Quinta-feira, Setembro 29, 2022
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Empresas do setor das viagens devem aceitar pagamentos com criptomoedas?

A indústria de viagens está realmente a vivenciar uma revolução das criptomoedas? Será que as empresas do setor das viagens deveriam estar a explorar este sistema de pagamento digital? E o que precisa de ter em consideração quando se trata desta tecnologia e dos seus riscos? A Belvera Partners, empresa de consultoria de relações públicas de tecnologia de viagens, entrevistou vários peritos de empresas de tecnologia de viagens para ouvir as suas opiniões.

Há muito mais atividades no setor das viagens relacionadas com a criptomoeda do que podemos pensar inicialmente. A Expedia tem mais de 700 mil hotéis que aceitam reservas via Bitcoin (e 30 outras moedas digitais) e a Pavilion Hotels and Resorts – uma cadeia com sede na região APAC que detêm hotéis em todo o mundo – começou a aceitar, em julho deste ano, pagamentos com 40 tipos diferentes de criptomoeda.

Paralelamente, no espaço aéreo, a Air Baltic começou a aceitar pagamentos em criptomoeda em 2014 e a companhia aérea espanhola Vueling anunciou recentemente planos para começar a aceitar criptomoedas a partir de 2023. As caixas automáticas Bitcoin estão também a revelar-se populares, tendo inicialmente aparecido em estações de serviço e centros comerciais nos EUA, mas estão recentemente a chegar aos principais aeroportos espanhóis.

“Tivemos um ou dois grupos hoteleiros a perguntar sobre isto com toda a certeza. Mas uma vez explicadas as complicações envolvidas para permitir aos hóspedes pagar com criptomoedas, deixaram de estar interessados, particularmente como método para pagamentos presenciais. Isto porque a maioria dos hotéis ainda nem aceita um pagamento com cartão de crédito através da internet. Mesmo pagamentos através do PayPal e da AmazonPay são difíceis de encontrar em hotéis. Todo o processo de depósito, quando faz o check-in e deixa o seu cartão de crédito na receção para pagar as despesas de mini-bar ou danos, também é difícil de solucionar, porque não há maneira de o fazer atualmente com criptomoedas. Por todas estas razões, nos próximos anos a criptomoeda ainda não estará presente como método de pagamento dos hotéis, à exceção talvez de um número muito pequeno de unidades hoteleiras”, afirmou James Montague, diretor sénior de Segurança & Integrações do líder de tecnologia hoteleira Shiji Group.

Matthew Chapman, co-fundador e CTO do fornecedor de tecnologia de reservas de viagens Vibe comentou: “Há algumas empresas de viagens – e muitas empresas de consumo em geral – que estão agora a começar a aceitar criptomoedas. Mas é preciso compreender que, em quase todos os casos, as empresas estão a utilizar algum tipo de plataforma intermediária para tratar do pagamento, tal como a Coinbase ou BitPay. Por outras palavras, estão a adicionar criptomoedas tal como podem adicionar qualquer outra moeda não digital que não aceitem ou operem atualmente, tal como o won da Coreia do Sul, ou dólares de Singapura – e quase de certeza que estão a converter imediatamente essa criptomoeda em ‘fiat currency’ (a moeda normal, real, não digital que todos conhecemos, a fim de evitar qualquer risco de volatilidade cambial). Se estiver a pensar nisto, considere que todas estas plataformas de pagamento cobram aos fornecedores uma pequena taxa e, claro, existem recursos de implementação necessários para o fazer. Existem também implicações fiscais em algumas jurisdições, o que torna necessário um registo extra-contabilístico”.

“Há muitas questões que os hoteleiros podem estar preocupados. Para começar, com milhares de criptomoedas no mundo, os hoteleiros teriam de rever continuamente as que querem aceitar e as que não querem. Também poderiam estar preocupados com a necessidade de terem os seus preços continuamente a flutuar para se manterem a par da última avaliação da taxa de câmbio. Em ambos os casos, a resposta é que existem empresas com ferramentas que podem lidar com esta e com a maioria das outras questões técnicas ou relacionadas com o risco que um hoteleiro possa ter, compreensivelmente. A questão é: a que custo? E de que tecnologia e recursos internos necessita para resolver o problema? Em última análise, embora se reduza à procura, se todos os seus clientes de repente quisessem começar a pagar em Pesos Mexicanos ou Dólares da Nova Zelândia, encontraria uma forma para tornar isso possível. Olhando para o futuro, parece que o metaverso vai ser um ecossistema onde a ‘crypto’ será o método de pagamento padrão, por isso os hoteleiros devem ter isso em mente”, defendeu Alex Barros, diretor de Marketing e Inovação da Beonprice, plataforma de gestão de receitas e rentabilidade total para o setor hoteleiro.

Fabian Gonzalez, fundador da Forward_MAD, um evento turístico de luxo a decorrer em Madrid entre 5 e 7 de outubro, afirmou: “O setor do turismo de luxo é o primeiro a fornecer aos hóspedes o que eles exigem. Em primeiro lugar porque têm uma mentalidade de serviço, claro, mas em segundo lugar porque o dinheiro é menos importante para o seu público-alvo, pelo que o dinheiro que gastariam com a implementação da criptomoeda não seria um problema: haverá sempre hóspedes dispostos a pagar. Assim, quando se trata de criptomoedas, se houver procura, mesmo que seja pouca, os hotéis de luxo serão rápidos a encontrar uma forma de aceitar o pagamento – até porque há muitos serviços por aí agora que transformam a criptomoeda em ‘fiat’ (dinheiro real) instantaneamente e sem qualquer risco. Neste momento parece que qualquer procura é realmente minúscula, mas há indícios de esteja a crescer entre os viajantes abastados. Dito isto, até à data, não vi nenhum projeto baseado em ‘blockchain’ que resolva um problema real para os fornecedores da indústria das viagens de forma mais eficiente do que outras tecnologias existentes. A minha opinião é que os hotéis que atualmente aceitam criptomoeda estão a fazê-lo como uma forma de marketing – e estão a ser bastante bem sucedidos, dado que alguns hotéis conseguem muita publicidade gratuita ao fazê-lo. Este é um tema que iremos explorar durante a nossa conferência, pois sabemos que muitos participantes têm perguntas e dúvidas a este respeito”.

“Há mais de um milhão de dólares investidos neste momento em criptomoedas. Trata-se de uma economia do tamanho de uma pequena nação bem desenvolvida e muitos desses investidores são pessoas normais. Como a criptomoeda é um ativo muito fácil de liquidar, muitos desses investidores estão a utilizar os seus fundos para pagar grandes bilhetes, férias, etc. Então porque não facilitar-lhes essa decisão de compra, permitindo-lhes pagar diretamente com criptomoedas? No entanto, neste momento, este não é claramente um método de pagamento muito comum. Mas isso vai potencialmente mudar à medida que as moedas estáveis – criptomoedas cujo valor está indexado a moedas do mundo real como o dólar ou o euro – se tornam cada vez mais populares. Talvez agora possa ser o momento para se antecipar à tendência? Independentemente da sua opinião sobre isto, há um outro ponto importante a ser considerado sobre criptomoedas e viagens: a tecnologia da ‘blockchain’ por detrás das criptomoedas será brevemente utilizada para alimentar todo o tipo de experiências de viagens, em particular programas de fidelidade e pontos à medida que se tornam – talvez totalmente desconhecidos para o utilizador – NFTs baseadas em blockchain. Estamos apenas no início e existem oportunidades massivas que nem sequer conseguimos imaginar”, é a opinião de Alice Ferrari, fundadora e CEO do fornecedor de tecnologia API.

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