Sábado, Março 7, 2026
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Contributos excêntricos para a afirmação de uma Transformação hoteleira

– parte II –

Vivemos tempos de Transformação…. A seguir aos conceitos de pandemia, COVID-19, crise, talvez a palavra do momento seja transformação. Começamos com a transformação digital, abrangente, onde quase tudo se encaixa e em tempos de confinamento e de comunicação virtual, o desenvolvimento tecnológico tem dado quase conta de tudo. E ainda bem. Mas daqui e se estiverem atentos surgem termos como transformação ecológica, transformação de Galileu, de Lorentz, de Dados, Linear, Química e a lista continua. Se formos ver, tudo é passível de mudança. E por isso mesmo em tempos de crescimento exíguo, de dúvidas e de receios, tem que haver transformação para que um novo ciclo nasça. Por isso mesmo falo de transformação hoteleira! Alguém afirmava que era importante sabermos para onde ir, se não, como saberemos que lá chegámos? Devemos aproveitar a crise para repensar modelos, processos e estratégias, e para transformar.

Dizem que estes avanços tecnológicos não se devem à pandemia que vivemos há quase dois anos (que muitos já estariam em curso) mas eu tenho para mim que o vírus tem funcionado como um propulsor na mudança das nossas vidas. A tecnologia está ao rubro e para aqueles que apreciam hotelaria, os conceitos mais referidos são inteligência artificial, realidade aumentada, realidade virtual, blockchain, criptomoeda… lá chegaremos ou como quem diz, sobre isso falaremos noutra altura. Hoje gostaria de sossegar aqueles que de alguma forma continuam cépticos relativamente às máquinas e partilhar que não há máquinas sem pessoas e, dificilmente, as máquinas chegarão a substituir as pessoas como nos mostrou Schwarzenegger na década de 80, no filme The Terminator.

Há vida além das máquinas, dos robôs e de todas as transformações, quer sejam digitais ou não. Nesta senda, continuarei a partilhar exemplos de hotéis excêntricos, cujo cerne não gira em redor das tecnologias virtuais ou da inteligência artificial. Gira sim, em torno da inteligência humana, da própria natureza e nalguns casos com o auxílio do mundo animal (agora era a altura em que surgia a bucha dos gatos – sucesso garantido na Internet). Nas redes sociais, existem dois tipos de fotografias que atraem likes e comentários: Gatos e Comida, mas vou pular estes temas, apesar de mais à frente, o discurso ser acerca de girafas e hamsters. Para já, espaço à natureza.

Para aqueles que sentiram claustrofóbicos, com os exemplos hoteleiros narrados na publicação passada, aqui ficam algumas sugestões de espaços abertos que variam entre a praia e a montanha. Os hóspedes que apreciam sol e mar podem experimentar o Sand Hotel em Inglaterra, localizado na praia de Weymouth, em Dorset. Trata-se do primeiro hotel feito de areia, matéria-prima utilizada para tudo, desde a cama, ao sofá e à mesa de cabeceira. Ainda no cenário de praia, surge o Palácio de Sal, na Bolívia. O nome diz quase tudo. Trata-se do primeiro hotel no mundo a ser construído com sal, da estrutura até os móveis. Localizado no Salar de Uyuni, o maior deserto de sal do mundo, os hóspedes podem desfrutar de guias e aproveitar a vista deslumbrante. E das latitudes da praia passamos para a montanha, o Hotel do Gelo, onde literalmente, tudo está gelado. Continuando com o elemento da água, mas neste caso em estado líquido, os hospedes do futuro podem experimentar o The Poseidon – hotel subaquático nas ilhas Fiji. Este resort tem um restaurante subaquático, um lounge, 20 suites luxuosas, uma suite temática, e um bungalow. Todas as tipologias de quartos são acessíveis a partir de um submarino que assegura o transporte.

E para os que dispensam o conforto e querem aventura, adrenalina em versão low cost, é apresentado, o Hotel Null Stern, na Suíça. Trata-se de um antigo abrigo nuclear suíço abandonado e convertido num hotel. “Null Stern” significa “zero estrelas”, e essa classificação é obtida porque os hóspedes não recebem muito mais do que uma cama e água quente. Os quartos são partilhados por seis hóspedes. Não obstante, este hotel não foi projetado apenas para viajantes com orçamento limitado, os seus criadores estão a comercializá-lo, como uma experiência social e uma oportunidade para os hóspedes privarem.

Para todos os apaixonados por animais, sugere-se o Hotel Tamimi, onde é possível jantar com as girafas Rothschild. O hotel encontra-se rodeado por 56 hectares de floresta indígena, fora de Nairobi, tradicionalmente a residência das girafas ameaçadas de extinção. O Hotel Tamimi é o único sítio no mundo, onde é possível ver as girafas comerem, tirar fotos e observá-las de muito perto. Mas, se em vez de lidar com animais, apreciasse ‘calçar os seus sapatos’, isto é, saber como é viver numa toca de ratos, por exemplo, a recomendação seria ir visitar a La Villa Hamster em Nantes. Trata-se de um hotel onde os humanos podem literalmente viver como hamsters, conforme referenciado pelo blog Atlas Obscura. Além da roda, os hóspedes do La Villa Hamster têm a oportunidade de beber água de um cano saído da parede, e ao lado encontram a comida pendurada num saco.

Ou como diria o nosso Fernando Pessa, o jornalista que viveu cem anos:

– “E esta hem!?”

Por Sofia Almeida

É professora na Universidade Europeia e investigadora no CEG/Territur, Universidade de Lisboa.

salmeida@universidadeeuropeia.pt

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