Terça-feira, Abril 14, 2026
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Memmo Hotels vai investir 80M€ em novos hotéis em Lisboa, Algarve e Madeira

O grupo português Memmo Hotels está em processo de expansão, planeando investir cerca de 80 milhões de euros até 2028. Este investimento incluirá a abertura de dois novos hotéis em Lisboa, uma nova unidade no Algarve, uma na Madeira e a ampliação do Memmo Príncipe Real. Em entrevista ao TNews, Rodrigo Machaz, sócio da Memmo Hotels, e Paulo Duarte, diretor geral do grupo, explicam as razões deste investimento.

“A Memmo é uma empresa portuguesa, quer promover o destino Portugal, e é esse o nosso foco. Vamos reforçar a posição em Lisboa e no Algarve, por dois motivos: primeiro, estamos contentes com os resultados e acreditamos muito nestas duas regiões, achamos que têm muito potencial, e depois julgamos que há espaços muito especiais quer em Lisboa, quer no Algarve”, reforça Rodrigo Machaz. “Não é indiferente irmos para destinos onde já estamos, Algarve e Lisboa, há aqui várias razões”, acrescenta Paulo Duarte. “Há economias de escala evidentes e sinergias operacionais que vamos conseguir obter, permitindo que tenhamos margens de negócio mais elevadas, exatamente por causa dessas sinergias. E, elencando a Madeira, são destinos absolutamente consolidados, não estamos a ir para sítios que oferecem dúvidas. São destinos nos quais estamos bastante satisfeitos com a performance, acreditamos muito no futuro, quer em Lisboa, quer no Algarve. Sobretudo, porque vamos fazer uma abordagem do Algarve diferente da que temos. Por último, só uma nota: vamos fazer produtos complementares, não estamos a fazer os produtos todos para o mesmo tipo de cliente, apesar de estarmos sempre a falar de um cliente com elevado poder de compra, os hotéis são muito diferentes, até em termos de dimensão, estamos a falar de um hotel de 128 quartos, da mesma maneira que estamos a falar de um hotel de 12 ou 15 quartos. Portanto, garantimos que esta complementaridade é muito vantajosa a prazo”, defende.

Ampliação do Memmo Príncipe Real

Em Lisboa, onde a Memmo tem dois hotéis, o Memmo Alfama e o Memmo Príncipe Real, o grupo vai avançar com a expansão deste último, que vai passar dos atuais 41 quartos para 61 quartos e ganhar duas suites. “Vamos passar a ter duas suites espetaculares e quartos maiores, muito a pensar num mercado que hoje em dia já representa o principal mercado da Memmo, que é o mercado americano. Os mercados de longa distância têm esta necessidade maior de espaço, porque vêm com mais bagagem”, explica Rodrigo Machaz. Para o Memmo Príncipe Real está ainda projetado um novo produto, fora dos padrões da coleção Memmo e Rodrigo explica porquê. “É a primeira vez que vamos fazer um projeto fora do que chamamos a coleção Memmo, olhamos para ele um pouco como um stand alone, porque é realmente diferente, quer pela sua dimensão, quer pelo nível de serviço que tem. Trata-se de uma unidade de 11 quartos, e que se vai chamar The House of Memmo Príncipe Real”.

Memmo Príncipe Real

Quais as diferenças para o Memmo Príncipe Real? “Não é um hotel de 5 estrelas, é uma casa com 11 quartos, a qualidade mantém-se, quer nos acabamentos, quer na decoração, o espaço é que é mais pequeno, e os serviços são mais limitados, o que nos vai permitir atingir um tipo de cliente que gosta da nossa marca, mas que procura o affordable luxury, portanto, o preço tem aqui um papel fundamental”, acrescenta. “Depois, tem uma grande vantagem, quando dizemos The House of Memmo Príncipe Real, é mesmo a casa do Príncipe Real, quer dizer que os clientes vão poder utilizar as facilidades do Memmo Príncipe Real”. Com um investimento previsto de 6,5 milhões de euros, estima-se que a ampliação esteja concluída no último trimestre de 2025.

Duas novas unidades em Lisboa: Memmo Corpo Santo e Memmo Santa Mónica

No Largo do Corpo Santo, em Lisboa, a Memmo vai abrir um hotel de cinco estrelas no Convento do Corpo Santo, recuperando o edifício para uma unidade de 15 quartos. “Uma das características dos três primeiros hotéis da Memmo têm sido as vistas. Este hotel é muito mais uma viagem para dentro, vamos fazer com que a experiência de estar neste hotel seja também uma experiência virada para o lado interior. No fundo, é quase como um convite a estar na cidade, mas desconectar da mesma”, explica Rodrigo Machaz, apesar da sua proximidade a uma das mais vibrantes ruas de Lisboa, a Rua Rosa. “Este espaço é especial, as pessoas vão entrar pela sacristia e perceber que estão num antigo convento, vai ter um pequeno restaurante no terraço. Há uma lógica na nossa geografia, que é quase como desenhar um sorriso em Lisboa, começa no Príncipe Real, desce para o largo de Corpo Santo, segue para a Alfama e depois mais em cima a Graça, onde teremos o Convento das Mónicas”, revela.

O Convento das Mónicas, no bairro da Graça, que durante décadas foi uma prisão feminina, será o quarto hotel da Memmo em Lisboa, e também o mais impactante, pela sua dimensão e investimento. A Memmo vai transformar o antigo convento num hotel de 128 quartos com um investimento de 50 milhões de euros. “Este é um hotel diferente, tudo é diferente. É, de facto, um game change para a Memmo, para os números do grupo, para tudo, porque, apesar de ser um hotel com 128 quartos, até menor que o Memmo Baleeira, toda a oferta do hotel em nada tem a ver como Memmo Baleeira, é de facto um hotel que se posiciona para ser, seguramente, um dos melhores hotéis da cidade, com atributos para isso”, defende Rodrigo Machaz. Paulo Duarte complementa: “Pretendemos que este hotel seja um landmark dos hotéis de Lisboa. Vão ser 128 quartos, 17 mil metros quadrados de construção, é um projeto com muita envergadura, num sítio muito improvável que é no meio da zona histórica de Lisboa, no meio das vielas”, destaca o diretor geral. Entrando em detalhes sobre esta unidade, o responsável revela que a entrada será feita pela nave de igreja, com um pé direito de quase 15 metros de altura. “Vai ser um projeto muito imponente e com mais valias do que os hotéis da Memmo em Lisboa. Vai ter dois restaurantes; um rooftop com uma dimensão bastante generosa com uma vista impressionante de 360º, onde se vê desde o Palácio da Pena até à Serra da Arrábida; um spa com piscina interior, que vai ser o aproveitamento de uma antiga cisterna do edifício, algo muito especial; duas piscinas exteriores, muitos metros quadrados para reuniões, um ballroom com 360 metros quadrados, outra sala com 50m2 e vários breakouts. Isto vai permitir-nos olhar para outros segmentos de mercado”, reconhece Paulo Duarte.

Tanto o Memmo Corpo Santo, como o Memmo Santa Mónica são unidades de cinco estrelas e Paulo Duarte explica porquê. “Tem muito a ver com os mercados estratégicos que queremos atingir nos próximos anos. O mercado americano está a fazer a diferença, é um mercado que temos trabalhado muito bem nestes últimos anos, até pela parceria com a Design Hotels, e com a Marriott, do qual o Memmo Príncipe Real faz parte do programa de fidelização. É um mercado que começamos a conhecer bem. O Memmo Santa Mónica está muito pensado para os clientes do mercado americano e é possível que haja uma associação a uma marca internacional para aquele projeto. Não está decidido ainda qual a marca mas fará sentido”.

Memmo Arade e Memmo Paúl do Mar

No plano de expansão da Memmo Hotels até 2028 estão outros dois projetos: o Memmo Arade, no Algarve, e o Memmo Paúl do Mar, na Madeira.

“Estes dois projetos são perfeitamente enquadráveis no propósito e na missão da Memmo: a promessa de dar a conhecer coisas diferentes”, começa por explicar Rodrigo Machaz. Desta vez, o grupo apostou no barrocal algarvio para abrir o seu segundo projeto na região. O Memmo Arade, de cinco estrelas, resulta de uma parceria com a propriedade dos vinhos Arvad, criada em 2016, nas margens do rio Arade, com vista para Silves. “O nosso hotel vai estar em cima do rio Arade e vai ser um oásis de tranquilidade, com um conceito muito à volta das vinhas, o elemento vinho vai ter um papel importante. É um hotel para um cliente que vai à procura de tranquilidade, sossego, viver o barrocal e todo o interior do Algarve, estar longe da confusão, mas com uma vantagem, ao mesmo tempo está a 10 minutos de praias ótimas”. Com capacidade para 42 quartos, incluindo duas suites, o projeto terá uma componente “muito forte de sustentabilidade”, explica Machaz. “O restaurante vai trabalhar muito o conceito Farm to Table, queremos que haja esse cuidado em oferecer o que de melhor a região tem”. Por sua vez, também irá dispôr de infraestruturas de wellness, como um centro de bem-estar, um pequeno ginásio, espaços para aulas de ioga no exterior, sauna, banho turco, duche sensorial e dois gabinetes de tratamento. “Ainda estamos a definir os conceitos de tratamento, mas será sempre à volta do que existe localmente”. O acesso ao Rio Arade também será promovido, através de passeios de barco ou passeios de canoagem. “Diria que o Memmo Arade é uma mistura de bom clima do Algarve, com a beleza da Toscânia, e o encanto do Douro, tudo ali concentrado. É um outro lado do Algarve”, conclui.

Já quanto ao Memmo Paul do Mar, na Ilha da Madeira, o projeto foi anunciado pela primeira vez em janeiro de 2023, depois da compra do Hotel Paul do Mar, no concelho da Calheta, com 60 quartos e vista privilegiada sobre o Oceano Atlântico. “Conhecia aquele lado da Madeira porque ia lá fazer surf, o Paul e o Jardim do Mar eram sítios muito isolados porque as acessibilidades eram difíceis, isso mudou radicalmente com a construção de um túnel, o que coloca o Paul a 35 minutos do Funchal. Sinto que a Madeira, desde o covid, está a regenerar-se, o fenómeno de rejuvenescimento da Madeira acontece com os pequenos alojamentos turísticos fora do Funchal e com o fenómeno dos nómadas digitais na Ponta do Sol. Quando fomos para a Madeira, foi com esse objetivo de acreditar no outro lado da Madeira, não apenas o Funchal, e aproveitar uma capacidade instalada de 60 quartos, num sítio que é de uma beleza única”, explica Rodrigo Machaz.

O responsável afirma que o posicionamento do Memmo Paul do Mar terá semelhanças com o Memmo Baleeira, em Sagres, na medida em que apostará num conceito de lifestyle wellness. “Para pessoas que procuram um estilo de vida saudável, que procuram descobrir e explorar a região mas que, no fim do dia, querem um hotel confortável com comida boa, saudável, com programas bons. Este projeto tem um desafio acrescido face ao Memmo Baleeira, vamos apostar num hotel de cinco estrelas, mas não queremos transformar as cinco estrelas num hotel muito sério, é cinco estrelas porque queremos apostar na qualidade”.

“O Memmo Santa Mónica será o que estará mais próximo do luxo”, complementa Paulo Duarte. “A oferta continua a crescer e nós queremos, claramente, ir para um patamar superior que, estrategicamente, num país como Portugal, poderá fazer a diferença. Caso contrário, corremos o risco de estarmos daqui a cinco, dez anos numa guerra de preço de hotelaria mais indiferenciada. No final deste ciclo de investimento, vamos ficar com um portfólio de hotéis bastante especiais, pela qualidade dos imóveis, das localizações. Até em termos de retorno de investimento, não é indiferente a escolha dos cinco estrelas, estamos a falar de um investimento considerável, e não é indiferente às perspetivas de rentabilização”, adianta o diretor geral da Memmo.

Dos projetos referidos, estima-se que o Memmo Paul do Mar e o Memmo Arade abram no final de 2025, assim como a ampliação do Memmo Príncipe Real. Será preciso esperar um pouco mais, até 2028, pela abertura dos restantes projetos em Lisboa.

Já quanto ao interesse em abrir mais em Lisboa, Rodrigo Machaz adianta que só o farão “se aparecer alguma coisa de especial”. “Interessa-nos agora desenvolver outras geografias”, afirma. O sócio da Memmo Hotels realça, no entanto, a vontade do grupo em gerir unidades hoteleiras de terceiros. “Há imóveis lindíssimos em Portugal, localizações únicas, unidades independentes que podem querer entregar a gestão do hotel a uma empresa que puxe o hotel para cima, o caminho futuro da Memmo vai passar pela exploração, mas também pelos contratos de gestão com projetos que não sejam propriedade da Memmo”, assegura.

Sobre possíveis localizações, Rodrigo Machaz aponta a região de Lisboa, nomeadamente Cascais, Estoril e Sintra, porque “pode ser complementar aos hotéis” na capital. Quanto à Comporta, “é um destino que nunca olhámos com calma, continuamos a achar que é um destino que está em grande desenvolvimento, mas tem uma sazonalidade difícil, e já está muito explorada. Gostamos de chegar aos sítios e acrescentar, e na Comporta já está muito a acontecer. Gostávamos de ter um hotel na costa entre Lisboa e Sagres, na Costa Vicentina.

Crescimento de 12%

Em 2023, o grupo Memmo faturou 16 milhões de euros, representando um aumento de aproximadamente 12% em relação a 2022. Em comparação com 2019, a cadeia hoteleira cresceu quase 30%. O aumento não se deveu tanto à taxa de ocupação, que já era alta, mas principalmente ao crescimento dos preços. O preço médio consolidado foi de 210 euros, com uma ocupação média de 71% nos hotéis (+16% face a 2022). O mercado americano foi o principal contribuinte, representando 27%, enquanto os mercados inglês e alemão foram de 12% cada.

De acordo com Paulo Duarte, as expectativas de crescimento e metas futuras da Memmo Hotels são “francamente otimistas”. Espera-se um crescimento de dois dígitos, considerando o progresso desde 2019 como bastante significativo. Os hotéis em Lisboa têm perspectivas positivas, com pickups promissores, reforçando a trajetória ascendente da empresa.

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