Francisco Calheiros, presidente da Confederação do Turismo de Portugal (CTP), afirmou esta terça-feira, dia 3, que o crescimento do turismo “não depende somente de mais turistas”. “Depende também de um ambiente favorável, com estabilidade governativa, decisões estratégicas atempadas e condições económicas que permitam às empresas do setor planear e investir com confiança.”
O responsável falava na sessão de abertura da 11º edição do Fórum de Turismo Interno “Vê Portugal”, que decorre em Anadia, entre os dias 2 e 4 de junho.
“No ano passado, comecei a minha intervenção com uma nota de esperança. Finalmente, Portugal tinha uma decisão sobre a localização do novo aeroporto. Passado um ano, infelizmente, continuamos sem avanços significativos e temo que a espera se prolongue, uma vez que acabamos de entrar num novo ciclo governativo e ainda sem certezas de estabilidade”, referiu, deixando claro que esta espera “terá um custo”.
Francisco Calheiros não poupou as críticas, salientando que o aeroporto “revela evidentes sinais de saturação”, que se agravaram com a entrada do novo sistema de controlo de fronteiras.
Esta realidade, segundo o responsável, “afeta gravemente a experiência dos turistas e compromete a imagem de um país que quer afirmar-se como um destino competitivo, moderno e eficiente”.
Para o presidente da CTP, é fundamental que este novo ciclo político traga estabilidade governativa, uma visão clara para o futuro e, acima de tudo, capacidade de execução.
“A verdade é que, ano após ano, eleições após eleições, os desafios que enfrentamos continuam a ser os mesmos: a necessidade de uma verdadeira reforma do Estado, a privatização da TAP, a execução do PRR e a falta de novas decisões sobre o novo aeroporto.”
Mais do que aumentar a capacidade de entrada de turistas, Francisco Calheiros considera que o aeroporto é essencial para melhorar a ligação e o acesso a regiões estratégicas como o Centro e o Alentejo. “Com um novo aeroporto potenciamos a circulação e o desenvolvimento turístico por todo o país, o que se traduz num impacto positivo e equilibrado para o turismo interno.”
Enquanto isso, o turismo “não pode parar”. “Temos de continuar a trabalhar com as infraestruturas que existem e otimizá-las. Mas temos de exigir mais. E refiro-me, em particular, à ferrovia. Portugal precisa urgentemente de uma rede ferroviária moderna, rápida, eficiente e cómoda. Não apenas para ligar Lisboa ao Porto ou a Madrid, mas para encurtar distâncias dentro do nosso próprio território.”



