autónoma direcionou uma campanha para o turismo interno, que o responsável descreveu como “um grito” ao país como que a dizer “a Madeira é vossa (…)” e quer receber os turistas nacionais “da melhor forma”. Um repto que – sublinhou – teve “as melhores consequências”.

Hoje, segundo Eduardo Jesus, o mercado português tem uma importância para a Madeira “como nunca tinha sido verificado”, tendo sido um dos grandes responsáveis pelo ano “incrível” de 2022, o melhor de sempre para o turismo do arquipélago.

Ainda assim, lembrando a dificuldade em fazer estimativas para este ano, num setor que “é o mais globalizado”, refere: “O trabalho e o compromisso que temos na gestão do setor é que 2022 seja uma base. Atingimos um patamar e não queremos que o patamar diminua”.

Em 14 de fevereiro, a Direção Regional de Estatística (DREM) anunciou que a Madeira registou um recorde de 9,6 milhões de dormidas em estabelecimentos turísticos em 2022. Este valor representa um aumento de 91,9% face a 2021 e de 17,8% relativamente a 2019, antes da pandemia de covid-19, segundo a DREM.

Em termos de mercados emissores, os turistas residentes em Portugal ascenderam a 1,8 milhões em 2022, um aumento de 48,1% face ao período homólogo.

A APM apresentou esta semana, em Lisboa, a nova campanha de promoção da região, num conceito “fora da caixa por admitir que, só ao estar presencialmente na Madeira e no Porto Santo, é que as pessoas conseguem experienciar ‘por inteiro’ tudo o que oferece” aquele destino.

Esta campanha multimeios – digital, ‘out of home’ e rádio – vai estar ativa durante todo este ano em Portugal e também nos mercados externos, numa versão adaptada. Este é mais um exemplo que Eduardo Jesus menciona do trabalho que está a ser feito.

“A Madeira está a fazer tudo – onde esta campanha se inclui, onde a nova comunicação se inclui, onde a aposta Internacional também se inclui – para que os níveis atingidos em 2022 sejam a melhor base de trabalho para nós. Agora, dizer que vai crescer X ou que vai diminuir X, isso depende muito das reações do mercado. O setor do turismo é o mais globalizado que existe”, disse o responsável à Lusa.

Eduardo Jesus refere ainda “outro aspeto muito importante” ocorrido em 2022 que foi “a valorização da oferta” da Madeira.

“O revpar [receita por quarto disponível] cresceu bastante e isso significa que os preços da oferta variaram positivamente e essa qualificação em valor que nós assistimos na Madeira deixa outro contributo ao setor. Isso é extremamente importante para os investimentos que são necessários fazer”, explicou, acrescentando que dada a permanente necessidade de estar sempre a investir, outro dos objetivos que têm “é manter os níveis de preço de oferta, de rentabilidade do setor, que permitam alavancar todo este setor nos próximos anos”.

No ano passado, a região autónoma arrecadou 528,8 milhões de euros de proveitos totais e 365,5 milhões de proveitos de aposento, tendo atingido máximos históricos também. Comparativamente a 2021, os proveitos totais e de aposento subiram 99,3% e 104,1%, respetivamente, sendo que face a 2019 esse incremento foi de 29,8% e 36,6%, assinalou a Direção Regional de Estatística.

Levado a comentar se acredita ser viável uma contínua subida dos preços, nomeadamente na hotelaria, dado a conjuntura, o governante ressalvou que “o preço vai resultar sempre do compromisso que existe entre a oferta e a procura”, acrescentando, ainda assim, que quando se pratica “um determinado preço e a procura vê correspondência no serviço”, há “uma base sólida para trabalhar”.

Sobre a procura de níveis de rentabilidade bons, Eduardo Jesus aponta “nomeadamente a grande questão que se coloca na mão-de-obra”, lembrando que sem melhores salários não se conseguirão reter pessoas num setor, cuja falta de trabalhadores tem sido um constrangimento ao desenvolvimento, sobretudo quando muitos abandonaram a atividade na pandemia.

“É muito difícil recuperar essas pessoas se não houver uma rentabilidade para elas bastante superior ao que tinham. Portanto, até por essa razão, acho que o setor tem que ter um nível de rentabilidade superior”, referiu.

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