Westmont Institute da Nova SBE quase duplica alunos e prepara bolsas para estudantes africanos: “precisamos do apoio do setor”

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O Westmont Institute of Tourism and Hospitality da Nova SBE acaba de receber a sua “maior turma de sempre” no programa de Hospitality & Customer Experience, integrado no Mestrado em Gestão. Em entrevista ao TNews, Graham Miller, diretor académico do instituto, faz um ponto de situação do trabalho desenvolvido em áreas como liderança feminina, desperdício alimentar e experiência do cliente, sublinhando a importância do envolvimento das empresas na formação dos futuros líderes do turismo. O responsável revela ainda uma novidade: bolsas de estudo para estudantes de África, com vista ao ano letivo 2027/2028.

“Estamos a tentar abordar várias áreas-chave relevantes para o turismo no seu todo, mas específicas e muito pertinentes para Portugal”, explica Graham Miller, apontando a liderança feminina, o desperdício alimentar e a experiência do cliente como algumas das prioridades do instituto. 

Na área da liderança, o Westmont Institute tem vindo a trabalhar na promoção de uma maior presença feminina em cargos de topo no turismo. “Provavelmente, mais de 70% dos meus alunos são mulheres e, no entanto, quando observamos as grandes empresas, não vemos a mesma representação feminina em posições de liderança”, afirma. 

O trabalho desenvolvido nesta área passou também pelo Think Tank “Women Leadership in Tourism & Hospitality”, que, ao longo de mais de um ano, reuniu académicos, líderes e profissionais do setor para discutir os obstáculos à progressão das mulheres para cargos de topo e identificar soluções. O ciclo culminou com a apresentação do estudo “Women in Tourism Leadership. The representation gap: Strategic recommendations from a systems analysis of the Portuguese tourism industry”, desenvolvido pelo Leadership for Impact Knowledge Center, em colaboração com o Westmont Institute of Tourism & Hospitality e com o apoio do TNews.

O desperdício alimentar é outra das áreas identificadas por Graham Miller como prioritárias. “Portugal apresenta níveis elevados de desperdício alimentar, o que me surpreende”, afirma, acrescentando que o instituto está a trabalhar para trazer conhecimento e soluções para o mercado português. “Estamos a tentar trabalhar com organizações para que venham a Portugal explicar como podemos reduzir o desperdício alimentar na restauração e hotelaria”, explica. 

A costumer experience é igualmente uma das linhas de trabalho do instituto. Esta semana, a Nova SBE promoveu um evento dedicado ao tema, com o objetivo de melhorar o nível de experiência do cliente em Portugal, não apenas na hotelaria, mas também através da aplicação dos princípios desenvolvidos neste setor a outras indústrias.

“Queremos ajudar Portugal. Somos uma instituição que quer contribuir para o desenvolvimento do setor turístico”

Hospitality & Customer Experience quase duplica alunos

Criado em 2020, durante a pandemia de Covid-19, o Westmont Institute of Tourism and Hospitality da Nova SBE tem vindo a consolidar a sua presença na área da formação em turismo e hotelaria. “O programa foi lançado durante a pandemia de Covid, que foi um período difícil. Esta semana, recebemos a nossa maior turma de alunos de sempre. Registámos um aumento significativo do número de alunos este ano”, refere Graham Miller.

O programa de Hospitality & Customer Experience conta atualmente com 42 alunos, contra cerca de 25 no ano letivo anterior, o que representa quase uma duplicação da dimensão da turma.

Para o diretor académico, a reputação da Nova SBE tem contribuído para esta evolução. “A Nova SBE tem um ranking muito elevado, o que beneficia o nosso programa. Temos um ranking sólido e uma forte reputação, o que nos ajuda a atrair mais alunos”, destaca.

O objetivo passa, contudo, por continuar a crescer e ganhar reconhecimento internacional. “Queremos ser reconhecidos como a Universidade de Cornell, nos EUA, e Lausanne, na Suíça, mas estas universidades existem há mais de 100 anos – e nós, há apenas cinco, por isso temos muito para alcançar”, admite.

A ambição do instituto está também diretamente ligada ao desenvolvimento do turismo português. “Queremos ajudar Portugal. Somos uma instituição que quer contribuir para o desenvolvimento do setor turístico”, sublinha Graham Miller.

“Queremos ajudar a resolver os problemas com a nossa investigação. Não vamos criticar publicamente, mas o setor enfrenta desafios. Precisa de ser mais sustentável. É preciso haver mais mulheres. É necessário haver menos desperdício alimentar. Por isso, não vamos fingir que estes problemas não existem. Vamos unir-nos e pensar como podemos resolvê-los”, sublinha o diretor académico.

“Estamos a tentar formar a próxima geração de líderes para o setor, por isso precisamos do apoio da indústria”

Instituto quer aproximar empresas dos futuros líderes do turismo

O crescimento da procura pelo programa de Hospitality & Customer Experience acompanha também a diversidade dos perfis dos alunos. “Todos querem abrir o seu próprio negócio, o seu próprio restaurante. Alguns têm hotéis familiares e querem aprender as melhores práticas. Mas todos querem trabalhar na indústria da hotelaria”, explica Graham Miller.

A ligação às empresas assume, neste contexto, um papel central. “Estamos a tentar formar a próxima geração de líderes para o setor, por isso precisamos do apoio da indústria”, afirma. 

O responsável apela, em particular, ao envolvimento das empresas através da disponibilização de estágios. “Queremos que a indústria se junte a nós e nos ajude a formar estes jovens, porque serão eles os futuros líderes”, diz. “É muito difícil para os jovens de hoje em dia conseguirem emprego e darem os primeiros passos na sua carreira. Precisamos que as empresas venham trabalhar connosco e ofereçam estágios”.

A formação em Hospitality & Customer Experience combina as bases de gestão com especializações ligadas ao turismo e à hotelaria. Os alunos estudam estatística, marketing e estratégia, antes de poderem aprofundar áreas como sustentabilidade, operações hoteleiras, investimento e desenvolvimento hoteleiro, aviação, sustentabilidade digital, desporto ou hotéis de luxo.

“Isto é muito importante para os estudantes porque a hotelaria e o turismo são negócios como quaisquer outros. Precisamos de gerar lucro. Precisamos de contratar funcionários. Precisamos de promover os nossos negócios. Precisamos de ter uma estratégia”, afirma.

O modelo inclui também uma forte componente de ligação ao mercado, através de profissionais que lecionam no programa e de projetos desenvolvidos com empresas. “Temos muitas pessoas do setor que vêm lecionar os cursos aos alunos. Estudam com profissionais da área, o que lhes proporciona um excelente conhecimento prático”, explica, destacando docentes convidados como Francisco Moser, CEO da Details Hotels & Resorts, e Carlos Miro, responsável de Desenvolvimento Hoteleiro para Espanha e Portugal da Hilton.

Este ano, os alunos desenvolvem trabalho em parceria com o grupo Pestana, o Sublime, o Benfica e o fundo Explorer, entre outros. “Algumas das grandes empresas em Portugal estão a apoiar os nossos alunos”, frisa.

“Queremos trazer alunos de África para o nosso campus e formá-los para depois regressarem aos seus países de origem e poderem contribuir para o desenvolvimento do setor”

Nova SBE prepara bolsas para estudantes de África em 2027/2028

Uma das novidades reveladas por Graham Miller ao TNews está relacionada com a plataforma WiTH Africa e passa pela criação de bolsas de estudo destinadas a estudantes africanos que pretendam frequentar a Nova SBE.

“O que queremos é poder trazer estudantes de África para Portugal e ajudá-los a desenvolverem-se. Queremos trazer alunos para o nosso campus e formá-los para depois regressarem aos seus países de origem e poderem contribuir para o desenvolvimento do setor”, explica.

As bolsas destinam-se ao ano letivo 2027/2028 e o instituto vai iniciar na próxima semana o processo de seleção de candidatos. “Foram-nos atribuídas bolsas de estudo especificamente para estudantes de África. Iremos a Marrocos, ao Quénia e à África do Sul para tentar encontrar os melhores estudantes que queiram vir estudar para a Nova”, revela.

A iniciativa será financiada com o apoio de parceiros da Nova SBE. “As bolsas de estudo são uma novidade. Ainda não as anunciámos. Mas temos vários parceiros [anónimos] que têm sido muito generosos ao fornecer-nos recursos para que possamos ir a esses países e oferecer bolsas de estudo”, adianta, explicando que o modelo pretende ainda mobilizar financiamento adicional nos países de origem dos estudantes.

Para Graham Miller, a ligação à indústria volta a ser determinante para concretizar este objetivo. “Mais uma vez, é graças à nossa relação com a indústria que [os parceiros] nos podem ajudar a alcançar os nossos objetivos. Se não tivéssemos bolsas de estudo, não seríamos capazes de atrair esses alunos para a Nova”, afirma.

Liderança feminina, desperdício alimentar e turismo regenerativo

Para o ano letivo 2026/2027, o instituto pretende dar continuidade a algumas das iniciativas já em curso, nomeadamente na área da liderança feminina. “Estamos a dar continuidade ao programa de Female Leadership. Estamos à procura de empresas que possam ajudar a orientar as nossas alunas, criando assim uma espécie de programa de matchmaking, para ajudar as mulheres a desenvolverem-se [no setor do turismo]”, revela. 

O trabalho sobre desperdício alimentar será igualmente alargado, com uma nova edição em preparação. “Estamos a planear alargar o workshop sobre o desperdício alimentar com as empresas. Vamos trazer especialistas externos. Assim, faremos mais uma edição sobre o tema”, indica.

Em paralelo, o instituto desenvolve investigação nas áreas da biodiversidade e do turismo e do turismo regenerativo. As conclusões da investigação sobre turismo regenerativo em Portugal, desenvolvida ao longo dos últimos 18 meses, serão apresentadas numa sessão marcada para 12 de outubro.

Graham Miller foi recentemente nomeado membro do Conselho da Travalyst, organização sem fins lucrativos fundada pelo Príncipe Harry, Duque de Sussex, que reúne empresas de turismo e tecnologia com o objetivo de promover práticas mais sustentáveis no setor. A nova função junta-se ao trabalho que tem vindo a desenvolver na Nova SBE na área da sustentabilidade e do desenvolvimento do turismo.

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