Graham Miller, diretor académico do Westmont Institute of Tourism and Hospitality da Nova SBE, foi recentemente nomeado membro do Conselho da Travalyst, entidade sem fins lucrativos fundada pelo Príncipe Harry, Duque de Sussex, que reúne algumas das maiores empresas mundiais de turismo e tecnologia. Em entrevista ao TNews, destaca a importância de envolver os grandes players do setor na transição para modelos de turismo mais sustentáveis e defende uma maior participação das empresas portuguesas.
“A Travalyst é um grupo das maiores empresas ligadas ao setor do turismo no mundo. Se queremos avançar em termos de sustentabilidade, precisamos que as maiores empresas estejam envolvidas. Precisamos que todas as empresas estejam envolvidas”, afirma Graham Miller.
A entidade reúne empresas como Amadeus, Booking.com, Expedia Group, Google, Skyscanner, Tripadvisor e Visa, procurando desenvolver informação e métricas que permitam à indústria e aos consumidores avaliar melhor o impacto das suas escolhas. “É uma oportunidade de trabalhar com estes grandes players e tentar incentivá-los a serem mais sustentáveis”, explica Graham Miller.
Para o responsável, um dos principais desafios da transição para um turismo mais sustentável está na dificuldade em medir os impactos. “Existe um problema com a falta de dados”, afirma. “O mundo empresarial é muito prático e gosta de compreender bem um problema, gosta de o poder medir. Todos gostamos de ver progresso”, explica, sublinhando que a sustentabilidade é mais difícil de quantificar do que indicadores como o lucro.
Neste contexto, uma das prioridades da Travalyst passa por disponibilizar dados comparáveis às empresas e aos consumidores. “Uma das coisas que a Travalyst procura fazer é fornecer dados às empresas sobre o impacto que causam, bem como fornecer esses dados aos clientes, para que, ao escolherem empresas, possam optar por uma empresa mais sustentável”, afirma.
Portugal é apontado por Graham Miller como um mercado onde seria importante reforçar a participação na iniciativa. “Não há membros portugueses na Travalyst, o que é uma pena. Portugal é um país onde o turismo é muito importante”, afirma.
“Precisamos que todo o setor turístico apoie este projeto; não podemos ter apenas empresas britânicas, americanas, alemãs e holandesas a impulsionar [a sustentabilidade turística]. Precisamos que as empresas portuguesas também façam parte disto”, defende.
O responsável reconhece que existem em Portugal “alguns exemplos muito bons de empresas sustentáveis”, mas considera que coexistem com modelos mais tradicionais que “não olham para o futuro”. “Penso que há uma grande disparidade em Portugal, desde o melhor ao pior”, afirma.
“Se queremos avançar em termos de sustentabilidade, precisamos que as maiores empresas estejam envolvidas. Precisamos que todas as empresas estejam envolvidas”
Travalyst trabalha emissões da aviação, ferrovia e alojamento
A medição das emissões da aviação foi o primeiro projeto da Travalyst, com o objetivo de criar uma metodologia comum.
A organização está agora a desenvolver o mesmo trabalho para as emissões ferroviárias, num contexto de crescente procura por viagens de comboio na Europa. “Mais operadores turísticos estão a investir em ferrovias”, afirma, embora considere que esta evolução representa “um problema para Portugal, que não tem uma boa conectividade ferroviária com o resto da Europa”. No entanto, defende, “o futuro das viagens na Europa será baseado nos caminhos-de-ferro e não na aviação”.
O alojamento é outra das áreas em análise, nomeadamente a medição do seu impacto e a avaliação das diferentes certificações existentes. “Como é que medimos o impacto do alojamento? Como é que avaliamos as certificações? Existem tantas. Como saber qual é melhor, qual é pior e o que realmente medem?”, questiona.
O objetivo passa por encontrar metodologias comuns que permitam às empresas e aos consumidores confiar nos dados utilizados. “Trata-se de analisar todos os dados que a indústria do turismo utiliza, procurando um método de cálculo único para que o cliente e as empresas possam ter confiança na precisão desses dados e, assim, tomar as decisões corretas”, conclui.




