Segunda-feira, Agosto 8, 2022
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Entrevista Azul: “O nosso objetivo principal é retomar os dois voos diários para Lisboa”

A companhia aérea Azul vai aumentar a operação na rota entre São Paulo (Campinas) e Lisboa, passando a operar um total de 10 voos por semana a partir de 2 de março. Este aumento traduz-se em mais 42% na oferta de assentos. No futuro, o objetivo é voltar a ter dois voos diários. Em entrevista ao TNews, Giuliano Ponzio, general manager da Azul para a Europa, admite voltar a repor a ligação entre o Porto e São Paulo. O responsável sublinha ainda a importância dos agentes de viagens portugueses para o negócio da companhia.

A Azul vai aumentar a operação na rota entre São Paulo e Lisboa, passando a operar um total de 10 voos por semana a partir de 2 de março. Como tem corrido esta operação e qual é a vossa expectativa face a este aumento?
A Azul sempre acreditou na rota São Paulo (Campinas) – Lisboa e mesmo no auge da pandemia não deixamos de realizar essa ligação. O aumento das operações é mais uma ação que reforça nosso compromisso com Portugal. Já é possível ver o aumento na antecipação da compra isso nos permite realizar um melhor planeamento. O mercado tem respondido muito bem às novas frequências e estamos confiantes que ao continuar nessa tendência conseguiremos atingir nosso objetivo de retomar os dois voos diários que tínhamos a Lisboa.

Que tipo de tráfego encontramos nesta rota?
Para as vendas realizadas no Brasil, já vemos um incremento o fluxo de turistas brasileiros visitando Portugal, o que é muito positivo para a economia local. Para as vendas realizadas em Portugal e na Europa, o tráfego principal que encontramos neste momento ainda é o étnico, ou seja, o brasileiro que mora em Portugal e vai ao Brasil visitar familiares. A pandemia trouxe mudanças no comportamento do cliente de negócios, entretanto já identificamos pequenos sinais de reação. O tráfego de lazer de Portugal ao Brasil ainda está muito abaixo que em 2019.7

A ligação São Paulo-Porto poderá ser retomada no futuro?
Para o ano de 2022, o nosso objetivo principal é retomar as 14 frequências semanais que tínhamos a Lisboa. A partir de março já chegaremos a 10 por semanas, o que nos coloca mais próximos à meta estabelecida.
O voo do Porto vinha com desempenho satisfatório antes da pandemia, pois ligávamos o norte de Portugal e captávamos negócio na Galiza também. Por isso nunca chegamos a cancelar a rota, apenas a suspendemos. Sem dúvida segue em nosso radar e estamos constantemente analisando a curva da procura para voltar ao Porto, entretanto de momento é prematuro precisar uma data concreta.

Que ações de promoção estão planeadas para o mercado português e em específico com o trade?
A atuação comercial da Azul em Portugal é 100% voltada ao trade. As agências são essenciais para nosso negócio, sempre procurámos oferecer condições competitivas, realizando também ações tarifárias e de marketing. Temos dedicada uma equipa comercial e de suporte as que são muito próximos do trade, gerando segurança e confiança ao mercado para vender Azul.

“Em 2022, retornaremos À BTL e estamos muito confiantes com a retoma dos negócios. Estamos a estudar a realização de roadshows pelo país também”.

Qual é a importância do mercado português para o negócio da Azul?
A operação da Azul em Portugal é muito relevante pois conecta dois países que são historicamente interligados. O fluxo de passageiros e de cargas entre ambos os países é muito expressivo, e apesar da concorrência que há na rota, estamos bastante satisfeitos com o desempenho do voo. A contribuição das vendas no mercado português tem crescido a cada ano, o que nos deixa confiantes de que estamos no caminho certo.
Essa rota também é a porta de entrada de nossos clientes para a Europa, principalmente através da extensa conectividade que temos junto à TAP.

Como é que a pandemia impactou o negócio da Azul no Brasil? A empresa concentrou-se sobretudo nas rotas domésticas?
A pandemia atingiu bastante o setor aéreo. Muitos dos nossos aviões ficaram no solo. No começo de março de 2020, nossa operação era de aproximadamente mil voos por dia e, quando chegou a fase mais aguda de restrições de circulação, passamos a operar uma média de 70 voos por dia.
Mas há pontos positivos para olharmos: a nossa unidade de negócio de logística, a Azul Cargo Express, cresceu exponencialmente. Durante o período de quarentena, as compras por e-commerce aumentaram significativamente e isso aqueceu a nossa unidade de logística, fazendo com que ela conquistasse um importante espaço na receita da companhia.
Além disso, evoluímos em diversos processos internos como o alto investimento em tecnologia e experiência do Cliente, para garantir aos nossos Clientes uma jornada completa, cômoda e com atrativos que só a Azul oferece. O exemplo que gosto de citar é o Tapete Azul que, por meio da tecnologia de realidade aumentada, indica ao Cliente o momento certo de embarcar, e as bancadas digitais de autoatendimento para etiquetagem de bagagem, em que cada Cliente consegue, por conta própria, imprimir e etiquetar a mala, deixando-a pronta para o despacho.

Em 2022, qual será a vossa percentagem de ligações repostas comparativamente ao período antes da pandemia? Na rede doméstica e na rede internacional?
A Azul sempre esteve muito otimista e espera uma trajetória positiva tanto em termos de oferta como em termos de demanda para 2022.

Atualmente, já operamos em mais de 130 destinos no Brasil e 5 destinos internacionais, incluindo Portugal, enquanto antes da pandemia voávamos para 116 cidades. E os nossos planos não param aí, a nossa expectativa é de chegar a 150 cidades atendidas.

Quais serão os grandes desafios da companhia para 2022?
O avanço da vacinação, a flexibilização de circulação de pessoas e o desejo do das pessoas na retoma das viagens trazem perspetivas muito boas para a companhia e para o setor aéreo no geral. Falando da Azul, estamos voando cerca de 900 voos por dia para mais de 130 destinos e a empresa planeia ampliar ainda mais a oferta, ultrapassando até mesmo os níveis de antes desta crise. Conseguimos crescer nos últimos meses e enxergamos um horizonte azul e cheio de possibilidades para 2022.
Um desafio que ainda esperamos para os próximos alguns meses é a alta do dólar, que impacta diretamente os custos da companhia. O combustível, por exemplo, que é o insumo mais caro para a aviação e o que tem maior participação nos custos totais, aumentou enormemente em relação aos anos anteriores. Hoje, o combustível de aviação custa 25% a mais do que em 2018/2019. O câmbio também tem participação direta na operação de uma companhia aérea, isso porque os nossos custos estão indexados ao dólar e muitos materiais são importados, além de sermos uma empresa global. Mas estamos buscando formas de sermos ainda mais eficientes mesmo com o cenário desfavorável.

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