Segunda-feira, Março 4, 2024
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Entrevista Pinto Lopes Viagens: “Não nos acomodamos e essa é uma das nossas características principais”

A comemorar 50 anos de existência, a Pinto Lopes Viagens é uma das mais conceituadas empresas portuguesas a operar no segmento das viagens em grupo, culturais e de autor. Agência, e ao mesmo tempo operador turístico, a Pinto Lopes já criou mais de 800 roteiros nestas cinco décadas e mesmo assim ainda consegue imprimir um cunho pessoal e ter fatores diferenciadores, garante o CEO, Rui Pinto Lopes. Em entrevista ao TNews, faz o balanço destes 50 anos de atividade e fala do desenvolvemento de projetos futuros, que passam pela qualidade e satisfação do cliente.

Quais foram os momentos mais marcantes ao longo dos 50 anos de existência da Pinto Lopes Viagens?

Celebrar 50 anos de existência é algo muito especial e muito raro no mundo das viagens. Por isso, foram muitos os momentos que marcaram estas cinco décadas. O início de todo este percurso, o ponto de ignição, digamos assim, de toda esta aventura foi em 1973, e estávamos numa época completamente diferente da de hoje, num outro regime político, com outro poder económico, outras estradas. Existia muito menor conhecimento do exterior, tudo era desconhecido, ainda não tinha sido criado o Google que está a comemorar, apenas, 25 anos (risos). Por isso, falamos de outros tempos e talvez possamos apontar este início, o arranque, como um momento realmente marcante para a Pinto Lopes Viagens. Depois, a evolução de Portugal, do Mundo, a evolução das tecnologias, são fatores que levaram à evolução da Pinto Lopes Viagens. Em 1992, tivemos a liberalização do espaço aéreo, os bilhetes de avião tornaram-se mais apetecíveis a nível de preço e esse foi outro momento importante, porque marca a expansão da Pinto Lopes Viagens. Tivemos a oportunidade de abrir novas rotas, chegar a mais destinos e, consequentemente, ter mais viajantes. Deu-se uma maior abertura para os destinos intercontinentais e mesmo até para destinos mais longínquos dentro da própria Europa. Outro período marcante na nossa história deu-se ainda em 1992, com a Expo 92 de Sevilha, foi um regresso às exposições mundiais algo que já tinha acontecido no passado – a Torre Eiffel surgiu com uma exposição mundial, em 1889. O Grand Palais, o Petit Palais, o Palácio de Cristal, em Londres, que já não existe hoje, são tudo obras que surgiram em exposições internacionais e mundiais que aconteceram pela Europa, essencialmente, depois da Revolução Industrial. Quando o Mundo, com a Europa à cabeça, retoma estas exposições em 1992 foi para nós um momento marcante, pois foi um momento de viragem em que fizemos uma operação, que hoje chamaríamos de séries, de 35 grupos para a Expo Sevilha 92. Foi um acontecimento, há mais de 30 anos, que nos catapultou. Deu-nos um maior conhecimento do público e uma maior experiência na gestão de uma série de viagens de grande dimensão para a época. Assim como a Expo 98, em Lisboa, onde fizemos quase uma centena de grupos, o que nos continuou a trazer muita experiência na gestão de circuitos em série e em quantidade. São momentos importantíssimos na nossa história. Depois, é todo um conjunto de vontades, de experiências, uma equipa fantástica que tem conseguido ao longo destes 50 anos adaptar-se às novas exigências, às necessidades dos clientes, do mercado, a par da evolução tecnológica. Este conjunto de momentos são muito especiais porque projetaram a Pinto Lopes Viagens e fizeram-na chegar a este 50º aniversário.

“Celebrar 50 anos de existência é algo muito especial e muito raro no mundo das viagens”

Como é que a empresa mantém a qualidade e autenticidade das viagens culturais e de autor que oferece, tendo em conta o crescimento e a expansão ao longo dos anos?

A Pinto Lopes Viagens é uma empresa familiar portuguesa, detida a 100% pela família Pinto Lopes. Há um espírito inovador muito vincado pelo seu fundador, Joaquim Pinto Lopes, que comemora também este ano os seus 50 anos de viagens. E este espírito foi passado para a geração seguinte, foi incutido aos colaboradores, está muito patente e vincado na filosofia da empresa e foi, curiosamente, também passado para os clientes. Os clientes esperam da Pinto Lopes Viagens inovação, qualidade, segurança que foram sempre objetivos do fundador. Existe uma preocupação com o foco cultural, porque o nosso core business são circuitos culturais em grupo e viagens de autor inseridas nesta temática. Por isso, é essencial que as nossas viagens tenham uma componente cultural bem organizada e muito forte. A Pinto Lopes Viagens não faz viagens individuais, não vende bilhetes de avião, não organiza férias na Neve ou na Praia. Vendemos em exclusivo o nosso próprio produto. Somos operadores e agência de viagens em simultâneo, somos um híbrido, algo que em Portugal com esta dimensão não existe. É algo único, diria assim, pela dimensão que temos. A Pinto Lopes Viagens consegue ainda hoje, com cerca de 800 circuitos criados, em 2023, imprimir um cunho pessoal e ter fatores diferenciadores: a atenção ao cliente, a qualidade dos serviços, a forma como as reservas são efetuadas, a exigência que nos impomos a nós próprios nos serviços que prestamos, realmente, fazem com que estes 50 anos tenham sido uma evolução constante, com um percurso fantástico de crescimento e de foco nos circuitos culturais, que é o nosso ADN, bem como, a procura da satisfação do cliente. Aliás, nós avaliamos todos estes fatores e podemos dizer que temos um grau de satisfação muito perto dos 100%.

“Os clientes esperam da Pinto Lopes Viagens inovação, qualidade, segurança que foram sempre objetivos do fundador”

Como é que a Pinto Lopes Viagens lida com as mudanças nas preferências dos clientes ao longo dos anos e como se adapta para atender às necessidades em constante evolução do mercado de viagens?

A Pinto Lopes Viagens sempre se destacou pela inovação. Ao longo destes 50 anos, sempre tivemos o desafio interno de todos os anos apresentar, pelo menos, um novo circuito de viagem, um novo país, um novo destino. Pode até ser dentro do mesmo país, mas um circuito novo, algo que ainda não tenhamos mostrado aos nossos clientes, porque existem países que quer pela dimensão, quer pela importância histórica e monumental permitem ter mais do que um circuito. Portanto, ao longo destas cinco décadas sempre procurámos inovar. Hoje, podemos afirmar que operamos em 150 países diferentes. Isto é algo muito pouco usual no universo das viagens e, mesmo assim, todos os anos procuramos novos destinos. A título de exemplo, este ano, introduzimos uma viagem a Guiana – Guiana Francesa e Suriname, que é um território francês e dois países onde nunca tínhamos estado. Em 2024, também teremos novidades. Não nos acomodamos e essa é uma das nossas características principais: adaptamo-nos às preferências dos clientes, mas também criamos preferências nos clientes. Somos opinion makers neste nicho das viagens culturais e, por isso, temos várias centenas de clientes que estão à espera das novidades do próximo ano para se poderem inscrever e viajar. Há uma procura constante e nós temos de corresponder a essa expectativa. A Pinto Lopes Viagens tem circuitos em mais de 150 países, alguns deles inusitados, como a Coreia do Norte, uma expedição à Antártida, Angola ou Moçambique, Bangladesh, Argélia, Uganda, são circuitos menos habituais. Depois estamos em todos os países mais conhecidos, alguns deles, com vários circuitos. Temos 10 circuitos na Índia, 5 circuitos diferentes na China, 2 no Japão, temos 25 circuitos diferentes em Itália, 10 em França, é uma oferta realmente vastíssima e temos o cuidado de nos adaptar às preferências dos nossos clientes, mas os clientes também esperam que apresentemos novidades e os desafiemos com novos destinos culturais.

“Hoje, podemos afirmar que operamos em 150 países diferentes. Isto é algo muito pouco usual no universo das viagens e, mesmo assim, todos os anos procuramos novos destinos”

Quais as principais diferenças entre ser agente de viagens há 50 anos e hoje em dia?

As diferenças são muitas! Há 50 anos, quase que tínhamos de comunicar por sinais de fumo, depois veio o Telex, o Fax. Atualmente, recorremos ao email, Whatsapp, Telegram. São tudo formas muito fáceis de comunicar com os fornecedores e com os clientes. As redes sociais também vieram alterar significativamente a forma como chegamos às pessoas. Tudo mudou e tudo está à distância de um clique. No entanto, existe uma coisa que permanece: o trato, a relação próxima, o carinho especial com o cliente e a preocupação com a sua satisfação e a preocupação de nos adaptarmos às necessidades de cada cliente. Apesar de trabalharmos exclusivamente no mercado de grupos cada cliente é um cliente. E cada cliente tem as suas necessidades, as suas especificidades, tem as suas características próprias e nós conseguimos, em grande parte, adaptar-nos a cada cliente apesar de trabalharmos com grupos. É quase um processo de personalização dentro de cada grupo, com cerca de 30 a 35 clientes diferentes, cada um com a sua forma de estar, de ser, de fazer, e tentamos conjugar o todo e o individual, o que realmente é um desafio brutal. Fazemo-lo com muita satisfação e temos muito prazer em receber o feedback dos clientes. É diferente ser agente de viagens hoje comparativamente com há 50 anos, sobretudo, pela rapidez de informação e a rapidez com que nos deslocamos – tínhamos viagens que antigamente demoravam semanas que agora se fazem em dias, porque os aviões, os comboios de alta velocidade, as autoestradas vieram facilitar tudo isso. Então, o que se mantém é este gostar de ser agente de viagens, de estar inserido no mundo do Turismo, isso é algo que não se alterou.

“Somos opinion makers neste nicho das viagens culturais e, por isso, temos várias centenas de clientes que estão à espera das novidades do próximo ano para se poderem inscrever e viajar”

De que forma a Pinto Lopes Viagens se diferencia dos seus concorrentes no mercado de viagens em grupo e de autor? Quais são os elementos únicos que atraem os clientes para a vossa empresa?

Diria que a Pinto Lopes Viagens se diferencia muito pelo trato, pela forma como se relaciona com os seus clientes, pela experiência que tem e pela segurança que proporciona a quem viaja connosco. Inovação, segurança, excelência de serviço, uma procura constante de melhorar os nossos circuitos e a forma de operarmos são alguns dos pontos onde nos procuramos destacar. Esta constante procura pela satisfação do cliente aliada à constante procura por novos destinos, melhorando ainda mais os já existentes, diferencia-nos da concorrência. Temos um grau de satisfação por parte dos clientes bastante elevado, mas temos também um grau de execução bastante elevado. Ou seja, quando um cliente se inscreve na Pinto Lopes Viagens sabe que, a viagem que ambiciona fazer, vai quase de certeza acontecer, independentemente do destino. Isto é também um fator de diferenciação face a outras empresas do sector, sendo que, felizmente, existe espaço para todos.

“Por incrível que pareça conseguimos operar grupos no Verão de 2020, quando o Turismo estava ainda parado e ninguém queria fazer viagens em grupo, a Pinto Lopes Viagens conseguiu fazer cerca de 60 circuitos, em Portugal e no Estrangeiro”

Como tem decorrido o ano para a Pinto Lopes Viagens até agora?

Tem sido um ano muito bom. Cremos que é uma consequência de todo o investimento que fizemos durante a pandemia. Quando surge a pandemia o Turismo apresentava um crescimento brutal que foi cortado de forma abrupta e impensável. E a Pinto Lopes Viagens reinventou-se durante a pandemia. Por incrível que pareça conseguimos operar grupos no Verão de 2020, quando o Turismo estava ainda parado e ninguém queria fazer viagens em grupo, a Pinto Lopes Viagens conseguiu fazer cerca de 60 circuitos, em Portugal e no Estrangeiro. 2020, foi realmente uma aprendizagem, aprendemos todos da pior maneira possível, à força. Mas conseguimos reinventar-nos. Em 2021, já operámos 300 circuitos. Em 2022, cerca de 600. Por isso, foi uma aprendizagem, tivemos de estar ainda mais próximos do cliente, ser mais ágeis e rápidos nos lançamentos das viagens, na informação disponibilizada ao cliente e os próprios seguros tiveram de se adaptar. Aprendemos muito durante a pandemia, por isso, 2023, que está a ser o melhor ano de sempre da Pinto Lopes Viagens é também uma consequência de tudo isso. Só com uma equipa excelente, motivada e de um profissionalismo enorme foi possível aprendermos e improvisarmos durante a pandemia tudo armas e conhecimentos que nos tem tornado mais fortes e ágeis. 2023, tem sido um grande ano e as bases estão lançadas para que 2024 seja ainda melhor.

Quais são os circuitos ou destinos que têm registado maior procura por parte dos clientes?

É uma pergunta interessante, mas de difícil resposta. Num operador e agência de viagens como a Pinto Lopes Viagens com uma oferta muito vasta, de 150 países, não existe um destino que se destaque completamente face outros. Existem vários destinos com bastante procura. Itália, devido à quantidade de oferta que temos, tem muita procura – o circuito com os Lagos Italianos, o Grande Circuito Italiano, o Sul de Itália -, mas também o Vietname, Laos, Camboja, Índia, assim como o Japão – temos uma operação muito grande para o Japão, com algumas centenas de clientes por ano. Na América damos especial enfoque à América do Sul, com Argentina e Chile como principais destinos. Em África, alguns destinos como Marrocos e Namíbia sobressaem em termos de procura. No Médio Oriente, o Egito, os Emirados Árabes Unidos – com um circuito completo com os 7 Emirados, têm registado bastante procura. A Europa, pela proximidade, duração das viagens e pelo preço é o continente que tem o maior número de circuitos efetuados de forma bastante natural. Destaco ainda uma operação de praticamente quatro meses nos Fiordes da Noruega, com uma partida por semana, que teve um registo assinalável. A Irlanda, a Escócia e um circuito que temos na Suíça e Tirol têm muita procura. A Islândia também é outro destino interessante dentro da Europa, como os Bálticos, que depois de uma fase de quase paragem, devido ao conflito na Ucrânia e Rússia, recuperou e apesar de ainda não ter recuperado níveis de 2019, está já muito perto e pensamos que, em 2024, irá ultrapassar esse ano. Bretanha – Normandia e Vale do Loire e a Croácia são ainda destinos com procura acima da média. A oferta é muito vasta e a Europa tem 51 países, sendo que a Pinto Lopes Viagens opera em todos – alguns destinos estão suspensos neste momento, por razões óbvias -, mas no caso dos restantes temos inclusivamente dezenas de partidas por ano.

“Em termos de novos destinos, o Iraque será a grande aposta para 2024, mas queremos ir mais além e já estamos a pensar em 2025, onde teremos a nossa segunda expedição à Antártida. Estivemos 9 anos a preparar esta segunda expedição”

Quais são os planos futuros da Pinto Lopes Viagens? Existem novos projetos, destinos ou serviços que a empresa está a considerar para o próximo capítulo da sua história?

Temos sempre muitos projetos em cima da mesa. A Pinto Lopes Viagens está em constante evolução. Como referi anteriormente, somos uns eternos inconformados, queremos sempre mais e melhor, estamos muito focados na qualidade e satisfação do cliente. Por isso, estamos sempre à procura de mais, não só externamente, como internamente. A Pinto Lopes Viagens é um excelente local para se trabalhar, tentamos proporcionar uma atmosfera de trabalho bastante salutar aos nossos colaboradores, procuramos que as pessoas acordem diariamente com vontade de trabalhar e dar o seu contributo. Estamos, neste momento, com um projeto interno de sustentabilidade que achamos de extrema importância, estamos preocupados com as alterações climáticas e existe a necessidade de nos adaptarmos a uma nova realidade. Por isso, queremos terminar com a utilização de plástico dentro da empresa, queremos diminuir drasticamente o número de impressões e papel utlizado, estamos a incentivar a separação de lixo, o uso de garrafas de água reutilizáveis, ou seja, estamos a implementar uma série de ações que conduzam para nos tornarmos uma empresa mais verde. Em termos de novos destinos, o Iraque será a grande aposta para 2024, mas queremos ir mais além e já estamos a pensar em 2025, onde teremos a nossa segunda expedição à Antártida. Estivemos 9 anos a preparar esta segunda expedição. Queremos ainda voltar ao Ártico, onde estivemos recentemente. Sentimos que temos o mundo aos nossos pés. Teremos mais destinos a anunciar para 2024, que serão anunciados a seu tempo. E, voltando à mensagem inicial, temos a ambição de tornar as nossas viagens mais sustentáveis e de nos aproximarmos desses consumidores, apresentando-lhes opções nesse sentido, pois é o caminho para o futuro e se queremos continuar a oferecer o mundo aos nossos clientes, temos de continuar a inovar.  

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