A utilização de influenciadores para angariação de clientes é feita desde os primórdios da publicidade. Na década de 50, médicos eram os protagonistas das campanhas publicitárias de marcas de tabaco como a Camel ou Marlboro. Em 2006, George Clooney e a Nespresso apresentavam-nos a famosa frase “What Else?” e em 2020 Travis Scott fazia um concerto virtual para a apresentação das novas personagens de Fortnite.
Os influenciadores são simplesmente, tal como o nome indica, pessoa com capacidade de influenciar o ato de compra de um certo grupo de consumidores. E com a evolução digital, e principalmente das redes sociais, ganharam camadas bastante singulares.
O que são influenciadores digitais?
O que diferencia um influenciador digital dos influenciadores falados no parágrafo anterior está exatamente na palavra “digital”. Estes indivíduos utilizam plataformas digitais como o Youtube, Instagram, Blogs e Podcasts para comunicar com o seu público tendo, por vezes, um alcance de milhares ou mesmo milhões de pessoas.
Naturalmente que hoje em dia pessoas como o Cristiano Ronaldo, Carolina Loureiro ou
Fernando Pimentel também são influenciadores dentro do mundo digital. O público vê esses indivíduos no grande ecrã e começa a “seguir” também nas redes sociais. O inverso já começa a acontecer, mas isso terá que ficar para outro artigo. No entanto, existem certos grupos em que a sua fama só acontece graças à influência e trabalho que colocam nas plataformas digitais.
Que tipo de influenciadores digitais existem?
Utilizando as terminologias do artigo “The Effect of Macrocelebrity and Microinfluencer Endorsements on Consumer–brand Engagement”, in Instagram de Mark Camillieri, temos: celebridades digitais, macro influenciadores e micro influenciadores.
O exemplo perfeito de uma celebridade digital é, obviamente, Cristiano Ronaldo. Ronaldo é a pessoa mais seguida do Instagram com 390 Milhões de seguidores, ou seja, quando o Ronaldo publica algo o seu alcance ronda as centenas de milhões de pessoas.
Um macro influenciador está uns degraus abaixo, Mafalda Sampaio, conhecida por Maria Vaidosa, por exemplo, é uma macro influenciadora, com 590 mil seguidores no Instagram. O Youtuber Miguel Luz também é considerado um macro influenciador digital com 445 mil seguidores no Youtube.
Finalmente, temos os micro influenciadores em que o público é mais reduzido, mas que trabalham nichos específicos como a nutrição, culinária, fotografia, lifestyle ou ginásio e podem ter entre os mil a 100 mil seguidores.
Que tipo de influenciadores digitais devo usar?
No mercado do turismo isto depende muito da capacidade do seu target. Se pratica turismo de luxo pode tentar angariar celebridades digitais ou macro influenciadores; se tem um Airbnb, um micro influenciador poderá ser a melhor escolha. O importante aqui é saber como gerar os melhores benefícios destas pessoas e para isso existem dois cenários:
1) O Influenciador digital visita o meu espaço
Sempre tendo em consideração a privacidade de quem o visita, faça com que este visitante tenha uma experiência única, especial e de referência, de tal forma que voluntariamente este fale de si nas suas plataformas.
2) Eu convido o influenciador digital
Esta é a estratégia mais usual em termos de marketing digital, aplicada normalmente em época baixa. O bom e velho “win win”. Entre em contacto com um influenciador digital e convide-o a conhecer o seu espaço. Faça uma oferta especial ou ofereça a estadia, num acordo em que este tem que falar e publicitar o seu espaço.
Nestes casos, porém, é preciso ter em conta o nicho do seu mercado e o nicho do influenciador que usa. Se tem uma quinta biológica talvez faça sentido convidar alguém como o João Manzarra, mas se tem um hotel com uma piscina com vista para o pôr do sol, alguém como a Helena Coelho poderá ser a melhor escolha. O importante aqui é saber para quem pretende comunicar.
É lucrativo usar influenciadores digitais?
Para terminar, esta é a derradeira questão. Depende. Por um lado, a visita de alguém com milhares ou mesmo milhões de seguidores poderá aumentar a sua visibilidade online e até o seu número de reservas. Porém, esta conversão é bastante incontrolável e varia com fatores externos que devem ser analisados para melhor performance.
Mas uma coisa é certa, os influenciadores digitais vieram para ficar e estes são, sem dúvida, uma manobra de aumento de reconhecimento online. Tal com falei no meu artigo anterior as 5 fases do processo de compra, bem sabemos que quanto maior for este reconhecimento, maior será o número de vendas.
Boas reservas!
Por Miguel Estorninho
Licenciado em Marketing, Publicidade e Relações Públicas, Mestrando em Ciências da Comunicação. Cofundador da Agência Digital Natives e Diretor de Comunicação no órgão de comunicação social Bola na Rede



