Estoril Living tem 14 hotéis contratualizados e prevê investir 100 M€ nos próximos 5 anos

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A Estoril Living está a acelerar a sua estratégia de consolidação no setor hoteleiro nacional, com 14 operações já contratualizadas, um pipeline que representa cerca de 100 milhões de euros de investimento nos próximos cinco anos e um objetivo claro de duplicar a capacidade instalada até 2028, passando dos atuais 350 para cerca de 750 quartos.

Os dados foram avançados esta quarta-feira, durante uma apresentação à imprensa do Residence Inn Lisbon by Marriott, inaugurado a 16 de dezembro, o mais recente projeto do grupo.

Segundo Tomás Ricciardi, CFO da Estoril Living, o grupo deverá encerrar o ano com cerca de 29 milhões de euros de receitas, no seu primeiro exercício completo enquanto grupo estruturado, apesar de os fundadores já terem uma presença consolidada no setor há mais de uma década através da marca Valverde.

“Temos hoje oito operações em atividade e mais seis em pipeline, o que nos permite projetar um crescimento para 14 hotéis e um volume de negócios esperado de cerca de 85 milhões de euros em 2028, o que consideramos bastante positivo”, afirmou.

A estratégia da Estoril Living assenta num modelo asset-light, baseado maioritariamente em contratos de arrendamento de longo prazo ou direitos de superfície, nos quais o grupo assume integralmente o risco operacional.

“Nós não somos um prestador de serviços. Assumimos o risco da operação, temos contratos de arrendamento de longo prazo e colocamos nesses ativos a marca mais adequada”, sublinhou Tomás Ricciardi, acrescentando que este modelo permite gerar rendimento estável para os proprietários e criar escala operacional para o grupo.

Na visão do CFO, o contexto atual do turismo pode mesmo criar oportunidades adicionais: um eventual abrandamento do mercado poderá levar proprietários e pequenos grupos a procurar parceiros sólidos, capazes de reestruturar e reposicionar ativos. “Vemos isso como uma oportunidade de ganhar alavancagem no mercado e acelerar o nosso crescimento enquanto operador nacional”, referiu.

“Temos hoje oito operações em atividade e mais seis em pipeline, o que nos permite projetar um crescimento para 14 hotéis e um volume de negócios esperado de cerca de 85 milhões de euros em 2028″

Multimarcas internacionais como alavanca de crescimento

Um dos pilares da Estoril Living é a operação de marcas internacionais, que, segundo Henrique Tiago de Castro, Chief Operating Officer, conferem flexibilidade ao portfólio. Atualmente, o grupo opera três unidades com marcas internacionais – InterContinental Cascais-Estoril, Residence Inn Lisbon e Holiday Inn Braga – e tem mais quatro projetos já com contratos assinados. Entre os quais destaca-se o InterContinental Cascais Estoril Eden, uma expansão do atual InterContinental, com 33 quartos e decoração assinada por Philippe Starck, que será o primeiro hotel do designer em Portugal.

Outro projeto de destaque é o segundo Residence Inn by Marriott. Localizado em Cascais, em frente ao King’s College, o hotel será mais em “estilo resort”, terá um perfil mais direcionado para o lazer e contará com 79 apartamentos e piscina. A abertura está prevista para o segundo semestre deste ano.

Em Lisboa, o grupo prepara ainda o Moxy Lisbon Santos, no antigo edifício do IADE, com 160 quartos, abertura estimada para 2027/2028 e uma forte componente lifestyle, incluindo lojas no piso térreo e áreas públicas concentradas no rooftop. Junta-se ainda a reabilitação da antiga Pensão Londres, no Bairro Alto, com 43 quartos, cuja marca internacional será anunciada posteriormente.

O foco atual tem sido sobretudo em grupos norte-americanos, como a Marriott International e a IHG, mas Henrique Tiago de Castro frisou que o grupo está aberto a oportunidades com marcas europeias, sempre que exista alinhamento estratégico.

Marca Valverde com rebranding iminente

Paralelamente à expansão multimarcas, a Estoril Living continua a desenvolver a marca própria Valverde, posicionada como uma coleção de boutique hotels de luxo, fortemente ancorados na autenticidade e história de cada edifício.

De acordo com Teresa Guimarães, Chief Marketing & Communication Officer, o objetivo não é escalar a marca de forma massificada, mas sim manter uma lógica de nicho. “Cada hotel Valverde tem uma identidade própria e queremos que cada hóspede tenha uma experiência diferente em cada unidade”, afirmou.

Atualmente, o grupo opera o Valverde Lisboa, o Valverde Santar e o Valverde Palácio de Seteais, estando já identificadas oportunidades no Algarve e no Alentejo, embora apenas em localizações e edifícios que cumpram critérios muito rigorosos.

No curto prazo, a marca prepara um rebranding completo – com novos nomes, logótipos, websites e “uma nova identidade” – que deverá ser lançado dentro de um mês.

Residence Inn Lisbon by Marriott

O Residence Inn Lisbon, inaugurado a 16 de dezembro, assinalou a estreia da insígnia Residence Inn by Marriott na Península Ibérica. O hotel resultou da reabilitação do antigo edifício Cosette e representou um investimento de cerca de 12 milhões de euros, sendo o imóvel propriedade de um dos sócios do grupo.

O projeto está orientado para o segmento de long stays, respondendo tanto a procura corporativa como de lazer prolongado. A unidade dispõe de 71 apartamentos, com áreas entre 29 e 40 metros quadrados, totalmente equipados com cozinha, zonas distintas de trabalho, refeições, lazer e descanso, permitindo estadias mais longas com níveis de conforto próximos do residencial.

Segundo explicou Cláudia Gomes, diretora-geral do Residence Inn Lisbon, a unidade abriu poucos dias antes do Natal, registando inicialmente uma procura mais orientada para o lazer, sobretudo de famílias, mas “desde o início de janeiro já se nota uma mudança para o segmento corporativo”, mantendo-se ainda uma presença relevante de mercado norte-americano sénior, com estadias mais longas, entre sete e dez noites.

Do ponto de vista estratégico, Henrique Tiago de Castro sublinhou que o conceito de long stay “está a crescer muito” a nível mundial, recuperando um modelo que existia nos anos 90, mas agora associado a marcas internacionais fortes e a uma lógica clara de diversificação da oferta.

Em termos de desempenho, o COO da Estoril Living referiu que a operação apresenta REVPAR elevado, com uma tarifa média que “nesta altura do ano já anda à volta dos 170 euros”, um valor que, segundo o responsável, é significativamente superior ao de outros hotéis de quatro estrelas na mesma zona, refletindo o impacto das marcas internacionais neste tipo de ativos.

Créditos: João Peleteiro

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