Macau é o “Destino Preferido Internacional da APAVT” em 2026, foi anunciado esta quarta-feira, numa conferência de imprensa realizada à margem do 50.º Congresso da associação, que decorre esta semana no território. Para Pedro Costa Ferreira, esta escolha representa o reforço de uma relação que “há muitos anos” se constrói numa lógica de “duas portas”, consolidando a ponte entre Portugal, Macau e a China.
Pedro Costa Ferreira começou por afirmar que Macau tem sido, para a APAVT, “a melhor porta de entrada para o mercado da China”, enquanto a associação se propõe ser “porta para a entrada de Macau e da China em Portugal, na Europa e nos PALOPs”.
A parceria, frisou, tem “marcas visíveis” ao longo dos anos, desde a presença na BTL – Better Tourism Lisbon Travel Market e na FITUR, em Madrid, até à participação da associação na MITE Macau, com “delegações quer de agências de viagens portuguesas, quer de agências de viagens espanholas, quer de associações espanholas, quer de associações da nossa Confederação Europeia, a ECTAA”.
O ano de 2025 foi “absolutamente especial e ainda o está a ser”, com um “reforço” da cooperação. Pedro Costa Ferreira recordou que a realização da reunião bienal da ECTAA em Macau trouxe ao destino “todos os 27 países” europeus representados pela confederação, que agrega “80 mil agências de viagens europeias”. A este trabalho junta-se ainda o e-learning dedicado a Macau para agentes portugueses.
Este ano, Macau tornou-se a “cidade que mais congressos [da APAVT] recebeu nesta história de 50 anos”, após eventos realizados em 1982, 1990, 1956, 2008 e 2017 – este último já sob a liderança do atual presidente da associação.
Além de coincidir com a comemoração do 75.º aniversário da APAVT, o 50.º congresso, o sexto organizado em Macau, foi a maior edição de sempre, com 1039 delegados acreditados vindos em 172 voos diferentes, que “vão, de acordo com esta filosofia de porta de entrada, visitar várias províncias da China, em colaboração com o Turismo de Macau”.
Foi neste contexto que Pedro Costa Ferreira sublinhou que “Macau e a APAVT decidiram que não devem parar”, anunciando “com muita alegria” que a região será o “Destino Preferido Internacional” da associação em 2026.
“O ‘Destino Preferido’ é um programa muito amplo, que tem duas partes fundamentais: uma de comunicação e marketing, que significa que em todas as nossas presenças teremos Macau junto connosco; e a determinação de uma agenda, que é aberta no primeiro dia e cabe lá tudo o que o destino e a APAVT puderem colocar”, explicou.
Além da presença de Macau na BTL, a participação conjunta na FITUR e a presença da APAVT na MITE, “pela primeira vez, de acordo com o trabalho da APAVT e de Macau na ECTAA, vamos lançar o e-learning de Macau na Alemanha, na Finlândia e nos Países Baixos”. Este programa, disse, é uma “tentativa de penetrar outros mercados emissores, nomeadamente os europeus”.
Sendo este “o último mandato” do presidente da APAVT, confessou que regressar a Macau representa “cumprir um sonho”, sublinhando que, uma vez concretizado, “tornou-se melhor daquilo que foi sonhado”. A realização de um evento desta dimensão no território, afirmou, é em si mesma uma mensagem ao trade: “explicamos a todo o mercado emissor português como é fácil fazer um congresso desta dimensão em Macau”.
Pedro Costa Ferreira destacou que trabalha “há muitos anos com muitos destinos turísticos” e que “não vê capacidade organizativa melhor do que a de Macau”. Para Pedro Costa Ferreira, há “duas regiões de turismo que são exemplo de boas práticas: a Madeira em Portugal e Macau no mundo”.


“Macau quer e vai continuar a servir como plataforma entre Portugal e China”
A diretora da Direção de Serviços de Turismo de Macau (DST), Maria Helena de Senna Fernandes, reforçou essa visão ao agradecer “a renovação da aposta da APAVT” na região. O regresso do congresso ao território e a sua designação como “Destino Internacional Preferido” para 2026, afirmou, “abrem caminho para continuarmos a trabalhar de uma maneira produtiva, em conjunto”.
A responsável recordou que este trabalho conjunto “tem sido feito desde o tempo da pandemia” e que, no período pós-pandémico, as duas entidades reforçaram a sua “estreita relação”.
“A parceria com a APAVT nos últimos três anos tem sido uma das principais estratégias da nossa Direção de Serviços para dinamizar o mercado português”, disse, com várias iniciativas que permitiram “reatar ligações com os operadores turísticos portugueses” e “chegar também aos parceiros espanhóis e europeus através da APAVT”.
Entre as prioridades para o futuro próximo está a continuidade das visitas de familiarização organizadas durante a MITE – a Expo de Turismo de Macau – bem como “outras ações de promoção e formação sobre o nosso destino, tendo como alvo a indústria turística portuguesa e da Europa”.
Paralelamente, a DST continuará a apostar em iniciativas de “grande impacto” no mercado português: “já fizemos duas ações desde que a pandemia acabou, em 2023 e em setembro deste ano, ambas na Praça do Comércio”, lembrou Maria Helena de Senna Fernandes.
O trabalho tem incluído também a promoção de Macau em “plataformas de reserva de viagens, parcerias com a oferta de itinerários mono ou multi-destinos, divulgação de Macau através de criadores de conteúdos nas redes sociais, entre muitas ações criativas”.
Os resultados, sublinhou, já são visíveis: até outubro, o número de visitantes provenientes de Portugal e da Europa registou “um aumento anual na ordem dos dois dígitos, recuperando cerca de 80% dos valores do período pré-pandemia”.
A diretora destacou ainda o contexto favorável criado pela nova política de facilitação de viagens: “hoje em dia, os nossos amigos de Portugal podem viajar sem vistos para a China”, o que representa “uma boa altura para começar produtos multidestinos”, combinando com Macau ou outras cidades chinesas. Nesse sentido, deixou claro que “Macau quer e vai continuar a servir como plataforma entre Portugal e China”.
*Viajou para Macau a convite da APAVT


