A impressão 3D não é uma tecnologia recente, mas, durante anos, esteve sobretudo confinada aos bastidores da indústria. Esse cenário começa agora a mudar. Com projetos como um hotel totalmente impresso em 3D já em desenvolvimento, componentes de cabina aérea produzidos por esta via e até aplicações na área de F&B, é cada vez mais provável que os viajantes entrem em contacto direto com esta tecnologia nas suas próximas viagens.
Atualmente, a impressão 3D permite transformar ideias em objetos físicos em horas ou semanas, em vez de meses. Esta rapidez torna-a uma solução atrativa para prototipagem e produção, com vantagens ao nível de custos, eficiência e sustentabilidade. A Business Traveler analisa como esta tecnologia está a impactar diferentes segmentos do setor das viagens.
Hotéis

No setor hoteleiro, um dos projetos mais ambiciosos está a ser desenvolvido nos Estados Unidos. A hoteleira Liz Lambert associou-se à empresa de impressão 3D ICON para criar uma nova versão do retiro El Cosmico, no deserto do Texas. O projeto, assinado pelo estúdio de arquitetura Bjarke Ingels Group, deverá tornar-se o primeiro hotel do mundo totalmente impresso em 3D, com abertura prevista para este ano. O empreendimento ocupará cerca de 24 hectares e é composto por estruturas cilíndricas, criadas camada a camada por um sistema de impressão de grande escala.
Paralelamente, cadeias como a citizenM e a Our Habitas estão a apostar na impressão 3D modular. Neste modelo, os quartos são produzidos em módulos planos, transportados e montados no local, num conceito comparável a sistemas de montagem pré-fabricada. De acordo com um estudo do Modular Building Institute, esta abordagem pode reduzir os custos de construção em cerca de 16% e os prazos em 36%, além de apresentar benefícios ambientais, ao diminuir o uso de betão aplicado diretamente no solo.
Já nas Maldivas, está previsto o MZK Eco Resort, apresentado como um futuro resort impresso em 3D, com recurso a materiais reciclados de origem local, numa tentativa de conciliar inovação tecnológica com preservação ambiental.
A tecnologia também tem sido utilizada em projetos de menor escala e mais experimentais. Na Torre Capitolare, em Porto Venere, Itália, a única suite disponível está equipada com mobiliário escultórico impresso em 3D, incluindo cadeiras e uma cama com detalhes em ouro de 24 quilates, ilustrando como a impressão 3D pode ser integrada em propostas de hotelaria de nicho e design diferenciado.
Aviação
Na aviação, a impressão 3D surge como uma solução potencial para desafios recorrentes de manutenção e logística. A possibilidade de produzir peças sobresselentes rapidamente, e até no próprio local, pode reduzir tempos de imobilização das aeronaves e minimizar atrasos.
Fabricantes como a Boeing e a Airbus já utilizam impressão 3D para desenvolver componentes mais leves, contribuindo para uma maior eficiência no consumo de combustível, bem como para acelerar a criação de protótipos.
No segmento das companhias aéreas, a Etihad Airways Engineering estabeleceu uma parceria com a empresa alemã BigRep para o desenvolvimento de componentes de cabina impressos em 3D. Já a LOT Polish Airlines recorreu a esta tecnologia para produzir cerca de 1.200 capas de apoio de braço destinadas à sua frota de Boeing 737, respondendo a problemas de desgaste frequente.
F&B
A aplicação da impressão 3D estende-se também à área da alimentação, com possíveis implicações para a hotelaria e a experiência do cliente. Um relatório prospetivo da easyJet antecipa um futuro em que os hóspedes poderão imprimir refeições em hotéis, através de equipamentos capazes de criar alimentos a partir de purés comestíveis, depositados em camadas.
Algumas iniciativas já estão em curso. A pastelaria francesa Maison Bécam investiu na Patiss3, considerada a primeira impressora culinária 3D dedicada à produção de bolos. Por outro lado, empresas do setor alimentar têm explorado esta tecnologia para responder a novas tendências de consumo, como alternativas à carne. A Beyond Meat apresentou recentemente um bife vegetal impresso em 3D, com textura e marmoreado semelhantes aos da carne convencional.
Nos Estados Unidos, a start-up Smart Cups desenvolveu copos com bebidas e sopas desidratadas impressas em 3D no fundo do recipiente, bastando adicionar água para o consumo, uma solução que pode vir a ter aplicações em contextos de viagem e transporte aéreo.




