Segunda-feira, Março 9, 2026
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Magnet cresce 10% em 2025 e prepara emissão de bilhetes da Ryanair para este ano

A Magnet encerrou 2025 com um crescimento de cerca de 10% em volume, revelou esta sexta-feira o diretor-geral do consolidador aéreo, Nuno Vargas, à margem da BTL – Better Tourism Lisbon Travel Market. Para 2026, a principal novidade será o lançamento de uma solução que permitirá às agências de viagens reservar e emitir bilhetes da Ryanair.

Num encontro com a imprensa, Nuno Vargas fez um balanço positivo do último exercício, sublinhando que 2025 foi “um ano importante de consolidação na sequência daquilo que foram os anos anteriores”, assinalado sobretudo pelo crescimento em receita.

Já o crescimento em volume “rondou os 10%”, indicou, destacando ainda que o consolidador registou uma evolução significativa ao nível da rentabilidade. “Fizemos alguma reestruturação das nossas fontes de receita para incrementar a rentabilidade”, afirmou. Atualmente, a Magnet detém uma quota de cerca de 5% no mercado BSP em Portugal.

Expectativas para 2026

Para 2026, a ambição é manter o ritmo de crescimento. Ainda assim, o responsável mostra prudência: “o mundo tem demasiadas incertezas para fazermos grandes previsões. Esse será um objetivo, diria, mínimo para este ano”.

Segundo explicou, o arranque do ano está alinhado com o período homólogo. “Entrámos no ano [com um resultado] muito similar ao início do ano passado, com tendência para subir. Assistimos já, nestas duas últimas semanas, a ficarmos acima 10% do ano passado”.

A contribuir para este desempenho está, segundo o diretor-geral, “um esforço de captação comercial muito grande”, que se traduziu em “mais clientes e alguns a crescerem”.

Nuno Vargas destacou também uma mudança no comportamento de compra. “Ultimamente, tem sido uma característica a antecipação das emissões para o início do ano, contrariamente ao que era antigamente. As pessoas compravam muito mais tarde, e agora começa-se a emitir os bilhetes muito mais cedo”, disse.

Ryanair é a principal aposta do ano

A grande novidade para 2026 deverá ser a disponibilização de uma solução que permita às agências reservar e emitir bilhetes da Ryanair através do consolidador aéreo. 

“Andámos sempre a fugir de uma vertente que achávamos que não era o nosso core: a questão das low-cost”, admitiu Nuno Vargas. 

No entanto, reconhece o peso da transportadora irlandesa no mercado nacional. “Dada a importância que a Ryanair, por exemplo, tem no aeroporto do Porto, e pelo facto de termos muitos clientes no Norte, estamos agora a analisar uma solução que nos permitirá oferecer aos clientes as reservas e emissões em Ryanair”, avançou, adiantando que esta será lançada “de preferência neste semestre”.

O responsável sublinha, porém, que a prioridade é garantir a eficácia. “Nunca quisemos uma solução que não fosse uma solução oficial, porque não quero estar a oferecer a possibilidade de emissão de um determinado bilhete em Ryanair para depois, se houver um problema, no pós-venda não puder fazer nada ao cliente”, referiu.

“A Ryanair, durante muitos anos, não reconhecia as agências”, relembrou. Apesar de já existirem alternativas, admite que o processo continua a apresentar constrangimentos quando feito diretamente no site da companhia. “Hoje em dia, já há soluções que a Ryanair oferece, e é por aí que iremos enveredar”.

Paralelamente, a Magnet mantém a aposta nas “implementações dos NDCs que vão surgindo no mercado e disponíveis”. Quanto à TAP, o consolidador mantém-se em compasso de espera. “Já implementámos o NDC da TAP em 2023, salvo erro. Fomos os primeiros a implementar. Temos estado a aguardar que a TAP efetivamente avance”, afirmou.

Sobre o processo de privatização da companhia aérea portuguesa, Nuno Vargas considera que é essencial “uma decisão de uma vez por todas e que o assunto se encerre”.

Apoio no pós-venda como fator diferenciador

O apoio às agências, sobretudo em situações críticas, continua a ser um dos principais pilares da Magnet. “A parte do apoio no pós-venda é o que nos diferencia da concorrência, e é reconhecidamente um fator importantíssimo”, sublinhou.

“Normalmente, quando os nossos clientes nos ligam, é porque têm um problema. Aquilo que é fundamental é passar-lhes tranquilidade, que vamos fazer o possível e o impossível para ajudar a resolver os problemas”, acrescentou.

Entre os momentos mais desafiantes de 2025, destacou o apagão elétrico que afetou o país. “Foi o pior momento que tivemos. Tivemos o aeroporto parado”, recordou, descrevendo um cenário de caos generalizado e grande complexidade operacional nos dias seguintes, numa altura em que “as próprias companhias também não estavam preparadas”.

Admitiu ainda que as filas associadas ao novo Sistema de Entrada/Saída criaram dificuldades adicionais. “Sobretudo no final do ano foi caótico”, admitiu, defendendo que é necessário “encontrar uma solução muito rapidamente para o problema do aeroporto”.

Pressão com novos prazos da IATA

Outra das preocupações prende-se com a decisão da Associação Internacional de Transporte Aéreo (IATA) de impor prazos de pagamento mais curtos e uniformizados às companhias aéreas.

“Sempre tivemos uma preocupação grande com a questão do controlo de recebimentos. Temos margens muito pequeninas e não nos podemos dar ao luxo de grandes riscos de crédito por causa disso”, explicou.

Segundo o responsável, é “um esforço muito grande quando vimos reduzido o prazo de pagamento para metade”, levando a “uma quebra da liquidez”. Nuno Vargas disse tratar-se de “uma adaptação”, mas admitiu que, na época alta, poderão surgir constrangimentos “quando houver maiores volumes de emissões e maiores valores a pagar com o BSP”.

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