Hotéis flexíveis e intemporais. Práticas e tendências a considerar no design de novos projetos e renovações

Do número de elevadores à localização das tomadas elétricas, cada detalhe de uma unidade hoteleira pode marcar a diferença na experiência dos hóspedes. Projetar um hotel e os seus espaços interiores implica equilibrar as necessidades dos clientes com os objetivos dos hoteleiros. É aí que reside o grande desafio do design de hotéis: criar espaços flexíveis, funcionais e intemporais, capazes de resistir às modas e às mudanças do mercado.

Segundo o CoStar, este foi precisamente o ponto de partida do painel “The Data Behind Design” (em português, “Os Dados por Trás do Design”), realizado na Hotel Data Conference, em Nashville, Tennessee (EUA), onde especialistas em design hoteleiro partilharam práticas e tendências a considerar em novos projetos e renovações.

Atualmente, existem dados históricos que ajudam a definir proporções no design de hotéis, disse Raj Chandnani, diretor administrativo do Cortner Group. Geralmente, os hoteleiros adotam regras baseadas em rácios, desde a relação entre o número de quartos e a quantidade de salas de reunião, até ao tamanho dos spas e ao número de lugares sentados num restaurante.

“O meu favorito é o rácio entre elevadores e o número de quartos, que muitos hotéis parecem não conseguir acertar”, sublinhou Chandnani, citado pelo CoStar. “Porque pode haver uma proporção, mas se todos estiverem a chegar para uma reunião ou a fazer o check-out a uma determinada hora, os elevadores parecem andar sempre um pouco mais devagar”.

No caso dos spas, as proporções podem ser enganosas, alertou Lynn Curry, fundadora da Curry Spa Consulting. “Não funciona assim. Temos de estudar o mercado”, afirmou. Se se tratar de um hotel recém-construído, é essencial definir desde o início se o projeto está orientado para o mercado MICE e, nesse caso, se abrange incentivos e social business ou apenas o segmento corporativo, explicou Curry. Esses fatores são determinantes para definir a dimensão adequada do spa e perceber se deve integrar o departamento de vendas do hotel ou contar com uma equipa própria dedicada. 

A taxa de utilização do spa também varia consoante se trate de dias úteis ou fins de semana, bem como entre suítes e quartos standard, acrescentou Curry. Todos estes elementos são cruciais para definir o tamanho adequado do spa e evitar que seja projetado de forma sobredimensionada, sublinhou.

Compreender como os hóspedes usam os quartos

Compreender que cada hóspede utiliza o quarto de forma diferente é importante para garantir flexibilidade no design, defendeu Raj Chandnani. O especialista apontou uma tendência em que muitas empresas hoteleiras retiraram as secretárias dos quartos, partindo do pressuposto de que os clientes usariam apenas iPads em vez de computadores portáteis. Outro exemplo foi a ideia de que bastaria ter apenas um armário, sem cómodas, nos quartos.

“Algumas pessoas usam gavetas. Algumas pessoas usam armários. Algumas pessoas sentam-se à secretária. Algumas pessoas trabalham na cama”, cita o CoStar. “É difícil impor um padrão a todos e não reconhecer que cada um tem um estilo diferente. Então, como é que se pode construir essa flexibilidade?”.

Outro ponto relevante é garantir tomadas elétricas suficientes nos quartos, já que os hóspedes costumam viajar com vários dispositivos. “Tenho um telemóvel, um iPad e um computador. Talvez precise de carregar os meus AirPods. Preciso de três ou quatro tomadas, e sou uma só pessoa no quarto”, exemplificou Chandnani. “Multipliquemos isto por três ou quatro: quantas tomadas temos? Estão bem localizadas? São USB-A ou USB-C?”.

Segundo o especialista, os hóspedes valorizam hotéis com personalidade e elementos memoráveis, que até possam partilhar no Instagram. Por outro lado, as empresas hoteleiras procuram soluções intemporais.

A recomendação de Chandnani é começar pelo design residencial: criar uma base neutra e duradoura, que depois possa ser enriquecida com obras de arte ou acessórios que deem um toque especial ou ligados à identidade local. “Mudar as paredes, os candeeiros ou a alcatifa é um empreendimento muito caro, dependendo de como a economia se comporta”, lembrou.

Também Mark Lustig, designer sénior no gabinete de arquitetura Earl Swensson Associates, destacou mudanças de mentalidade no setor. Durante algum tempo acreditou-se que ter quartos de hotel maiores geraria mais receitas; porém, acabavam por exigir móveis maiores e em maior quantidade.

“Portanto, agora, penso que com a mudança na dinâmica e na forma como as pessoas viajam, as pessoas estão à procura de quartos mais pequenos e mais eficientes, à procura de um espaço público melhor para onde possam ir, onde se possam sentar e usar o computador”, afirmou.

Essa tendência chega também à restauração, com as empresas hoteleiras a questionar-se se os restaurantes dos hotéis precisam de ser tão grandes, observou Lustig. A aposta tem sido transformar os lobbies em áreas multifuncionais, onde os hóspedes podem tomar um café e ter alguma privacidade, ou realizar pequenas reuniões. “Estes são os tipos de coisas que as pessoas procuram e que são cada vez mais eficientes”, disse.

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