A Minor Hotels quer abrir “pelo menos dois ou três hotéis” na Comporta, vê oportunidades de expansão no Douro e procura levar a marca Anantara para Lisboa. Em entrevista ao TNews, Laia Lahoz, diretora de ativos e desenvolvimento da Minor Hotels para a Europa e Américas, revelou ainda que o grupo tem dois novos hotéis em negociação no país, além dos dois projetos anunciados em julho, e confirmou a reabertura do Tivoli Coimbra, agora como unidade de cinco estrelas.
“Temos dois [hotéis] em negociação. Esperamos anunciar boas notícias em breve, porque estamos extremamente ativos no país”, avançou Laia Lahoz.
Na região entre Lisboa e o Algarve, a responsável admite que “faltam-nos pelo menos dois ou três hotéis na zona da Comporta”, apontando também Setúbal como uma área com potencial. “Somos fortes no Algarve, mas esta região entre o Algarve e Lisboa, seja Comporta, Setúbal, toda esta região, acreditamos que está muito bem conectada”, afirmou.
O interesse é sustentado, segundo Laia Lahoz, pela evolução da procura internacional, com a Comporta a tornar-se “cada vez mais forte e popular” entre os norte-americanos, a par de mercados como Brasil, Espanha e Israel. “Há mercados fortes no segmento de luxo que estão realmente à procura de bons produtos na zona da Comporta.”
O Douro é outra das regiões onde a Minor Hotels vê espaço para crescer. “É uma região que oferece experiências fortes aos hóspedes”, considera Laia Lahoz, relacionando o potencial do destino com o posicionamento das marcas do grupo, assente na experiência e ligação ao território.
Em Lisboa, a prioridade passa por acrescentar a Anantara às quatro marcas com que a Minor Hotels já está presente na cidade. “Estamos presentes em Lisboa com Avani, NH, NH Collection e Tivoli, mas falta-nos um Anantara”, afirmou. Por isso, o grupo está “a explorar várias oportunidades para assegurar um Anantara em Lisboa”.
Tivoli Coimbra reabre como cinco estrelas

A reabertura do Tivoli Coimbra aconteceu na última semana de setembro, vários meses depois do inicialmente previsto. A Minor Hotels tinha anunciado, em dezembro de 2025, que a unidade reabriria em abril, após uma renovação integral que implicou o encerramento do hotel.
A intervenção abrangeu os 100 quartos e suites, áreas públicas, restauração e espaços para reuniões e eventos. O número de suites aumentou de quatro para 14 e o hotel ganhou uma nova área de bem-estar, com piscina interior, ginásio, salas de tratamento, jacuzzi, sauna e banho turco. Duas suites passam também a contar com terraço e piscina privativa.
Irene Fernández Rodríguez, Vice President of Global PR & Communications da Minor Hotels Europe & Americas, não revelou o investimento realizado, mas adiantou que se tratou de “uma grande renovação”, que permitiu elevar a unidade de quatro para cinco estrelas.
“O Tivoli Coimbra será o melhor ativo da cidade”, antecipa Laia Lahoz, que pretende que o hotel consiga ir além do desempenho face à concorrência local e “se torne um destino em si próprio, uma razão para visitar a cidade”.
Além dos dois hotéis agora em negociação, a Minor Hotels mantém em desenvolvimento os dois projetos para Portugal que tinha anunciado em julho: um no Norte e outro no Centro do país, de marcas diferentes e ambos no segmento de luxo. Um será um Anantara.
Na altura, responsáveis do grupo explicaram que os dois projetos resultariam da reabilitação de edifícios existentes que nunca funcionaram como hotéis. O investimento nas obras ficará a cargo dos proprietários dos imóveis e a Minor Hotels assumirá a gestão das unidades. A expectativa então avançada apontava para a abertura num horizonte de cerca de dois anos, embora os projetos estivessem a sofrer atrasos.
Questionada agora pelo TNews sobre as localizações, marcas, dimensão e calendário, Laia Lahoz não avançou novos detalhes sobre os dois empreendimentos.
Portugal cresce em preço e ocupação
A Minor Hotels opera atualmente 17 hotéis em Portugal e prevê terminar 2026 acima dos resultados do ano passado. “2025 foi um ano muito bom para os nossos hotéis em Portugal”, afirmou Laia Lahoz, acrescentando que as renovações em curso estão também a contribuir para a evolução do portefólio.
Em 2026, o RevPAR está a crescer face ao ano passado. “Estamos a crescer em tarifas e ocupação, ambas face ao ano passado”, revelou, embora o preço esteja a contribuir ligeiramente mais para a evolução dos resultados do que a ocupação.
No conjunto da Minor Hotels, o ADR aumentou 4% no primeiro semestre de 2026, enquanto o RevPAR cresceu 3% e a ocupação recuou um ponto percentual. Na região Europa & Americas, o RevPAR avançou 5%
O Reino Unido mantém-se como “o primeiro mercado” para as unidades do grupo no Algarve. Em Lisboa e no Porto, por outro lado, a procura dos Estados Unidos e do Brasil está a ganhar peso, enquanto Espanha, Itália e Reino Unido permanecem mercados relevantes.
Apesar da evolução positiva das tarifas, Laia Lahoz considera que o crescimento registado pela hotelaria europeia após a pandemia está a perder intensidade. “A ‘vingança das viagens’ que experienciámos depois da Covid tem vindo a abrandar”, afirmou, lembrando que viajar está cada vez mais incorporado nos hábitos de consumo.
“Não podemos esperar que o crescimento do ADR que a indústria na Europa experienciou durante 2022, 2023 e 2024 seja sustentável nos próximos cinco anos”. Para a responsável, “as tarifas estão a crescer, mas o crescimento não é tão acentuado como era”.
O Tivoli Kopke Porto Gaia e o Tivoli Estela Golf & Lodges, duas das mais recentes aberturas do grupo em Portugal, estão a registar uma evolução significativa face ao primeiro ano de operação.
“Ambos estão a ter um desempenho muito bom, muito melhor do que no ano passado, o que também é normal”, afirmou Laia Lahoz, explicando que os hotéis atravessam ainda o período inicial de maturação. “Normalmente, durante os primeiros três anos após a abertura, os hotéis estão em ramp-up. Por isso, a diferença entre 2025 e 2026 nestes dois ativos é enorme.”
A responsável admite, contudo, que há margem para melhorar. “Esperamos sempre mais do que aquilo que os hotéis entregam. Estão a ter um desempenho razoavelmente bom, mas, seguramente, aspiramos a ter um desempenho melhor e a entregar melhores resultados.”
A par de Coimbra, o Tivoli Avenida Liberdade é um dos principais projetos de renovação da Minor Hotels em Portugal. Em setembro, o hotel concluiu a renovação dos quartos e suites, num projeto desenvolvido pelo Rodrigo Izquierdo Studio e inspirado no património arquitetónico da unidade e em elementos associados à cidade de Lisboa.
“O Tivoli Avenida Liberdade é muito relevante. É icónico e o investimento não é menor”, afirmou Laia Lahoz. A responsável não revelou o montante envolvido, mas explicou que a intervenção pretende “posicionar ainda mais o hotel na comunidade e na cidade”.
Para 2027, o impacto destas renovações será, aliás, uma das áreas a acompanhar. “Não é apenas crescer com novos ativos, é também ver como correm as renovações”, sublinhou Laia Lahoz, explicando que o grupo pretende perceber como os investimentos realizados são recebidos pelo mercado, nomeadamente ao nível das tarifas.
Além do Tivoli Coimbra e do Tivoli Avenida Liberdade, não estão atualmente previstas em Portugal outras renovações com uma dimensão semelhante.
Portugal é “chave” na estratégia europeia
Portugal, Espanha e Itália estão entre os mercados prioritários para o crescimento da Minor Hotels na Europa. O grupo não define metas de expansão por país, mas Laia Lahoz sublinha que “Portugal, tal como Espanha e Itália, é chave para apoiar o nosso plano estratégico de crescimento”.
A posição portuguesa distingue-se particularmente no segmento de resorts. “Portugal é o país do Sul da Europa onde estamos mais expostos à componente de resorts”, explicou a responsável. A experiência das equipas da Tivoli no país tem, inclusive, sido aproveitada para desenvolver este segmento noutros mercados.
“Aprendemos com todas as equipas de resorts da Tivoli em Portugal para expandir este know-how para os nossos outros resorts em Itália e Espanha”, afirmou. O responsável pelos resorts da Minor Hotels no Sul da Europa está, aliás, baseado em Portugal, algo que Laia Lahoz apresenta como exemplo de como o grupo está “a exportar todo o know-how de Portugal”.
A estratégia europeia passa por crescer não só nos mercados onde a Minor Hotels já tem uma presença relevante – Portugal, Espanha, Itália, Benelux, França, Alemanha e Áustria -, mas também por levar novas marcas a esses destinos. Em paralelo, o grupo identifica oportunidades para NH e NH Collection nos países nórdicos e em mercados entre a Europa e a Ásia.
O crescimento deverá ser feito sobretudo através de modelos asset-light, com contratos de gestão e franquia. A estratégia tem vindo a ganhar peso no grupo, com 87% das oportunidades no pipeline alargado da Minor Hotels a seguirem atualmente este modelo, face a 70% anteriormente.
Em 2025, a Minor Hotels lançou quatro marcas – The Wolseley Hotels, Minor Reserve Collection, Colbert Collection e iStay –, alargando o portefólio para 12 insígnias e aumentando as opções disponíveis para diferentes tipos de projetos e proprietários.
No caso da franquia, Laia Lahoz identifica um perfil concreto de parceiro: “famílias locais que sabem realmente como gerir o negócio, conhecem a região, conhecem os seus clientes e sabem como fazer os hóspedes felizes”, mas que podem enfrentar dificuldades com os custos de distribuição e com o acesso a mercados internacionais.
Alguns destes operadores, explica, estão “a pagar comissões muito elevadas a determinados intermediários” ou suportam custos que, “sem escala, são demasiado elevados”, ao mesmo tempo que têm dificuldade em “captar mercados para além dos mercados regionais ou do mercado doméstico”.
“Essas famílias com um forte know-how e experiência sobre o território, a região, o país e o hotel são aquelas com quem queremos estar em contacto”, afirmou. A proposta da Minor Hotels passa por disponibilizar a sua estrutura de distribuição através da franquia ou, nos casos em que os proprietários pretendam deixar a operação direta, assumir a gestão das unidades.
Para 2027, o objetivo em Portugal passa, assim, por “continuar a crescer” e “consolidar-nos como um player relevante”, conciliando a entrada de novos hotéis com o reposicionamento dos ativos existentes.




