O setor hoteleiro registou um “verão estável” e “sem crescimentos expressivos”, com a taxa de ocupação a manter-se nos 81% e o preço médio a subir ligeiramente para 161 euros, de acordo com o mais recente inquérito da Associação da Hotelaria de Portugal (AHP), divulgado esta quarta-feira.
A AHP apresentou esta quarta-feira, 15 de outubro, os resultados do inquérito “Balanço Verão & Perspetivas Outono 2025”, elaborado pelo seu Gabinete de Estudos e Estatísticas entre 25 de setembro e 10 de outubro, com base nas respostas de 394 empreendimentos turísticos associados.
“Os quatro meses do verão fecharam-se na hotelaria nacional com uma taxa de ocupação idêntica à do verão de 2024, de 81%, e uma subida ligeira no preço médio para 161 euros”, face aos 158 euros registados no ano anterior, referiu Cristina Siza Vieira, vice-presidente executiva da AHP.
De acordo com a responsável, o desempenho foi “marcado por um crescimento moderado ou mesmo uma desaceleração na maioria do país, com algumas estagnações na Grande Lisboa e na Península de Setúbal, com algumas quedas nos Açores e no Centro, e com o Algarve e a Madeira muito fortes”.
Junho: arranque positivo
O mês de junho apresentou um “efeito global positivo”, com uma taxa de ocupação média de 77% (mais um ponto percentual face a 2024), um preço médio de 154 euros, um RevPar de 113 euros e uma estada média de 3,0 noites.
O Algarve destacou-se com uma subida “muito expressiva” da ocupação face ao mês homólogo de 2024, de 78% para 84%, enquanto o Norte e os Açores registaram os maiores crescimentos no preço médio — +19%, para 144 euros, e +17%, para 142 euros, respetivamente.
A estada média manteve-se estável. “Andamos sempre à beira dos três dias, puxados pelas ilhas e também pelo Algarve, que tem tido uma performance bastante interessante neste indicador”, explicou Cristina Siza Vieira.
A grande “estrela” do mês de junho foi a região da Grande Lisboa, com um preço médio de 180 euros e um RevPar de 151 euros. Também a Madeira se destacou pela sua taxa de ocupação “excelente”, a fixar-se nos 90%.
Julho: estabilidade com Lisboa a quebrar no preço médio
Em julho, a ocupação nacional subiu dois pontos percentuais para 80%, com um preço médio de 161 euros, um RevPar de 129 euros e uma estada média de 3,2.
Em particular, a vice-presidente executiva da AHP destacou que as regiões da Grande Lisboa e da Península de Setúbal tiveram “um crescimento bastante expressivo” da taxa de ocupação no mês de julho.
No entanto, a Grande Lisboa foi “a única região que se destacou pela negativa em termos de preço médio praticado comparando com o ano passado”, descendo de 171 euros para 163 euros.
Já o Alentejo e os Açores registaram quebras na ocupação, para 67% e 87%, respetivamente, o que impulsionou um RevPar inferior.
A Madeira voltou a destacar-se com a taxa de ocupação mais elevada (91%), enquanto o Algarve atingiu os melhores resultados em termos de preço médio (222 euros) e, consequentemente, do RevPar (193 euros). Já em baixa estão as regiões Norte, Centro e Oeste e Vale do Tejo, abaixo da média nacional nos três indicadores.
Agosto: “o mês de ouro da hotelaria nacional”
“Saltando para agosto, o mês de ouro da hotelaria nacional, temos uma taxa de ocupação que se manteve estável no todo nacional”, começou por afirmar Cristina Siza Vieira, indicando uma ocupação de 85% e um preço médio de 169 euros. Já o RevPar subiu ligeiramente para 144 euros e a estada média para 3,3.
Em termos de ocupação, a responsável mostrou-se surpreendida com a quebra nos Açores, que caiu quatro pontos percentuais para 90%, e na região Centro, que desceu de 78%, em junho de 2024, para 66%.
No entanto, o Centro continuou a registar uma “subida expressiva” de 16% no preço médio, aumentando de 103 euros para 120 euros. “Claramente a competir para entrar no segundo lugar do ranking das regiões que mais crescem”, apontou.
O Algarve foi “campeão em todos os indicadores”, com 93% de ocupação, preço médio de 256 euros e RevPar de 238 euros, o que “puxa a média nacional para cima”. Também a Madeira manteve um desempenho acima da média, com 91% de ocupação, preço médio de 192 euros e RevPar de 175 euros.
Em contrapartida, o Oeste e Vale do Tejo é a região que “fica mais substancialmente aquém da média nacional”, com 66% de ocupação.
Setembro: ligeira descida surpreende Grande Lisboa e Setúbal
Setembro trouxe “alguma surpresa” com a descida de dois pontos percentuais na taxa de ocupação, para 84%, tendo em conta “a expectativa de que tinha sido um mês de bastantes eventos”. Já o preço médio situou-se nos 169 euros, o RevPar nos 139 euros e a estada média nas 3,1 noites.
Este mês registou “tensão” na Grande Lisboa e na Península de Setúbal, visto que registaram quebras em todos os indicadores. Na Grande Lisboa, a ocupação desceu de 90% para 88%, o ARR de 163 euros para 162 euros, e o RevPar de 147 euros para 143 euros. Já na Península de Setúbal, a taxa de ocupação caiu de 87% para 86%, o preço médio de 140 euros para 139 euros e o RevPar de 122 euros para 120 euros.
O Algarve continua a liderar com o melhor desempenho a nível de preço médio (256 euros), que, por sua vez, teve “um impacto muito forte” no RevPar (223 euros). A Madeira destacou-se em termos de ocupação (92%) e de um “excelente” preço médio (192 euros), ambos acima da média nacional.
Em contraste, estiveram em baixa a região Centro, com ocupação de 55% e ARR de 120 euros, e Oeste e Vale do Tejo, com 72% de ocupação e ARR de 108 euros.
Principais mercados e canais de reserva
Portugal manteve-se como um dos principais mercados para os hoteleiros, com 81% dos inquiridos a indicá-lo no Top 3. Ainda mais, o mercado nacional integra o Top 3 de todas as regiões. Seguiram-se o Reino Unido (55%), EUA (45%), Espanha (39%) e Alemanha (31%).
Os EUA foram o mercado que mais cresceu, para 34% dos inquiridos, a par de Portugal (para 30%) e da Irlanda (11%). Por outro lado, França (28%), Espanha (28%) e Brasil (18%) registaram as maiores quebras.
Nos canais de reserva, o Booking continua a dominar, sendo o principal canal para 96% dos inquiridos, seguindo-se o website próprio (78%), Expedia (40%), agências de viagens (35%) e email direto (26%).
Em particular, Cristina Siza Vieira sublinha que “as agências de viagens tinham um significado maior, para 44%, e estavam realmente nos três principais canais. Neste momento, desceram para 35%. É a descida mais acentuada no período”.




