Criada em 2025, a Giacomo partiu da visão clara de unir o ciclismo ao turismo de luxo. Hoje, a marca procura afirmar-se no segmento com experiências “autênticas e com uma forte componente humana”. Em entrevista ao TNews, Gilberto João Sampaio, founder e managing director, revela os planos de expansão, detalha a personalização de experiências e analisa a importância das parcerias com hotéis portugueses.
Gilberto João Sampaio estava no Douro quando, ao ver um grupo de turistas em bicicleta, surgiu a ideia de juntar a sua experiência enquanto ex-ciclista profissional à paixão por viagens e pelo universo do turismo de luxo.
Em janeiro de 2025, depois de cinco anos a guardar a ideia para si, nasceu a Giacomo, partindo de uma visão clara: “criar programas ultra-luxury através de uma curadoria de experiências transformadoras, onde o ciclismo se cruza com o território, a hotelaria, a gastronomia, os vinhos e, sobretudo, com a autenticidade de cada destino”.
Agora, o desafio passa por posicionar uma marca recente num mercado exigente como o turismo de luxo. “Ganhar confiança, notoriedade, consistência e credibilidade é um processo que exige tempo, muito trabalho, rigor e disciplina,” refere o fundador.
Gilberto João Sampaio considera que Portugal tem empresas relevantes tanto no turismo de bicicleta como no turismo de luxo, mas identificou uma oportunidade para “elevar esta experiência a um nível de exigência diferente, onde cada detalhe é pensado e executado com o mesmo rigor”.
Para o responsável, “o ciclismo e o turismo de luxo têm uma ligação muito natural” e a Giacomo procura diferenciar-se com experiências “autênticas e com uma forte componente humana”. Os clientes “não levam apenas uma memória da viagem”, acrescenta. “Muitas vezes terminam o programa a despedir-se da nossa equipa com um abraço e a dizer-nos que querem voltar”. Esse é “um dos maiores indicadores de que [estão] a criar algo com verdadeiro significado”, segundo Gilberto João Sampaio.
“Na Giacomo, o luxo está na experiência como um todo: no percurso, na escolha dos parceiros, na gastronomia, nos vinhos, na hotelaria, no serviço e na capacidade de antecipar aquilo que o cliente valoriza, muitas vezes antes de o pedir. É esta combinação de ciclismo, território, serviço, detalhe e curadoria de experiências transformadoras que define a nossa proposta”, afirma.

“Ganhar confiança, notoriedade, consistência e credibilidade é um processo que exige tempo, muito trabalho, rigor e disciplina”
Destinos que permitem criar histórias
Em Portugal, a Giacomo opera atualmente no Alto Douro Vinhateiro, Porto e Gaia, Sintra e Alentejo, destinos que permitem trabalhar diferentes dimensões. Como aponta Gilberto João Sampaio, na escolha das regiões onde estão presentes, “o vinho e a gastronomia têm naturalmente um peso importante, sobretudo no Douro e no Alentejo, enquanto Porto, Gaia e Sintra permitem-nos trabalhar outras dimensões, como património, cultura, arquitetura e paisagem”.
Estes destinos têm em comum “uma identidade muito forte e com capacidade para proporcionar experiências que vão muito além do ciclismo”. Mas há outro critério que o fundador considera “fundamental”: “o destino tem de nos permitir criar uma história”.
“Não procuramos simplesmente destinos onde seja possível andar de bicicleta. Procuramos territórios onde consigamos criar uma experiência completa, coerente e autêntica, com o nível de serviço e detalhe que definimos para a Giacomo,” explica.
A nível nacional, e em resposta à procura que têm recebido, a Giacomo já está “a desenvolver programas One Day em cidades como Guimarães e Braga”.
Para Gilberto João Sampaio, o Algarve é um dos destinos com maior potencial para uma futura expansão. “Estamos a estudar a criação de um programa de sete dias e seis noites. É um destino que nos interessa pela combinação entre paisagem, gastronomia, vinho, hotelaria de luxo e possibilidade de criar experiências muito diferentes entre o interior e o litoral”, revela.
Internacionalmente, a Giacomo está atualmente presente apenas em Itália, na Toscânia, uma escolha que foi natural. “Itália é o meu país de eleição e existe uma enorme afinidade entre aquilo que a Giacomo representa e a cultura italiana. A Toscânia permite-nos levar para um novo território a mesma filosofia de curadoria e de experiências transformadoras que desenvolvemos em Portugal”, considera.
Em relação à expansão para outros destinos internacionais, “há propostas” e o objetivo é “alargar progressivamente o portfólio a outros países europeus”, mas a Giacomo quer “crescer de forma criteriosa, consolidando cada território antes de avançar para o seguinte”.
“Não queremos crescer apenas em número de destinos. Queremos crescer mantendo a identidade, o nível de serviço e a capacidade de criar experiências verdadeiramente diferenciadoras,” afirma.


“Não queremos crescer apenas em número de destinos. Queremos crescer mantendo a identidade, o nível de serviço e a capacidade de criar experiências verdadeiramente diferenciadoras”
Personalização que pode ir até onde o cliente quiser
Até ao momento, 100% dos clientes da Giacomo são internacionais, com os Estados Unidos e o Canadá a destacarem-se como “mercados particularmente relevantes”. Adicionalmente, têm vindo a verificar uma procura maior por parte do mercado asiático. Gilberto João Sampaio considera este “um indicador que reflete claramente a vocação internacional da Giacomo e o posicionamento que [estão] a construir desde o início”.
“O nosso cliente é, na generalidade, maior de 60 anos, com elevado poder de compra e uma forte valorização pela qualidade, privacidade, conforto e experiências autênticas”, continua.
A sua experiência enquanto ex-ciclista profissional influencia diretamente a criação dos programas: não só pelo “rigor, a disciplina e a atenção ao detalhe que o desporto [lhe] ensinou”, mas também porque cerca de 90% dos percursos da Giacomo são da sua autoria e criados com a “sensibilidade diferente” de quem conhece “o terreno, as estradas, as subidas, a paisagem e os pequenos detalhes de cada região”.
“Não procuro apenas uma boa estrada para pedalar. Procuro que cada percurso tenha ritmo, beleza, carácter e encanto, e que faça parte da experiência que queremos proporcionar”, explica.
Atualmente, a experiência mais procurada é o programa de sete dias e seis noites no Vale do Douro. “É o nosso programa de referência e aquele que melhor traduz a essência da Giacomo, combinando ciclismo, paisagem, vinho, gastronomia, hotelaria e experiências privadas”, refere.
As experiências personalizadas, especificamente que ligam o Minho ao Vale do Douro, têm também revelado mais procura. “A personalização pode ir tão longe quanto fizer sentido para o cliente. É uma das áreas que mais gosto de trabalhar, porque nos permite transformar uma viagem numa experiência verdadeiramente pessoal”, refere o fundador.
“Recentemente desenhei um programa que começava com um transfer do Aeroporto do Porto para o hotel num Rolls-Royce clássico. No dia seguinte, os clientes seguiam de helicóptero para o Vale do Douro, onde, como em todos os nossos programas, tinham um guia privado e uma das nossas Mercedes-Benz E-Class de apoio”, explica.
“A partir daí, criámos uma experiência com vários momentos exclusivos: jantar privado com o chef, seleção de vinhos especiais, prova privada de Vinhos do Porto com abertura de uma garrafa de Porto Vintage pelo método tradicional de abertura a fogo, concerto de fado privado e um passeio de barco acompanhado por um violinista privado, incluindo um momento de sabrage de espumante”, conta.
“No final da experiência no Douro, o regresso ao Porto foi feito num iate privado, com uma prova de vinhos a bordo”, descreve Gilberto João Sampaio.

“Não procuro apenas uma boa estrada para pedalar. Procuro que cada percurso tenha ritmo, beleza, carácter e encanto, e que faça parte da experiência que queremos proporcionar”
A Giacomo tem vindo a construir uma rede de parceiros selecionados, em Portugal e em Itália. “No Vale do Douro, trabalhamos com a Quinta Nova Nossa Senhora do Carmo, Quinta São José do Barrilário, Quinta da Vacaria, Six Senses Douro Valley, Casa de Santa Eufémia e, mais recentemente, a MENIN. No Porto e Gaia, com a Vila Foz Hotel & Spa e The Largo. No Alentejo, com a Quinta do Paral, e em Sintra, com o Penha Longa Resort. Na Toscânia, temos uma parceria com o Il Falconiere Relais & Spa”, enumera o fundador.
Estas parcerias, com quem procura estabelecer relações de confiança e a longo prazo, funcionam de forma próxima e personalizada, com o objetivo de criar experiências “verdadeiramente diferenciadoras”. “Os hotéis conhecem o perfil dos seus hóspedes e nós trabalhamos em conjunto para criar experiências adequadas a esse perfil. Em alguns casos, os programas Giacomo são apresentados diretamente aos hóspedes; noutros, desenvolvemos experiências específicas para determinada propriedade”, refere.
A Giacomo está, atualmente e em conjunto com alguns dos hotéis parceiros, a “desenvolver novos programas pensados especificamente para os seus hóspedes”. “É um projeto que me entusiasma particularmente, porque estamos a criar experiências à medida do perfil de cada hotel e do seu cliente, em vez de simplesmente apresentar um programa já existente”, afirma.
Em retrospetiva, Gilberto João Sampaio vê o primeiro semestre como “muito positivo e, sobretudo, importante para a consolidação da Giacomo”. “Começámos a receber um número crescente de pedidos de informação, propostas e reservas, particularmente no segmento privado, que é o nosso core business”, acrescenta.
A perspetiva para os próximos meses é também favorável, com programas confirmados para setembro e outubro e “uma aproximação crescente de parceiros e profissionais ligados ao turismo de luxo”, segundo Gilberto João Sampaio.
“Mais do que crescer rapidamente, queremos consolidar a Giacomo com consistência e manter o nível de serviço e de detalhe que definimos desde o início”, conclui.




