Numa altura em que o Brasil espera receber cerca de 320 mil turistas portugueses até ao final de 2026, Bruno Reis, presidente da Embratur, admite que o mercado português “é muito importante” não só pela chegada de novos turistas, mas também pela “possibilidade de atração de investimentos”. Em entrevista ao TNews, o responsável pela entidade revela ainda que gostaria de ver criadas novas ligações para Cuiabá ou Campo Grande “como portas de entrada para o Pantanal”.
Bruno Reis assumiu o cargo de presidente da Embratur em abril, sucedendo a Marcelo Freixo. Sobre o novo mandato, afirma que a estratégia da entidade se mantém igual à já delineada no Plano Brasis até ao final de 2027. “Na verdade, é conduzir a estratégia que já tínhamos adotado no Plano Brasis, que é o plano de marketing, onde definiram quais são os mercados emissores, os nichos e os segmentos.
Posto isto, disse que os principais destinos emissores são a Argentina, o Chile, os Estados Unidos e o Paraguai. A Europa aparece logo de seguida, com Portugal, França, Espanha e Itália em destaque. Bruno Reis acredita que o continente europeu pode crescer enquanto mercado emissor graças ao aumento do número de ligações aéreas para o Brasil. “Além da TAP, da GOL, da Latam e da Azul, que fazem voos [a partir] de Portugal, tivemos um crescimento de voos como da Air France para Salvador e da Iberia para Fortaleza e Recife”.
O presidente da Embratur refere ainda o Programa de Aceleração do Turismo Internacional (PATI), criado para reforçar a conectividade aérea direta para o Brasil. A iniciativa, segundo o responsável, permite criar novas ligações aéreas, através de uma parceria entre a Embratur, os aeroportos e os próprios destinos turísticos.
Por outro lado, identifica o próprio mercado brasileiro como um dos maiores desafios da conectividade aérea. “O mercado brasileiro é muito potente. Os brasileiros consomem os assentos dos aviões indo e voltando. O nosso desafio é também colocar esse turista estrangeiro – europeu, norte-americano, canadiano e sul-americano – no assento do avião”.
Para responder a este desafio, Bruno Reis afirma que a Embratur pretende incentivar uma maior antecedência na compra por parte dos turistas brasileiros, procurando distribuir a procura ao longo do período de vendas e contribuir para preços mais competitivos. A estratégia passa também por reforçar a articulação com companhias aéreas, operadores turísticos, OTAs e agências de viagens.
Importância do mercado português
O Brasil recebeu até julho mais de 177 mil turistas portugueses. Para 2026, a expectativa é atingir entre 300 e 320 mil visitantes. “O mercado português é muito importante para a Embratur porque não chegam só novos turistas portugueses descobrindo o Brasil, mas também a possibilidade de atração de investimento”, explica, destacando a Vila Galé, que tem vindo a reforçar os seus investimentos no Brasil, nomeadamente em Curitiba e São Luís, dois destinos que passaram recentemente a contar com ligações aérea a Lisboa. “É muito importante que o mercado português se estabeleça porque isso demonstra uma preocupação a longo prazo”.
No que diz respeito aos destinos brasileiros mais procurados pelos portugueses, o Rio de Janeiro e São Paulo continuam a destacar-se como principais portas de entrada. No Nordeste, o responsável destaca Natal, Salvador, Recife e Fortaleza, além de Maceió, que beneficia de voos charter.
Questionado sobre que novas ligações entre Portugal e o Brasil gostaria de ver criadas nos próximos anos, Bruno Reis aponta para a região Centro-Oeste, nomeadamente para Cuiabá ou Campo Grande, como possíveis portas de entrada para o Pantanal.
“Talvez eu perceba que algo para Cuiabá ou Campo Grande poderiam ser uma opção interessante para levar passageiros portugueses e europeus para essa região do Pantanal”, afirma Bruno Reis, salientando o potencial da região para o turismo de natureza, nomeadamente pela observação de fauna, flora e birdwatching.
Além do potencial turístico, Bruno Reis destaca também a existência de um forte mercado emissor nestes estados, com passageiros interessados em viajar para a Europa.
BTL 2027
A Embratur vai estar presente na BTL 2027. Um dos seus objetivos para a próxima edição da feira é promover as novas ligações aéreas entre Portugal e o Brasil junto dos agentes de viagens portugueses. “A gente quer falar dessas novas conexões com o Brasil (…), e reforçar isso com os agentes de viagens para termos de facto um investimento para que se venda mais Brasil”.
“O que estamos a perceber é que podemos aumentar o nosso market share em relação à concorrência, em relação ao Caribe, em relação a Marrocos, em relação a outros destinos perto daqui. A gente poderia ter uma estratégia comercial com os agentes de viagens para que de facto haja um programa de incentivo para se vender Brasil”, refere, acrescentando que a Embratur pretende reforçar as novas rotas já lançadas.
Turismo internacional
Em 2025, o Brasil recebeu um recorde de 9,3 milhões de turistas internacionais. Para 2026, a Embratur prevê que o país possa atingir um novo recorde, mas sem certezas, uma vez que o resultado dependerá do cenário geopolítico e macroeconómico, bem como da evolução da procura internacional.
“Existe uma previsão de ficarmos entre 9,8 e 10,1 milhões, pela quantidade de assentos que estão ofertadas”, explica o responsável. Apesar de, até ao momento, o número de visitantes se manter “no mesmo patamar” do ano passado, Bruno Reis destaca o aumento da capacidade aérea disponível. É o caso da nova ligação da GOL entre Lisboa e o Rio de Janeiro, que, entre o lançamento da rota em setembro e o final do ano, deverá acrescentar cerca de quatro mil lugares à oferta. “Então pode ser que de facto a gente tenha um número maior”, afirma.




