Cuba registou uma quebra acentuada no número de turistas internacionais no primeiro trimestre de 2026, com uma descida de 48% face ao mesmo período do ano passado, agravando a crise no setor. Entre janeiro e março, a ilha caribenha recebeu 298.057 visitantes estrangeiros, segundo dados divulgados pelo Instituto Nacional de Estatística e Informação (ONEI).
Só em março, chegaram a Cuba 35.561 turistas, depois de 77.663 em fevereiro e 184.833 em janeiro. Em termos comparativos, a média mensal de visitantes no primeiro trimestre de 2023 e 2024 rondava os 250 mil.
Por mercados emissores, o Canadá manteve-se neste trimestre como o principal país de origem, com 124.794 turistas, enquanto a Rússia contribuiu com 20.917 visitantes. Ambos os mercados registaram descidas significativas de 55,2% e 37,5%, respetivamente.
Também as visitas da comunidade cubana ao estrangeiro diminuíram, recuando 32,8% para 34.233 entradas no primeiro trimestre, de acordo com o ONEI.
O turismo, um dos pilares da economia cubana, já evidenciava sinais de fragilidade em 2025, ano em que se registaram os piores resultados desde 2002, excluindo o período da pandemia. Entre os principais fatores que afetam o setor turístico está a pressão dos Estados Unidos sobre a ilha, nomeadamente o bloqueio petrolífero, que tem afetado a operação aérea e a atividade hoteleira.
Desde o início do ano, as principais rotas aéreas, sobretudo provenientes do Canadá e da Rússia, foram canceladas devido à escassez de combustível. Na Europa, recentemente a Iberia anunciou a suspensão dos voos diretos para Cuba em junho, prevendo retomar a rota em novembro, caso as condições o permitam.
Em fevereiro, operadores turísticos como a Newblue, da World2Meet (W2M), e a Travelplan, do grupo Ávoris, cancelaram a sua programação para Cuba, face às dificuldades relacionadas com o abastecimento de combustível de aviação. Em paralelo, diversos hotéis encerraram temporariamente as portas por falta de procura.
A incerteza em torno das relações entre os EUA e Cuba, aliada à crise económica e energética interna, continua a fragilizar as perspetivas do turismo. A deterioração dos serviços e da experiência turística, associada à situação que o país atravessa, também tem contribuído para a perda de competitividade do destino.
Em 2025, Cuba recebeu pouco mais de 1,8 milhões de turistas estrangeiros, abaixo da meta oficial de 2,6 milhões. Em 2024, foram registados 2,2 milhões de visitantes e, em 2023, 2,4 milhões.
Os atuais níveis estão longe dos máximos históricos alcançados em 2018 (4,6 milhões) e 2019 (4,2 milhões), período marcado por uma aproximação diplomática entre Estados Unidos e Cuba e pelo alívio das restrições impostas por Washington às viagens à ilha.
Atualmente, o desempenho de Cuba contrasta com o de outros destinos das Caraíbas, como Punta Cana, na República Dominicana, e Cancún, no México, que têm vindo a atingir recordes de procura no pós-pandemia.


